Vendo sem enxergar, com Mauricio de Souza
No mês de julho, as atendentes de biblioteca escolar foram visitar a Feira do Livro na cidade vizinha de Jaraguá do Sul, onde tiveram a oportunidade de conhecer o escritor Mauricio de Sousa. O evento inspirou a Atendente de Biblioteca, Sandra, da E.E.B.M. Duque de Caxias a trabalhar na Ciranda…
No mês de julho, as atendentes de biblioteca escolar foram visitar a Feira do Livro na cidade vizinha de Jaraguá do Sul, onde tiveram a oportunidade de conhecer o escritor Mauricio de Sousa. O evento inspirou a Atendente de Biblioteca, Sandra, da E.E.B.M. Duque de Caxias a trabalhar na Ciranda de Leitura Escolar de Pomerode e assim, homenagear o autor Mauricio de Sousa.
O projeto será aplicado em várias etapas no decorrer do segundo semestre e com várias turmas. Na Semana do Excepcional, Sandra usou o livro com o título ?Vendo Sem Enxergar?, do autor Mauricio de Sousa, onde o Sr. Adilson, Tecnólogo Educacional, escaneou as imagens do livro.
Ela trabalhou com todas as turmas da escola, desde a Educação Infantil até a 8ª série. Inicialmente foi marcado um dia para cada turma com os professores. No dia agendado, os alunos iam até o laboratório de informática e então, ela lia a história e as imagens eram passadas no datashow, com auxílio do Tecnólogo Educacional.
Após a leitura, os alunos tinham alguns minutos para comentar sobre a história que descreve um menino cego que se chama Tonico, o qual, sem enxergar, vê melhor do que os que enxergam, pois como o personagem é cego, desenvolveu melhor os outros sentidos. Em seguida, os alunos iam até a biblioteca da escola, onde a D. Sandra vedava os olhos deles. Cada turma fez diversas atividades para ?sentir na pele? como é ter que se ?virar? sem enxergar. Inicialmente, todos ficavam em silêncio para poder escutar os barulhos que existiam ao redor. Em seguida caminhavam no ambiente da escola: corredor, refeitório, quadra de esportes, etc.
Após as atividades foi realizada uma reflexão sobre a dificuldade que pessoas com deficiência têm no seu dia a dia. E no final da atividade, cada aluno escreveu um texto sobre o que achou da experiência realizada. Os textos foram recolhidos e ela então, reuniu todos e montou um livro, o qual vai ficar disponível na biblioteca da escola para quem quiser vê-lo.
?Na experiência que fizemos na tarde do dia 24 de agosto, pudemos observar as dificuldades que um deficiente visual passa. No momento em que fomos andar no pátio da escola com os olhos vedados, vários sentimentos surgiram. O principal deles foi o medo, pois não sabíamos onde estamos indo nos sentimos desorientados… Desta experiência que fizemos, aprendemos que quando nos depararmos com um deficiente, mesmo que não seja visual, devemos ajudá-lo, pois a sociedade não está adaptada a eles,? disse o aluno Giovane Borchardt, 7ª série.
?O que a gente fez hoje, mostrou a dificuldade que é para um deficiente visual, pois muitas cidades ainda não têm rampas, nem sinalizadores. Muitos deficientes visuais batem sua cabeça nos orelhões e em outras coisas que estão durante o percurso deles. Muita gente vê um deficiente visual e desvia para não ajudar ou tem nojo ou algo parecido?, relatou o aluno Fábio Alex Weschenfelder ? 8ª série.
Para a aluna Dayane Priscilla Fiedler, trata-se de um modo de vida diferente do nosso. ?Como estamos na semana do excepcional, a bibliotecária da escola Dona Sandra fez uma ?brincadeira? com os alunos. Passar aproximadamente 15 minutos de olhos vedados. Foi uma experiência muito diferente. Ter que andar tateando paredes e ao mesmo tempo ter que cuidar para não cair foi algo que fez pensar muito. Se a nossa escola receber algum aluno com necessidades especiais, será que estaremos preparados? E ainda, como os alunos se comportariam??, disse a aluna Dayane Priscilla Fiedler.
?Hoje tive uma experiência quase inexplicável, ser vedada e não enxergar exatamente nada. Ruim foi ter que subir as escadas da escola, coisas que a gente faz umas cinco vezes por dia, enxergando, um caminho que você sabe quase de cor, mas não enxergando muda tudo. Você não sabe exatamente onde está… A escola é cheia de degraus, eu nunca tinha percebido isso, mas depois da experiência, deu para perceber como a escola é cheia de obstáculos para uma pessoa com deficiência?, relatou a aluna Andressa Jung ? 8ª série.
Esses são alguns relatos dos alunos. Os demais estão disponíveis na biblioteca da nossa escola para quem quiser ler. D. Sandra agradece muitíssimo os professores, funcionários e alunos pela colaboração no desenvolvimento do projeto. Na próxima edição contarei mais um pouco sobre as etapas que a Dona Sandra esta desenvolvendo com o autor Mauricio de Sousa.
Colaboração da Dayane Priscilla Fiedler, 8ª Série, Jornalista Mirim da E.E.B.M. Duque de Caxias.