Geral

Violência não é a resposta

Quando alguém se propõe a aprender alguma coisa, esta pode ser de duas formas: pelo prazer ou pela dor. Nas duas, os objetivos são alcançados, mas a diferença são as sequelas, tanto físicas quanto psicológicas que ficam, principalmente quando é aplicada a violência. Em se tratando de animais, a regra é a mesma.

1 de junho de 2015

Quando alguém se propõe a aprender alguma coisa, esta pode ser de duas formas: pelo prazer ou pela dor. Nas duas, os objetivos são alcançados, mas a diferença são as sequelas, tanto físicas quanto psicológicas que ficam, principalmente quando é aplicada a violência.Em se tratando de animais, a regra é a mesma. Para adquirir a confiança deles, é preciso tratá-los com o respeito que merecem. E esse foi um dos motivos que levou o diretor da E.B.M. Presidente Prudente de Morais, Márcio Porath, de 34 anos, a participar de um curso, na cidade de Jacareí (SP), do renomado treinador de cavalos, Monty Roberts.
Conhecido como o homem que ouve cavalos, título de seu maior best-seller, é criador da técnica de treinamento de renome mundial e revolucionário chamado Join-Up, que consiste na melhora da interação entre o homem e os equinos em geral, sem o uso de violência. Seu método de doma surgiu exatamente da aversão que tinha aos métodos do pai, que usava violência e formas brutais para dominar o animal.
Seu amor pelos animais o fez observá-los em seu estado natural, soltos em suas manadas, nas paisagens naturais da Califórnia. Por ser neto de uma índia cherokee, aprendeu a considerar o cavalo como um irmão e utilizou a forma indígena de observar as manadas de cavalos e sua organização social.
Esse método revolucionário, ainda contestado por criadores mais tradicionais, começa a ganhar força no Brasil. Por isso, Márcio resolveu participar do 1º estágio do curso. Conheço os métodos de Monty desde a época da faculdade de Biologia e comecei a aplicá-los em 2006. Como sou apaixonado por cavalos, percebi que a melhor maneira de lidar com eles é na base da confiança, sem o uso da violência. Além de não maltratar o animal, os resultados aparecem mais rapidamente, pondera.
Com a participação de 32 pessoas, o curso foi o primeiro realizado fora da Califórnia, na fazenda de Eduardo Moreira, um dos seguidores de Monty. Para mim, foi uma realização muito grande, pois entendo que este método revolucionário também mudou a minha concepção. Isso aconteceu em 2009, quando consegui domar um cavalo surdo-mudo, aplicando os ensinamentos do americano, adquiridos por meio de livros e vídeos. Agora, pude participar desta turma pioneira e ter um contato mais estreito com ele. Quando você muda a concepção, você muda a sociedade, ressalta o professor.
O método atingiu um estágio tão avançado que permite a Roberts e seus seguidores compreender vícios, manias e problemas psicológicos porventura apresentados pelos cavalos. Em vista disso, já foi chamado para identificar e tratar cavalos psicológica e emocionalmente problemáticos tanto em diversos continentes. Em seu currículo, são mais de 70 mil animais domados. Hoje em dia, muitas associações estão exigindo que se apliquem os seus ensinamentos, por isso, a mentalidade dos criadores e domadores está mudando. Durante o curso, pude ver muita gente nova, criadores e, principalmente, mulheres, o que me deixa satisfeito. O cavalo possui muita conectividade com o ser humano, sendo reflexo do seu dono. Dentro dos ensinamentos, aprendemos que precisamos ser aliados, nunca interventores, diz Márcio.
A próxima etapa já tem data definida: março de 2014, quando Monty Roberts voltará ao Brasil, para dar prosseguimento a seu trabalho, que é difundir o Join-Up. Quero continuar fazendo, pois sei que será um engrandecimento, tanto como profissional, como pessoal, finaliza.

Notícias relacionadas