Zelando pela limpeza da cidade
Uma rotina que inicia às 2h da manhã e se estende durante todo o dia. E, mesmo assim, é realizada com muita satisfação.
Uma rotina que inicia às 2h da manhã e se estende durante todo o dia. E, mesmo assim, é realizada com muita satisfação. A Série Profissões aborda, essa semana, um trabalho muito digno, mas que nem sempre tem o devido reconhecimento: o gari.
Os garis são os profissionais da limpeza pública que recolhem o lixo das moradias, edifícios comerciais e residenciais, além de varrer as ruas e também cuidar da capina da grama. Eventualmente também trabalham no desentupimento de bocas-de-lobo e na desinfecção de ruas. Como têm seu dia comemorado em 16 de maio, o Jornal de Pomerode conversou com uma pessoa muito conhecida em nossa cidade. Trata-se de José Kraieski, que há seis anos trabalha como gari, realizando a limpeza de nossas ruas. Eu entrei na Prefeitura por meio de concurso público, para o cargo de servente. No início, fazia serviços gerais, até que comecei fazer a limpeza da cidade, serviço que eu faço com muito orgulho, pois sei que estou contribuindo para que Pomerode fique ainda mais bonita, diz.
Seu dia inicia às 2h da manhã, quando acorda. Como moro no Rega II, acordo cedo para fazer um café e ir trabalhar. Meu expediente começa às 4h, quando a maioria das pessoas ainda está dormindo. Não reclamo, pois gosto de acordar cedo. Mesmo nos fins de semana e feriados, levanto neste horário, pondera. Atualmente, José faz o trecho da Ponte do Ramthun até o Trevo da Rua Castelo Branco, toda segunda, quarta e sexta; e a Rua Hermann Weege, às terças e quintas-feiras. Apesar de algumas pessoas não nos respeitarem, ainda acho que Pomerode é uma cidade limpa. Assim como recebemos cumprimentos, há aqueles que nos ‘olham de lado. Mas isso não me abala, pois nem Jesus Cristo agradou a todos. Procuro fazer a minha parte da melhor maneira possível, deixando nossa cidade com um aspecto agradável, ressalta o funcionário público.
Esse cuidado com a limpeza já faz parte da vida de José, que sempre procurou passar este tipo de valor adiante. Minha filha, quando era pequena, já tinha este hábito, de não jogar lixo na rua, uma vez que eu sempre ensinei isso pra ela. Infelizmente, muitas pessoas não têm essa consciência. A gente vai limpando, eles vão sujando logo após. Se cada um fizesse a sua parte, facilitaria o nosso trabalho também, enfatiza.
Infelizmente, para José, a profissão pode estar com os dias contados. Pelo que posso notar, no futuro, pode não haver mais garis. Até porque existe a automatização deste serviço. Além disso, ainda existe certo preconceito, pois muitos não se ‘sujeitariam a varrer ruas com certo grau de escolaridade. Se ninguém varresse nossas ruas, como seria? Para mim não é demérito nenhum, pois estou ganhando o meu pão de maneira digna. O importante é fazer aquilo que se gosta e eu me sinto muito bem mantendo a nossa cidade limpa, finaliza.
Origem – O nome Gari é em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, primeira pessoa a assinar um contrato de limpeza pública com o Ministério Imperial, organizando, a partir do dia 11 de outubro de 1876, a remoção de lixo das casas e praias do Rio de Janeiro. Vencido o contrato em 1891, entrou seu primo, Luciano Gary. Um ano após, a empresa foi extinta e inaugurada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da cidade, realizando um trabalho muito aquém do proposto em termos de limpeza pública.
Os cariocas, acostumados com a limpeza das ruas após a passagem dos cavalos, mandavam chamar a turma do Gary. Aos poucos o nome se generalizou e até hoje são chamados garis.
Para concluir sua tese de mestrado, o psicólogo social Fernando Braga da Costa, varreu as ruas da USP, a fim de comprovar a existência da invisibilidade pública, ou seja, o trabalhador de rua nada mais é que um ser invisível, tratado pela população como um poste ou orelhão. Foram oito anos de experiência diária, por meio turno, compartilhando sujeira, desprezo e descaso dos transeuntes tratado como uma máquina invisível de limpar.
O sociólogo declara haver uma mudança total na sua maneira de pensar. Às vezes por pressa, falta de sensibilidade ou educação, deixamos de enxergar e valorizar essas pessoas que fazem um trabalho importante e essencial para nossa sociedade, declarou.