Geral

Uma vida cheia de experiências

Seu José, aos 81 anos, é sinônimo de muito trabalho e dedicação pelo que faz.
Nunca escolheu trabalho e até hoje faz o que pode para ajudar a sua comunidade

22 de abril de 2016

O senhor José Schimdt nunca fugiu de trabalho algum, sempre se manteve ativo ao longo de seus 81 anos. “Eu trabalhei em vários lugares, como no Schroeder e em uma empresa de Blumenau, onde eu fui alfaiate por algum tempo. Depois fui para Curitiba, fiquei lá por três anos. Quando voltei para Pomerode, meu pai morava no Vale do Selke. Passei um tempo carregando lenha, lá na Karsten. Na empresa eu trabalhei durante 29 anos. Quando saí de lá fui trabalhar no Spranger Química, onde fiquei por oito anos. Depois disso, ainda fui trabalhar em uma metalúrgica e, fora tudo isso, em casa eu tinha gado. Minha esposa na época me ajudava a buscar o trato e a cuidar das nossas filhas”.

Uma das filhas deixou a família muito cedo, aos 20 anos de idade faleceu de câncer. “Foi o pior dia da minha vida”, ressalta José. Foram momentos difíceis para ele e toda a família. José comenta que passou o Natal com ela no hospital, chegando a ver as freiras cantando para sua filha doente, o que não foi nada fácil. “Antigamente eu nunca parava, nem sábado e domingo”, conta seu José, que durante um tempo trabalhou também de garçom nos salões da cidade, em bailes, casamentos, aniversários. Onde precisavam ele estava lá. Quando tinha jogo de futebol no Vera Cruz, aos domingos, ele estava trabalhando e servindo as pessoas. Depois, montou uma equipe de garçons e durante um ano, todos os sábados, foi trabalhar no salão de Testo Salto nos bailes e festas e, durante a semana ainda mantinha seu emprego na Karsten.

Nesses período, José nem lembra qual foi o trabalho que mais gostou. “Eu não escolhia serviço, porque na Karsten eu fui encarregado da tinturaria, mas se tinha algo de mecânica para fazer eu fazia, se era para trocar rolamento eu trocava e, se era para trocar alguma peça dentro da chave de luz, eu também fazia”.

Agora, seu José ainda trabalha em casa dentro de suas possibilidades. Teve que parar de trabalhar fora em 2004, pois precisou fazer uma operação para colocar uma prótese na perna e, em 2008, fez uma cirurgia para colocar uma mola em uma veia do coração.No entanto, isso nunca o incomodou ou impediu de fazer alguma atividade. “O que eu puder fazer eu faço, qualquer coisa é boa, nunca escolhi um serviço”. José mora próximo a uma escola e quando precisavam de ajuda, ele sempre esteve disposto, até o muro da escola ele ajudou a construir. Também ajudou na limpeza de barrancos e canteiros da instituição de ensino. Mesmo atarefado, nunca negava auxílio.

Sempre foi preocupado em manter as coisas organizadas e limpas: “Pela manhã, logo cedo, quando ainda é fresquinho, pego um pouco a inchada e vou ao quintal, cuido dos canteiros, as vezes tem alguma coisa para fazer no quartinho do rancho. O que eu posso, ainda faço. Não espero muitos anos ainda pela frente, mas desejo poder ficar em pé e fazer alguma coisinha, porque sentado também não funciona”.

Às vezes, com pequenas atitudes se consegue grandes feitos. Seu José passou, depois de um tempo, a recolher os lixos dos dois pontos de ônibus situados próximos a sua casa. “Isso foi uma ideia minha, porque eu sou um cara que não gosta de sujeira. Coloquei um latão em cada ponto de ônibus e parece que agora já estão colocando sacos lá dentro”. Com a atitude que João teve, as pessoas passaram a respeitar o ambiente naquele local e utilizar as lixeiras para colocar o lixo, conscientizando-se da importância que algo simples faz no meio de muitos.

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