Uma volta às aulas sem problemas
Pediatra Dra. Francielle Tosatti dá dicas sobre como deve ser a inserção da criança nessa nova rotina, abordando os
principais temas que os pais devem conhecer
Com o fim das férias, o desafio das famílias é como preparar os filhos para a nova rotina da escola. Pensando nisso, o Jornal de Pomerode preparou uma reportagem com a pediatra Dra. Francielle Tosatti, abordando os principais tópicos do assunto. Confira abaixo as dicas que ela preparou, para tornar a volta às aulas mais tranquila:
Rotina escolar – Algumas atitudes podem facilitar o processo do estabelecimento da rotina escolar, tanto para os pais quanto para as crianças. Primeiro e mais importante que tudo é não fazer com que isso seja visto como algo negativo, por exemplo:
“terminou a moleza, não vai mais ficar brincando, agora vai ter que acordar cedo e estudar” – parece castigo, certo?
Diferentemente disso, a escola deve ser anunciada como divertida, prazerosa, uma nova oportunidade de fazer amigos, conhecer novas brincadeiras, atividades, musicas, livros… Enfim, um mundo novo a ser descoberto! Outro ponto positivo na adaptação é levar a criança para conhecer a escola antes, mostrar a sala de aula, a área recreativa, o banheiro. Fazer com que ele se familiarize com o ambiente.
Para que a volta às aulas não seja uma mudança “abrupta na rotina”, a estratégia é começar a adaptação de horários sete a 10 dias antes do inicio das aulas, como se fosse um treino. Aos poucos, acordando a criança mais cedo. Se a aula for no período da tarde, veja se vai ser preciso ajustar o horário do almoço e do banho.
A rotina dos pais também vai mudar. É importante organizar-se em relação a quem leva e quem busca a criança, quem vai preparar o lanche e quem vai ajudar na lição de casa depois. Quanto mais a família estiver envolvida, mais confiante a criança vai se sentir! Isso também ajuda a desenvolver uma rotina fora do horário da aula, definindo o horário da lição, o horário das refeições, das brincadeiras e o horário de dormir.
Alimentação – Nós dividimos os alimentos em três grupos principais e uma lancheira saudável contém uma unidade de cada um deles:
*Os construtores – Proteínas, como iogurte, leite, queijo.
*Os energéticos – carboidratos, como pães, cereais.
*Os reguladores – frutas e verduras. Nesses últimos, os sucos são pouco recomendados, devendo-se preferir a fruta in natura.
Uma lancheira saudável não deve ter alimentos industrializados – biscoito recheado, salgadinhos de pacote, doces -, e alimentos ricos em corantes e conservantes – refrigerantes, suco de caixinha, danoninho.
É importante lembrar que essa seria a lancheira de uma criança que já recebe a dieta da família (maior de um ano). O melhor alimento para bebes é o leite materno, devendo ser oferecido de forma exclusiva até os seis meses e mantido até os dois anos de idade. A introdução da alimentação sólida na criança a partir dos seis meses é gradual e deve ser feita com a orientação do pediatra.
Material escolar – O peso máximo que a criança pode carregar é 10% do seu peso total. Isso significa que uma criança de 20 kg, pode carregar no máximo 2kg, contando o peso da mochila vazia. Aconselha-se que, na hora da escolha da mochila, a mesma vazia não pese mais que 500g. Uma dica para evitar levar peso extra é comprar uma mochila sem bolsos (ou com o mínimo possível) para evitar levar materiais desnecessários.
Caso a escola exija materiais que ultrapassem o recomendado com periodicidade, vale procurar a coordenação da instituição para que a criança possa guardar os materiais mais pesados nos armários da escola.
Sobre os modelos: não existe um modelo ideal, tanto a mochila de alça quanto a de rodinha podem ser nocivas à saúde se algumas regras de uso não forem respeitadas.
As mochilas de alça, por exemplo, devem ter duas alças acolchoadas, de 4cm cada na largura do ombro. A largura total não pode exceder a largura do dorso da criança e a altura deve limitar-se a linha da cintura. As alças devem ser tracionadas de modo que a mochila fique justa ao corpo.
Já as mochilas de rodinha podem ser uma boa opção desde que a criança saiba usá-la. O mau posicionamento na hora de empurrá-la pode causar desalinhamento do corpo e danos nas costas. A altura correta da alça deve ser o suficiente para que a criança não tenha que se inclinar para puxá-la – o puxador deve ser ajustável à sua altura. Suas costas devem estar retas ao puxar a mochila.
Sinais de alerta: Dores nas costas, no pescoço e nos ombros são as manifestações mais precoces do problema, que, se não tratado, poderá evoluir para agravos da coluna, como escoliose, cifose ou hiperlordose. Nesses casos, o pediatra deve ser consultado o quanto antes.
Na escola – O ideal seria conseguir regular a altura da cadeira para que os pés estejam apoiados e o quadril em contato com o assento. As costas devem permanecer retas e apoiadas no encosto. E vale a pausa para um passeio curto para movimentar o corpo, a cada uma ou duas horas no máximo.
Com as aulas, as crianças passam muito mais tempo em contato umas com as outras, o que facilita a transmissão de doenças infecciosas. Para evitar que isso aconteça, é fundamental que a carteira vacinal da criança esteja em dia.
As escolas devem estar bem higienizadas, oferecer salas de aula com boa entrada de luz e ventiladas. Ar condicionado favorece a proliferação de doenças, isso por que os vírus e bactérias permanecem no mesmo ambiente, desta forma devem regularmente passar por manutenção e higienização.
Caso a criança adoeça, deve permanecer em casa até a liberação do pediatra, evitando o contagio dos coleguinhas.
É importante alguns cuidados também na hora da recreação:
*Atentar para o material embaixo dos brinquedos que, preferencialmente, devem ser chão emborrachado;
*As estruturas de madeiras devem ser verificadas periodicamente, procurando roscas ou correntes quebradas ou ainda, parafusos enferrujados;
*Ensine seu filho a nunca andar na frente ou atrás de um balanço e não permita que duas crianças andem juntas;
*No escorregador, ensine seu filho a subir pela escada e não pela parte que desliza; *Caso o escorregador fique no sol, verifique se a superfície deslizante não está muito quente. Permita que desça apenas uma criança por vez e oriente que se levante logo que chegar ao chão e não permaneça na rente do escorregador;
*Na gangorra, podem brincar duas crianças com peso e idades compatíveis;
*Respeite o limite de idade mínimo e máximo no uso dos brinquedos. Em caso de dúvidas, consulte o pediatra.