Procon investiga cirurgião acusado de causar lesões e danos graves em paciente, em SC
Médico também é alvo de processo criminal decorrente da morte de uma paciente em Curitiba, em 2012
Foto: Arquivo Pessoal/Redes sociais/Reprodução
O Procon SC instaurou um processo administrativo contra o cirurgião plástico que causou danos graves em uma paciente em Florianópolis. O órgão de defesa ao consumidor catarinense colheu o depoimento de Leticia Mello e apura denúncias de pelo menos outras 20 vítimas lesadas pelo médico.
“Tudo isso aconteceu em 20 dias. Foi assim que eu fui queimando, meu corpo necrosando. Foi tirada a pele da minha perna, foi feito um novo machucado para cobrir a pele da barriga e das costas. Foi nítido que o tecido não pegou. Então foram feitos curativos a cada dois dias e minhas costas só fechou agora”, disse Leticia Mello, que gastou R$ 600 mil para uma cirurgia corretiva realizada por outro médico, ao formalizar a denúncia no Procon SC.
Leticia autorizou a divulgação de sua história com a esperança de justiça, que esse tipo de crime não se repita e como forma de alertar consumidores que planejam cirurgias plásticas.
“Procurei o cirurgião plástico para melhorar minha aparência física. Me ofereceram outros procedimentos com muita convicção e propriedade, com total confiança, então decidi fazer os demais procedimentos. Não fui avisada que foram 12 (procedimentos). Não foi explicado que cada região era considerada um procedimento. Não sabia o total de cirurgias, não sabia que havia um percentual (limite) de gordura a ser retirado, o que foi ultrapassado. E não foi passado o que estava acontecendo comigo. Ele levantou a possibilidade de uma anemia, porém, como pediu inicialmente todos os exames médicos, ele olhou e deu permissão à cirurgia”.
“Hoje eu clamo por justiça pois não sou uma estatística de mulheres que entraram em centro cirúrgico e saíram sem vida. Eu sobrevivi! Fui forte para passar 75 dias de internação, mais de 5 procedimentos cirúrgicos após a cirurgia plástica para poder estar viva hoje. Eu sei que existem outras mulheres que têm suas dores emocionais e físicas causadas por este cirurgião. Nós queremos justiça!”

Foto: Reprodução/NSC TV
Histórico criminal
O médico foi indiciado pela Polícia Civil na última segunda-feira, 14, e irá responder por causar queimaduras, bolhas, necrose e perda de tecido em Leticia. O médico realizou o que chamou de “Cirurgia X Tudo”: foram 12 procedimentos no mesmo dia, com duração de 10 horas e a remoção de 7 kg de gordura. Após a operação, a neuropsicopedagoga ficou 11 dias na UTI e mais de 2 meses internada.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que uma investigação foi instaurada para verificar a legalidade dessas cirurgias plásticas conhecidas como “X-Tudo”.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estipula normas como: informar o paciente sobre os riscos, não exceder o limite de retirada de gordura (até 7% do peso corporal), não ultrapassar mais que 40% da superfície do corpo e não deixar o tempo de protocolo anestésico passar de 8 horas. O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) apura o caso em sigilo, de acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM).
O cirurgião plástico apresentava-se como “referência em mamas, abdome e lipo ugraft” em rede social com mais de 37 mil seguidores. Ele atendia pacientes na capital catarinense e também em Itajaí. O médico também é alvo de processo criminal decorrente da morte de uma paciente em Curitiba, em 2012.
Dados do Procon SC
Apenas neste ano, o Procon SC registrou 17 reclamações relacionadas a procedimentos estéticos, como botox, harmonização facial e preenchimento labial. Deste número, duas causaram danos corporais. Em 2023, houve 34 reclamações relacionadas a procedimentos estéticos, com 5 danos corporais.
Estes números não incluem as reclamações ligadas à depilação a laser: 132 reclamações em 20 cidades neste ano. Somados, foram 149 reclamações de procedimentos estéticos neste ano.

Foto: Redes sociais/Reprodução
O que diz o médico
Leia abaixo a nota completa do médico Marcelo Evandro dos Santos:
Como já esclarecido em nota anteriormente divulgada para a imprensa, o Dr. Marcelo Evandro dos Santos, possui completa formação médica com especialidades na área de cirurgia geral e cirurgia plástica, com seus títulos devidamente registrados junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina, bem como perante a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Conforme certidão anexa emitida pelo próprio Conselho de Medicina Catarinense no dia 10 do presente mês, não há qualquer condenação ético profissional que o desabone sua conduta nos últimos 05 (cinco) anos.
Todas as cirurgias propostas e realizadas, são previamente explicadas e aceitas por todos os pacientes, que assinam contrato de prestação de serviços, bem como termo individual de consentimento informado que contém as principais intercorrências e/ou complicações, que em sua maioria são comuns a qualquer procedimento cirúrgico como hemorragias, infecções, reações alérgicas, desvitalização tecidual, cicatrizes queloides, perda tecidual e de sensibilidade da pele, entre outros.
Jamais foram realizadas cirurgias em número excessivo como divulgado (8 a 12) procedimentos, e sim quando muito 2 a 3 procedimentos, como por exemplo, lipoaspiração, mamoplastia e preenchimento de gordura (lipoenxertia).
O volume anual de procedimentos realizados pelo Dr. Marcelo suplanta os 300 (trezentos) casos, sendo o número de intercorrências e/ou complicações inferiores a 1% (um por cento), o que estatisticamente está de acordo com a literatura médica especializada.
Ainda que sejam raras e indesejáveis, complicações cirúrgicas de maior monta existem, e sempre foram tratadas a tempo e modo para que suas consequências fossem minimizadas. Por vezes tais ocorrências independem da boa prática médica a exemplo de embolia gordurosa, infecção doméstica, isquemia tecidual por fatores hematológicos e genéticos
Não resta dúvida que o Dr. Marcelo Evandro dos Santos, prestará todos os esclarecimentos pertinentes aos casos nos autos dos processos judiciais e administrativos, e que confiante na Justiça, culminará pela mais completa e irrestrita absolvição e improcedência dos pedidos, e com a futura responsabilização e condenação dos pacientes pelos prejuízos materiais e imateriais provocados, pelas suas matérias irresponsáveis e sensacionalistas.
Fonte: Agência de Notícias/Secom