75 anos com amor à dança e dedicação ao balé
Bailarina do projeto Ballet Cultura de Pomerode fala sobre o amor pela dança
Foto: Arquivo pessoal
Uma Ana Ramers é prova viva de que a paixão pela arte não tem idade. Aos 75 anos, a moradora de Pomerode mantém-se ativa, realizada e cheia de energia ao lado das colegas do grupo de balé adulto, que ensaia semanalmente e se apresenta em eventos culturais da cidade.
“Eu sempre amei dançar, desde pequena”, conta Ana. Ainda menina, improvisava passos de balé na ponta dos dedos dos pés, sem sapatos, se apoiando em móveis pela casa. Na juventude, frequentava bailes formais acompanhada da família, e era uma verdadeira “pé de valsa”: “Tinha época que eu precisava me esconder no banheiro para descansar as pernas”, relembra, aos risos.
Sua trajetória com o balé clássico começou por volta dos 10 anos, em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes. A dança seguiu até os 15 anos, quando, ao iniciar o namoro, teve que abrir mão da atividade por decisão do pai.
Décadas depois, já morando em Pomerode, reencontrou a dança e especialmente o balé através do projeto Ballet Cultura, coordenado pela professora Andréa, que retomou o balé adulto na cidade por volta de 2019. Desde então, mesmo com uma rotina exigente, marcada pelos cuidados com a mãe idosa e outras responsabilidades familiares, Ana encontrou no balé uma fonte de equilíbrio e bem-estar.
“O balé me faz bem. Não troco por academia, nem pilates. Uma hora de balé me renova”, afirma. Para ela, a prática vai além do físico. “No balé, eu tenho foco, eu sei o que estou fazendo.”
A dedicação vai além das aulas. Ana gosta de acompanhar desde os ensaios gerais até as apresentações, que muitas vezes acontecem no tradicional espetáculo Divertissiment ou em produções temáticas, como a que acontece neste ano, inspirada na Família Addams. “É uma ‘zona geral’! Cada um dança do seu jeito, e é isso que torna tudo mais divertido.”

Foto: Arquivo pessoal
Atualmente, o grupo de balé adulto, que chegou a ter quase 30 integrantes, conta com apenas três mulheres — Ana, Roberta e uma terceira colega, mais jovem. “É uma pena que tantas desistiram. Seria maravilhoso se tivéssemos pelo menos 15, para termos uma coreografia só dos adultos.”
Mesmo com a diferença de idade em relação às bailarinas mais novas, Ana encara os desafios do palco com bom humor e disposição. “A gurizada está sempre um quilômetro na frente da gente, mas a gente faz o que pode. E a Andréa entende isso, dá liberdade pra cada um dançar como consegue.”
Além de bailarina, Ana também tem uma longa relação com o teatro amador, o que ajuda a manter sua desenvoltura nos palcos. “O palco é minha casa. Sempre dá aquele frio na barriga antes de entrar, mas depois que você está lá, é só deixar rolar.”
Para ela, mais do que uma atividade física, o balé representa saúde, alegria e pertencimento. “Se o pessoal mais velho soubesse o bem que faz, voltaria. Eu fico feliz demais quando vejo gente nova entrando no grupo. Quero continuar enquanto der.”