Não deixe água parada
O clima quente é a estação preferida do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue. Portanto, todo cuidado é pouco
com recipientes que possam armazenar água
O calor está aí. Isso já deu para sentir. E com o aumento da temperatura, também é época de mosquitos. A incidência do inseto aumenta nos dias quentes. Há vários tipos de mosquitos e muitos podem trazer doenças. Entre eles, está o Aedes Aegypti, mais conhecido como mosquito da dengue. Muitas cidades sofrem com a doença no verão. Em Itajaí, no litoral catarinense, a população enfrenta um surto de dengue.
De acordo com Jeancarlo Hille, da Vigilância Epidemiológica de Pomerode, do final do ano passado até agora, não foi encontrado nenhum foco do mosquito. “Até o momento nós não encontramos nenhum foco da doença no município. Mas é importante sempre lembrar que não se deve manter água parada, descartar qualquer recipiente que possam acumular água da chuva. O habitat natural do mosquito é a zona urbana e por isso, para evitarmos problemas, nós orientamos a população para que não haja um surto da doença”, relata.
A dengue é uma enfermidade causada por um arbovírus que pode hospedar-se no homem e que tem quatro tipos imunológicos, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, os quais podem produzir viremias (derramamentos de vírus no sangue) de cerca de sete dias de duração. A infecção por cada um desses vírus confere imunidade total e permanente para o mesmo tipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três.
A dengue parece ter sido trazida para as Américas com a colonização europeia, no final do século XVIII. Ela é a arbovirose mais comum entre os humanos, atingindo cerca de 100 milhões de pessoas/ano, no mundo.
Uma forma grave da doença é a dengue que produz hemorragias generalizadas pelo corpo. A forma hemorrágica apresenta taxa de mortalidade de até 10% dos acometidos, em pacientes hospitalizados.
A transmissão da dengue se faz pela picada da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti, que se alimenta de sangue (o macho se alimenta apenas de seiva de plantas e, portanto, não transmite a doença). Durante seu período de vida, de cerca de 45 dias, uma única fêmea do mosquito pode contaminar algumas centenas de pessoas.
A dengue não se transmite por contato direto de uma pessoa a outra, nem por meio do uso comum de vasilhas e utensílios. A média anual da doença no Brasil é de cerca de 78 mil casos, com grandes variações de ano para ano e nas diferentes regiões do país.
Durante o período de incubação, de três a quinze dias após a picada, a pessoa é assintomática. Depois que o vírus se dissemina pelo sangue, os sintomas iniciais são inespecíficos, como febre alta de início súbito, mal-estar, falta de apetite, dores de cabeça, dores musculares e dores nos olhos.
No caso da dengue hemorrágica, após a febre baixar pode provocar sangramentos das gengivas e do nariz, hemorragias internas e coagulação do sangue no interior dos vasos, provocando enfartes potencialmente mortais. Pode ocorrer ainda hepatite, choque mortal, petéquias (manchas vermelhas na pele) e dores agudas nas costas. A forma hemorrágica pode ocorrer quando a pessoa, já imune a um determinado tipo da dengue, é infectada por outro tipo diferente.
Ainda não há um tratamento específico para a dengue e o que deve-se adotar são cuidados gerais. O paciente deve manter-se em repouso e tomar muito líquido, evitando café, refrigerante e leite, pela possibilidade de irritarem o estômago.
Não existem medicamentos efetivos contra o vírus da dengue até o momento. A terapêutica é de reposição e sintomática, tendo por base uma hidratação oral abundante com soro oral e líquidos caseiros (chá, água de coco, sucos, etc) e a manutenção da alimentação. Além de repouso e o uso de medicamentos para aliviar as dores e a febre, sempre com a indicação de um médico.
Não podem ser usados remédios à base de ácido acetilsalicílico, como a aspirina e o AAS. Devem ser evitados os anti-inflamatórios não hormonais e drogas com potencial hemorrágico. Os antitérmicos e analgésicos geralmente usados são a dipirona ou o paracetamol.
Segundo o Manual Técnico sobre Dengue do Ministério da Saúde, de 2007, podem ser usados analgésicos como a dipirona ou o paracetamol para alívio dos sintomas de dor ou febre na doença. Mas alguns médicos recomendam que o paracetamol não deve ser usado nestes pacientes, pois pode causar danos hepáticos graves.
A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.