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O som do vinil ainda presente em uma geração dos streamings

Vendas de discos de Vinil ultrapassam as de CD, após mais de 30 anos. Conheça jovem que mantém vivo os LP’s

23 de agosto de 2023

Ela segura o seu xodó, álbum Lança-Perfume, da RitaLee (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

Bolachão, LP ou, simplesmente, disco de vinil.

Em uma geração rodeada de Spotify, Deezer, Youtube e os mais diversos streamings que te dão a oportunidade de escutar uma música, em qualquer lugar que você esteja, os discos de vinil ainda possuem o seu significado para muita gente.

E você sabia que, em 2022, as vendas dos “bolachões” ultrapassaram as de CD pela primeira vez desde 1987?

Relatório da Associação Americana da Indústria de Gravação revelou que, somente no ano passado, foram vendidos mais de 41 milhões de discos de vinil contra 33 milhões de CDs, o que representa um lucro de mais de R$ 6 milhões.

Mas o que será que faz com que as pessoas ainda sintam vontade em ter os discos de vinil, em pleno 2023? Para responder essa pergunta, conversamos com uma jovem que faz questão de ter, em sua casa, os LP’s como uma forma de ter uma experiência sonora diferenciada e poder viver momentos “nostálgicos” de uma época em que não era nascida.

Júlia Amaral, de 16 anos, despertou sua paixão pelos discos de vinil no ano de 2019, após encontrar um toca-discos antigo em sua residência, que pertencia à sua mãe, Silvia. Quando pegou, ficou curiosa e tentou fazê-lo funcionar.

Com a ajuda de seu pai, Júlia conseguiu ligar o aparelho e ficou surpresa de como eram tocadas as músicas, em uma geração passada. Desde aquele momento, Júlia se viu fascinada pelo som único e a estética vintage dessas preciosidades musicais.

Com isso, ganhou de presente alguns discos da sua mãe e também de um amigo. E, como começou a ter os primeiros vinis, passou a frequentar os “sebos” a procura de discos com preços bons e que se encaixasse em seu gosto musical. Um dos seus preferidos é o LP “Lança-Perfume” da Rita Lee, que nos deixou neste ano.

Além do álbum da cantora, Júlia também tem, em sua pequena coleção, que cresce a cada dia, discos do Legião Urbana, Tom Jobim, Paralamas do Sucesso e até mesmo de bandas regionais de Santa Catarina, estes que pertenciam à sua mãe.

Discos da coleção de Júlia. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

 

De acordo com a jovem, um dos principais motivos em manter viva a tradição do vinil é a diferença na estética sonora e também na experiência no manuseio do disco e do toca-discos.

“É uma experiência muito diferente do que a minha geração está acostumada. Por exemplo, quando vou para escola, coloco um fone de ouvido e no celular posso escolher a música que eu quiser, via Spotify. Com o vinil é bem diferente, pois você precisa selecionar ou o Lado A ou o Lado B, conforme a música que você quer escutar. Fora que você tem que colocar a agulha no lugar certo e marcado para poder ouvir a canção selecionada. Outra coisa que também faz eu gostar muito dos vinis é o capricho nas capas, além de alguns detalhes que acabam vindo junto, com o disco. Tem as letras das músicas, fotos dos artistas que compõe uma banda, por exemplo, e até mesmo curiosidades sobre a produção daquele álbum”, comenta Júlia.

 

O mercado do Disco de Vinil veio para ficar?

Ricardo Lima Régis, da loja Mosca Branca Records (@moscabrancarecords), de Florianópolis, especializada em vendas de discos de vinil, conta que o mercado está “bombando”. Ele conta que a procura aumentou nos últimos anos e aposta que os LP’s serão procurados com mais frequência.

“Acredito que o mercado dos discos de vinil veio para ficar. Eles ficaram um pouco adormecidos, por uns 30 anos, quando o CD era o mais vendido. O CD que, nos anos 90, veio com aquele marketing junto de que o Vinil não prestava mais e de que o CD era bom, podendo escutar uma música sem o ruído característico que o LP tem. Mas o som do disco do vinil acaba não cortando frequência, como o CD, e a qualidade sonora é diferente, é um som mais grave, mais aveludado”, explica.

Ricardo também falou que os públicos que procuram adquirir os discos de vinil, nas feiras realizadas pela loja, por todo estado de SC, são variados.

“Temos um público variado. Tem as pessoas nostálgicas, que viveram essa época na adolescência, infância, e querem reviver os velhos tempos. Porém, despertou interesse nos jovens, principalmente se os pais também mantém essa cultura do vinil viva e vemos muitas pessoas novas vindo comprar os discos para ter uma coleção. Qualquer LP é um item de colecionador. Tem muita gente que compra, mantém fechado, pois não possuem toca discos. Uns utilizam os vinis para utlizar como objeto de decoração” , complementa.

Ainda, de acordo com Ricardo, produção de vinil, fora do país, está sendo feita em alta escala, com os lançamentos de albums dos mais diversos artistas da música internacional.

“O mercado no Brasil ainda é um pouco fraco em relação à Europa e também Ásia. E, fazemos essas feiras, por todo o estado, nos reunimos e colocamos os discos para vender. E elas andam bombando bastante”, finaliza.

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