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Vaga em creche: longe da realidade de muitos

Motorista de van escolar cuida dos netos, inclusive, levando-os junto na topic, por falta de vagas nas creches

3 de setembro de 2018

Quando se tem um filho ou um neto, o maior desejo é poder oferecer todas as condições para que eles cresçam com saúde e sejam bem educados. E caso isso não seja possível, a tristeza e a indignação tomam conta. Este é início do dilema que vive Márcio Fiedler, motorista de van escolar, que precisa levar seus dois netos, de menos de um ano, junto em suas viagens na topic, porque não conseguiu vagas em creches.

Há cerca de um mês e meio, ele cuida diariamente dos netos, Heloa Carolina da Cunha, de cinco meses, e Melvin Kauan Fiedler Vital, de seis. Ambos não têm uma vaga em creche do município. O avô das crianças conta que, para o neto, a situação é compreensível, porque a inscrição ainda não foi feita. Mas ele fica indignado que Heloa não tenha uma vaga, pois sua inscrição foi feita logo quando a menina nasceu, em março.

“Praticamente, toda a minha rotina diária fica em função deles, pois preciso buscá-los às 4h, já que as mães deles, minhas filhas, começam a trabalhar logo cedo. Sou eu que cuido durante o dia, troco fraldas, preparo e dou mamadeira, e, às vezes, coloco-os para dormir. Porém, também tenho minha fonte de renda, que é o trabalho de transporte de alunos, e quando preciso estar com ela na rua, tenho que levar meus dois netos junto”, relata Fiedler.

O motorista também conta que já procurou a Secretaria de Educação e Formação Empreendedora para falar sobre a situação, não só para seus netos, mas também, para as outras crianças, mas que não resolveu a situação. “Não me importo em cuidar deles, são meus netos e eu os amo. Mas sinto muito pelas crianças, pois acabam passando muito tempo na topic, e deixam de aprender e brincar, não estando em uma creche. E fico pensando quantas crianças não passam por isso e o sofrimento de seus pais, que, às vezes, precisam largar seus empregos para cuidar de seus filhos”, expõe o morador.

Ainda chateado com a situação, Fiedler conta que o neto está ficando um pouco traumatizado quando precisa ir para a topic, pois logo começa a chorar quando o avô o coloca no veículo. Depois, ele se acalma com veículo em movimento, mas o avô percebe que já gera certo sofrimento. “O bom é que meus netos são calmos, na maioria do tempo. Mas se eu estou com eles na topic e eles começam a chorar, não posso fazer nada, a não ser falar com eles, porque tenho horários a cumprir com as outras crianças que transporto, não posso parar e acalmá-los. Isso me deixa muito triste a acabo chorando também. Estou muito preocupado com essa situação das creches, porque acredito que a Prefeitura deveria trabalhar para o povo e tentar solucionar essa situação”, desabafa. 

Além disso, segundo Fiedler, a preocupação aumenta porque, quanto mais tempo eles demoram para entrar em uma creche, mais difícil será a adaptação, o que torna tudo mais doloroso.

Consultando a lista de espera para vagas em creches no município, disponível no Portal da Transparência, apuramos que existem 179 crianças esperando por uma vaga na creche I, 23 na creche II e 18 na creche III. Procurando pela neta de Fiedler na lista, encontramos sua posição. Heloa está com a posição de nº 100 da lista. Já Melvin, não aparece na lista, pois ainda não tem a inscrição.

Em contato com a Secretaria de Educação e Formação Empreendedora, fomos informados de que o critério para a chamada de crianças da lista de espera quando há uma vaga é a data da inscrição no cadastro.

Segundo o secretário da pasta, Jorge Buerger, a maior demanda é de crianças entre zero e um ano, mas que medidas estão sendo tomadas.

“Há crianças na lista que foram chamadas, mas os pais não aceitaram ou não foi obtido contato com eles. Mas estamos visitando as creches e avaliando onde podemos transferir as que têm quatro ou cinco anos para escolas, a fim de abrir mais vagas. Outro ponto importante é que, para cada seis crianças de zero a um ano, é necessário um profissional, então, abrir mais vagas torna-se inviável para a Secretaria”, argumentou.

Burger também citou as obras de creches no Ribeirão Areia e em Testo Central, que podem possibilitar a abertura de mais vagas, mas que, por hora, são as únicas previstas.

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