Três décadas dedicadas à costura
Laura Trettin atua como costureira e fala sobre paixão pela profissão que faz parte de sua vida há 30 anos
Foto: Isadora Brehmer/JP
A costura se transformou em uma das maiores alegrias na vida de Laura Trettin, de 70 anos. A sua relação com a profissão começou quando ainda atuava em algumas empresas do ramo, como Malwee, Dublack e Mundi, mas foi costurando por conta própria que Laura encontrou o seu lugar enquanto costureira.
“Quando saí da Mundi, pensei que deveria fazer algo para mim, pois ir novamente para uma empresa não era o que eu queria. Então, em 1994, decidi fazer um curso de corte e costura. Terminei o curso e logo depois comecei a costurar por conta própria. A primeira peça que eu fiz foi uma calça social para o meu marido. Eu gostei muito do resultado final e da costura, em si, então segui na profissão”, conta Laura.
No início, a costureira se propôs a fazer todos os tipos de roupa, inclusive peças mais complexas, como vestidos sociais de festa e até de noiva.
Utilizando a mesma máquina de costura há cerca de 20 anos, Laura soma 30 anos atuando como costureira, trazendo consigo memórias e experiências felizes com a profissão, como a realização de conseguir conceber vestidos de noiva, que foram definidos como algumas das peças mais desafiadoras pela costureira.
“Ao longo da minha trajetória, devo ter feito entre quatro a cinco vestidos de noiva. A primeira vez que eu fiz um vestido de noiva, fiquei bem nervosa, mas fui fazendo, fiz as provas, vi que estava dando certo e consegui entrega-lo como a noiva queria. Isso me empolgou, porque me dei conta de que havia conseguido costurar completamente um vestido de noiva, então fiquei muito feliz, e depois vieram outros. Foi maravilhoso entregar estes vestidos, receber as fotos da noiva depois, com o vestido que você fez”, revela.
Para a costureira, alguns dos maiores desafios eram os vestidos sociais, de tecidos mais delicados, mas Laura afirma que nunca achou nada muito complicado ou impossível de ser feito. “As pessoas traziam fotos com o modelo como gostariam que ficasse, e reproduzia conforme a vontade”, conta Laura.
Atualmente, devido à dificuldade de algumas pelas e por questão de tempo, a costureira não produz mais peças mais complexas como vestidos sociais de festa e trajes de noiva, focando seu trabalho em produções mais simples, como vestidos casuais, calças e camisetas.
“Costuro poucas coisas de malha, e mais de outros tecidos, além de consertos, que são muitos, pois a procura está muito grande. Para mim não há uma peça que eu goste ou não goste de fazer, pois adoro costurar. Eu diminuí o meu ritmo de trabalho, pois antigamente eu começava e não tinha hora para terminar o meu serviço e percebi que estava correndo demais e estava cansada. Então estipulei meus horários e cumpro o que me propus a fazer”, garante.
Segundo Laura, sua rotina começa todos os dias às 7h30min, com a costura, à qual se dedica até por volta das 11h, quando faz uma pausa para cozinhar o almoço. Por volta das 14h ela volta a se dedicar à costura, atividade que preenche sua tarde até às 17h às terças e quintas-feiras, e até às 16h às segundas e quartas, quando vai à academia.

Inclusive, a prática de atividades físicas é o que divide a atenção e dedicação de Laura com a costura, ao longo da semana. Atualmente, a costureira aceita encomendas destas peças mais simples e realiza consertos para quem procura seus serviços.
Mesmo coma carga horária de trabalho como costureira reduzida, a costureira afirma que sua paixão pela profissão não diminuiu.
“Eu adoro o que eu faço, gosto muito, e faço com amor e carinho, e cada peça eu costuro como se fosse para mim mesma e eu acho que as pessoas estão gostando. E é sempre maravilhoso ver as pessoas usando as roupas que você fez, é muito gratificante. Para mim, não há palavras para descrever o que a costura representa na minha vida. Quando eu sento para costurar, me sinto realizada, não há como colocar em palavras o sentimento. Porque eu amo o que eu faço, é a minha vida, e, se um dia eu tiver que parar, não sei como ficar sem a costura. Mas penso em parar quando o meu marido se aposentar, para que possamos aproveitar a nossa vida, também”, ressalta a costureira.