Vivendo para o futebol
Atleta campeão da Copa do Brasil relata a emoção de jogar a Libertadores e também porque investe na carreira de treinador.
A simplicidade é a sua marca registrada, mesmo depois de ter alcançado, dentro do futebol, o que muitos sonham. Alexandre Pandóssio, ou simplesmente Alexandre, goleiro campeão da Copa do Brasil em 1991, pelo Criciúma, hoje em dia revela jogadores, os quais encaminha para grandes clubes do Brasil e do exterior.
Nascido em Ribeirão Preto (SP), no dia 08 de fevereiro de 1962, Alexandre ingressou no futebol em 1977, jogando pelo Comercial Futebol Clube. Durante a sua carreira, o jogador passou por diversos clubes brasileiros, entre eles, Sertãozinho, Matsubara, Noroeste, Mogi Mirim, Guarani, Criciúma, Araçatuba, Botafogo (SP), Gama e, por fim, Barbarense, onde resolveu pendurar as chuteiras, ou melhor, guardar as luvas.
Dentre todos os títulos ganhos, com certeza, a Copa do Brasil de 1991 foi o título mais importante da carreira do atleta. “O Criciúma, naquela passagem, vinha numa ascendente, pois já havia conquistado o Campeonato Catarinense por três anos consecutivos. Além disso, ficamos em terceiro lugar na Copa do Brasil no ano de 1990. Portanto, vencer este torneio ao lado de feras como Grizzo, Roberto Cavalo, Sarandi, Itá, Jairo Lenzi, foi muito gratificante. Sem contar que tínhamos no comando ninguém menos que Luiz Felipe Scolari”, relembra, emocionado.
“Um time, para ser campeão, precisa ter um ambiente bom. E, apesar do Criciúma possuir jogadores sem muita expressão, todos tinham um mesmo objetivo: ser campeão. O grupo se conhecia dentro de campo e era unido também fora dele. Isso foi fundamental para a conquista dos títulos”, acrescenta Alexandre.
A conquista da Copa do Brasil culminou com a participação da equipe na Libertadores, em 1992. Na oportunidade, a base do time foi mantida, mas houve mudanças no comando: Levir Culpi assumiu a equipe naquele ano. “Na primeira fase, ficamos à frente do São Paulo. Mas, como o regulamento não permitia que dois brasileiros seguissem na competição, fatalmente nos encontraríamos mais para frente. E foi o que aconteceu. Antes do jogo decisivo, disputado em Criciúma, o São Paulo teve dez dias para descansar, ao contrário de nós, que disputamos três partidas neste período. Infelizmente, fomos eliminados, pois perdemos a primeira por 1 a 0, em São Paulo, e empatamos em casa por 1 a 1”, diz Alexandre.
Apesar da eliminação da Libertadores, o goleiro lembra do apoio que o grupo teve da torcida após o jogo. “Ninguém acreditava muito em nós. O aplauso do torcedor após a partida foi o reconhecimento do nosso trabalho. Nossa missão estava cumprida. É claro que gostaríamos de ser campeões – e o Criciúma tinha time para isso. Mas o importante é que, hoje em dia, a torcida ainda reconhece o que fizemos pelo clube”, acrescenta.
Atualmente, Alexandre atua fora das quatro linhas. “Para ser técnico, você, primeiramente, precisa ter vocação. Em segundo lugar, vem a preparação. Nos últimos quatro anos da minha carreira, eu me preparei para isso, passando por diversas “etapas”: categorias de base, auxiliar técnico e, por fim, treinador. Isso foi fundamental para que eu pudesse adquirir o conhecimento necessário e passá-lo aos meus comandados. Você passa a ter respeito a partir do momento que você mostra que sabe”, enfatiza. Nesta carreira como treinador, Alexandre já passou pelo Atlético Rondoniense (RO), Próspera e Tubarão. Há poucos dias, o ex-goleiro fechou contrato com o Imbituba, para a disputa da Copa Santa Catarina.
Além disso, Alexandre vem trabalhando em um projeto que prepara e revela jogadores para diversos clubes, do Brasil e do Exterior. “Escolhemos Pomerode como nossa sede para que nossos meninos não percam o foco, respirem 24 horas futebol. Quando percebemos que algum deles tem potencial, encaminhamos para algum clube europeu dentro da nossa parceria. Neste caso, a importância da cidade Mais Alemã do Brasil neste contexto, por se parecer com as condições que o atleta vai encontrar lá. Geralmente, quando algum jogador vai para a Europa, não quer mais voltar, pois lá o futebol é tratado com extremo profissionalismo. E aqui a gente procura trabalhar este aspecto desde cedo, para que o impacto seja o menor possível”, comenta. O projeto no qual o treinador trabalha tem parceria com diversos clubes europeus, entre eles, Kievo, Siena, Empoli, Roma, Milan, Internazionale, Ajax e Barcelona. No Brasil, há parcerias com praticamente todos os clubes grandes do país.
É nesse aspecto que Alexandre Pandóssio pretende continuar dando sua contribuição para o futebol. “Minha vocação é o futebol. Não me imagino fazendo outra coisa, e sei que ainda tenho condições de continuar trabalhando naquilo que gosto. O esporte me deu muitas alegrias e eu só tenho a agradecer todos àqueles que me apoiaram e me deram o suporte necessário para eu chegar aonde cheguei”, finaliza.