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Você paga a conta

Menos impostos e com menos álcool anidro na mistura, gasolina poderia sair mais barata para o consumidor.

8 de maio de 2011

Eles estão na ponta do problema. Porém, não são os principais responsáveis pelo alto preço dos combustíveis. Muito além dos impostos e do interesse dos proprietários de postos, o grande vilão é o álcool anidro, que é misturado à gasolina e desta forma eleva o preço da mesma.
O preço de custo do litro da gasolina nem é tão elevado assim, gira em torno de R$ 1,42, já considerando os 25% de álcool anidro que é adicionado. Porém, é justamente essa adição que encarece o produto, pois esses 25% chegam a custar quase o mesmo valor dos 75% de gasolina.
Na média, os postos de Pomerode estão comercializando a gasolina acima dos R$ 3, preço padrão na região e isso porque além desse problema há a carga tributária.
Os donos de postos reclamam que a carga tributária chega a quase 50% do preço de custo do produto e equivale a 1/3 do preço final. Eles se defendem e dizem que são os últimos a repassarem e quando fazem isso é porque não há mais como conter a alta.
No primeiro problema, o preço do álcool é curioso porque o país defende no mercado internacional a produção de biocombustíveis e internamente não consegue controlar os poucos usineiros que dominam o mercado, como diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Blumenau (Sindep), Júlio César Zimmermann. “O consumidor nos culpa, mas somos os últimos a repassar o valor do aumento. Falta uma política do governo para controlar os preços abusivos cobrados pelos usineiros. A gasolina subiu pouquíssimo nos últimos dois anos, já o álcool de junho de 2010 até agora, aumentou 192%. Sem imposto o litro da gasolina custa R$1,00”, reclama o presidente.
Os distribuidores até tentaram pressionar o Governo Federal para reduzir o percentual de álcool misturado à gasolina, mas não tiveram êxito. “Como há falta de gasolina em estoque, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), não permite que haja diminuição do percentual de álcool. Porém, como o açúcar está em alta no mercado externo, os usineiros preferem aumentar a colheita para esse fim, do que destinar a produção de álcool combustível”, destaca Júlio César, reiterando que ainda há o problema da entre safra, que também contribui para elevação dos custos.
Entretanto, mesmo que a ANP autorizasse a redução do percentual de álcool isso geraria um aumento na gasolina, pois como não há em estoque, seria necessário importá-la e como o preço do barril no mercado internacional está em alta, causaria um rejuste. Mas independente da redução da mistura na gasolina, o aumento da procura já obrigou a Petrobras a importar um milhão de barris de gasolina para atender o mercado brasileiro, conforme divulgou o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa. O diretor disse à Agência Brasil que o aumento da demanda por gasolina levou a companhia a importar 2,5 milhões de barris de gasolina para atender a demanda dos cinco primeiros meses de 2011. Em 2010 foram importados três milhões de barris.

Defesa
Toda essa polêmica, como falamos no início estoura no bolso do consumidor e nas reclamações na “boca da bomba”. Para os donos de veículos que levam seus carros aos postos para abastecer há acordo entre os postos para praticarem os mesmo preços e assim formarem um cartel. Porém essa acusação é contestada e justificada, pelo fato de existir somente um fornecedor, a Petrobrás. “A Petrobras cobra igual para todo mundo. Os impostos são os mesmos, independente de quanto seja o valor na bomba, pois é taxado pelo Governo do Estado sobre a média do preço em Santa Catarina. O mesmo acontece com os custos operacionais, quem tem funcionário e paga tudo dentro da Lei, acaba tendo as mesmas despesas. Não há variação”, justifica o presidente do Sindep.

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