VEM PRA RUA
Um dia que certamente marcou a história da cidade mais alemã do Brasil.
O povo acordou,
o povo decidiu: ou
para a robalheira ou paramos o Brasil!
Um dia que certamente marcou a história da cidade mais alemã do Brasil, que embora ostente com orgulho a herança cultura, transmitida por seus antepassados, mostrou que o patriotismo está presente em seu povo ordeiro. Assim foi o ensolarado sábado, 22 de junho.
Por volta das 15h40min, quando a equipe de redação do Jornal de Pomerode chegou a Praça Jorge Lacerda, no centro da cidade, não era possível prever a expressiva participação dos munícipes, no protesto organizado por um grupo de estudantes. Cerca de 50 pessoas, espalhadas em rodas de amigos, aguardavam o início da manifestação, programado para às 16h.
E em poucos minutos os 50 manifestantes foram se duplicando, triplicando. O movimento foi ganhando força, cartazes foram desenrolados, a timidez de quem nunca protestou publicamente, saindo as ruas, foi substituída por coragem, por gritos de protesto. Pessoas começaram a se reunirem envolta de uma bandeira do Brasil gigante que estava estendida, esperando por mãos que a carregassem pelas ruas da cidade.
O cenário, difícil de ser descrito em palavras, emocionava até os mais racionais. Pessoas mostravam ao mesmo tempo sorrisos e olhos lacrimejados. O sentimento era de orgulho, pois diferentemente do que muitos pensavam, como escutei de um manifestante, quem ali estava não passou vergonha, pelo contrário, representou de forma impecável todos aqueles cidadãos que estão indignados e que clamam por um Brasil melhor.
Jeferson Rafael, um dos organizadores, se manifestou surpreso com a repercussão do movimento. Nossa expectativa era reunir 500 pessoas, tomando como base o apoio que recebemos através das redes sociais e nas ruas. Vamos sair da Praça Jorge Lacerda, passar pela Prefeitura, pelo centro, até o cruzamento da Praça Hans Schmidt. Depois retornamos pela Avenida 21 de Janeiro, passando pela Câmara de Vereadores. Na esquina do SAMAE dobraremos e retornaremos à Praça, passando pelo Fórum de nossa cidade. Escolhemos este trajeto, pois contemplamos os prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Bastante ansioso, Jeferson Rafael confessou que não havia conseguido se alimentar direito e nem dormir na noite anterior. Estou muito nervoso. Pomerode precisa fazer a sua parte. Não podemos ficar calados como se não fizéssemos parte do Brasil, como se não fossemos testemunhas de políticas públicas de péssima qualidade que também nos afetam. Indiferente do número de manifestantes fica registrado o sentimento de dever cumprido, de termos feito a nossa parte.
Por cerca de 15 minutos Cleide Mara Kamchen, presidente da ASSEUP, entidade apoiadora do manifesto, disponibilizou um microfone no ponto principal da concentração, para quem desejasse se pronunciar.
Autoridade da Polícia Militar de Pomerode informou ao público que durante todo o trajeto uma viatura estaria acompanhando os manifestantes para garantir a integridade e segurança dos mesmos.
Com a palavra, o povo!
Diuliane Netto Tobias, a percursora do movimento em Pomerode, com o rosto pintado e uma bandeira do Brasil em suas costas, foi a primeira a se manifestar. Estou muito orgulhosa de Pomerode e sua gente. Se fossemos cinco pessoas presentes aqui neste momento já estaríamos representando nossa cidade. Estamos em paz, não somos vândalos, somos brasileiros que não querem mais nosso país da forma que está. Queremos educação e saúde de qualidade, queremos políticas púbicas dignas. Acordamos, saímos do Facebook. Nossa geração quer e merece muito mais.
Vaias
Menos de uma quadra após o início da caminhada, quando o grupo passou pela Prefeitura Municipal de Pomerode, algumas vaias demonstraram a desaprovação de parte dos manifestantes com a atual Administração Municipal.
Uma jovem escreveu sua indignação com a presidenta em uma cartolina: Se o mundo pensou que somos um povo sem educação por causa das vaias da Dilma, acertou! Sem educação, sem saúde e finalmente, sem paciência.
Impostos
Reclamações contra os valores exorbitantes pagos pelos brasileiros em impostos, também se fizeram presentes em cartazes. Manifestantes explicaram que a desproporcionalidade entre o que se paga de impostos em nosso país e o pouco que se recebe, comprovam o que demonstra o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que o Brasil não tem a maior carga tributária do mundo, mas oferece o pior retorno em serviços para a população.
Segundo o presidente do IBPT, neste ano, o país já arrecadou R$ 736,85 bilhões em impostos. O problema é o retorno, que é pior do que em países como Argentina e Uruguai, que têm cargas menores, mas oferecem melhores serviços, destaca José Eloi Olenike.
Crianças
Um fato que chamou bastante atenção foi o número de crianças presentes na manifestação. Com os rostos pintados, bandeiras do Brasil em punho, apitos e cartazes, mostraram que não existe idade para exercitar o espírito cívico. Meri Cardoso e sua filha, Milena Heloísa, traziam as cores verde e amarela até em suas unhas. Ei, que palhaçada estão fazendo com meu futuro? Eu reivindico meus direitos agora!, era a frase estampada no cartaz segurado pela menina de apenas cinco anos. Sua amiga, Khaterine, de seis anos, também protestou: Lula, se você não tem educação, da nossa, não abrimos mão.
Estou aqui com minha filha para ensinar a ela, desde cedo, que devemos protestar por aquilo que consideramos justo. Estamos firmes e fortes para gritar contra o governo, contra a corrupção e a favor de políticas públicas de qualidade, definiu Meri Cardoso.
PEC 37
A precariedade das rodovias catarinenses e os valores cobrados nos pedágios também foram lembrados negativamente pelos pomerodenses. Um senhor estrangeiro, que mora há muitos anos em Pomerode, disse que o valor da tarifa cobrada, se comparado as condições das rodovias, é um crime contra o povo brasileiro.
Indústria da multa
Manifestações contrárias ao expressivo número de notificações de trânsito emitido nos últimos dois meses em Pomerode contabilizaram vários adeptos. Entre as frases estampadas estavam: Segurança no trânsito sim, indústria da multa não e Cassino Getran.
Muitos cartazes demonstravam a opinião contrária a PEC 37 e quem os redigiu, pedia o arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional, que se aprovada, resultará na retirada do poder de investigação criminal de alguns órgãos, sobretudo, do Ministério Público (MP), que passará a ser exclusivo das polícias federal e civis.
A PEC 37 sugere incluir um novo parágrafo ao Artigo 144 da Constituição Federal, que trata da Segurança Pública. O item adicional traria a seguinte redação: A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente.
Diante da tramitação da PEC 37 na Câmara dos Deputados, diversas organizações lançaram a campanha Brasil contra a impunidade, acusando a proposta de beneficiar criminosos. E grande parte dos manifestantes pomerodenses se mostrou solidária a causa, dizendo que consideram a medida um retrocesso social e uma manifestação escancarada a favor da corrupção e da impunidade.
Um dos manifestantes questionou em sua faixa: PC 37 retira o poder investigativo do MP. Querem favorecer a quem?Pedágio na BR