Fumaça das queimadas: como a exposição em excesso pode afetar a nossa saúde?
Pneumologista Eckart Liesenberg explica quais os prejuízos à saúde de uma pessoa que ficar exposta por muito tempo à fumaça
Foto: Raphael Carrasco/JP
Nas últimas semanas, a fumaça das queimadas que ocorrem na Amazônia e na Região Centro-Oeste têm sido assunto também na região de Pomerode, uma vez que as nuvens seguem também sobre o estado de Santa Catarina.
Diante da exposição das pessoas a esta fumaça, surge um questionamento: ela pode ser prejudicial à nossa saúde?
Para explicar esta questão, primeiro é preciso entender o que compõe a fumaça. Quando há a neblina tradicional, ela é formada pela condensação de vapor de água, que cria uma camada fina de gotículas no ar.
Já a fumaça das queimadas é composta por partículas finas de material queimado, que podem flutuar no ar por dias, a depender das condições meteorológicas. De acordo com o pneumologista doutor Eckart Liesenberg, a fumaça passa a ser prejudicial à nossa saúde, quando inalada em grande quantidade, por muito tempo ou com uma densidade muito pesada.
“A fumaça liberada pelos incêndios contém misturas de gases tóxicos e de partículas muito finas que prejudicam os alvéolos pulmonares. Elas também produzem monóxido de carbono, dióxido de enxofre, compostos orgânicos voláteis. Todos esses poluentes podem causar ou agravar doenças respiratórias”, comenta.
No entanto, o especialista reforça que, para que uma pessoa fique doente por inalar a fumaça de queimadas, depende também da sua condição de saúde, do tempo de exposição e da concentração destas partículas, no ar.
“Na minha concepção, nós, pomerodenses, não tivemos uma exposição muito grande a esta fumaça. Consequentemente, não houve maiores impactos na saúde dos moradores da cidade, de forma geral”, pondera Liesenberg.
Porém, o pneumologista faz um alerta a outro possível vilão à nossa saúde respiratória, que está mais próximo da comunidade e que, por vezes, passa despercebido.
“Em contrapartida o fogão à lenha em ambientes fechados, uma forma de cozimento muito comum no nosso planalto no sul do Brasil, enche os espaços com fumaça sem ventilação das moradias, provocando pneumonia e doença pulmonar crônica e afetando especialmente mulheres e crianças, que passam mais tempo dentro de casa. Então o fogão à lenha domiciliar pode ser muitíssimas vezes mais tóxico do que as nuvens de fumaça que tivemos nos últimos tempos”, avalia.
