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Uma tradição fragilizada

As fábricas de cerâmica, também conhecidas como olarias, eram tradicionais em Pomerode e não era difícil encontrar uma na cidade. Até pouco tempo atrás, eram cerca de nove cerâmicas em Pomerode. Hoje, as remanescentes no ramo são a Cerâmica Volkmann e a Cerâmica Lach, que conseguem ainda se sustentar, mas que enfrentam inúmeras dificuldades para continuar suas atividades.

11 de abril de 2017

As fábricas de cerâmica, também conhecidas como olarias, eram tradicionais em Pomerode e não era difícil encontrar uma na cidade. Até pouco tempo atrás, eram cerca de nove cerâmicas em Pomerode. Hoje, as remanescentes no ramo são a Cerâmica Volkmann e a Cerâmica Lach, que conseguem ainda se sustentar, mas que enfrentam inúmeras dificuldades para continuar suas atividades.

Edson Volkmann, proprietário da Cerâmica Volkmann, trabalha com olaria desde 1982, quando ele e o pai fundaram a fábrica. Por ser caminhoneiro, o pai de Volkmann não quis que o filho trabalhasse na estrada como ele, oferecendo a opção de trabalhar ou estudar. Ao optar pelo trabalho, foi necessário procurar uma nova atividade, foi quando optaram pela indústria cerâmica. Na época, o atual proprietário tinha 17 anos.

Ele destaca que a produção de telhas e tijolos da maneira artesanal é um diferencial em questão de qualidade, pois há um cuidado muito maior com cada peça. O processo de fabricação começa com a extração da matéria-prima, a argila. Nesta “receita” são usados três tipos de argila. Eles são misturados, em seguida é feita a laminação e, posteriormente, a maromba (à vácuo). 

Após estas etapas, as telhas e tijolos precisam secar, para então irem para o forno e serem queimadas. O processo no forno, para as telhas, leva em torno de 10 dias e não pode ser acelerado, pois pode comprometer a qualidade do produto final. Já para os tijolos, o tempo no forno deve ser de três ou quatro dias. 

“Além de respeitar o tempo de cada etapa, existem outros aspectos que precisam de muita atenção para que o produto final seja bom. Um deles é o interesse por parte de quem produz, um dos diferenciais das olarias artesanais, já que o produto é feito com capricho. Outro ponto fundamental é uma matéria-prima de qualidade. Se for usada uma argila mediana, a durabilidade do produto não será grande, comprometendo a construção”, explica Volkmann. 

Porém, essa forma mais cuidadosa e artesanal de fazer cerâmica é ameaçada, já que tem um custo maior e produz em menor escala, ocasionando um lucro pequeno e, portanto, o encerramento de atividades de muitas olarias. É necessário investimento em modernização e adequação de normas de segurança e de produção, mas esse investimento nem sempre é viável para as indústrias cerâmicas tradicionais. 

O interesse em modernizar a produção existe, mas os ceramistas pomerodenses ainda esbarram na questão de custos, o que ameaça a continuidade da atividade no município. Mas, se depender do interesse dos proprietários das olarias, essa tradição vai perdurar por vários anos ainda em nossa cidade. “Dentro do possível, pensamos, sim, em investir, para não perder o negócio da família, que é a nossa vida e do qual temos muito orgulho”, afirma o proprietário da Cerâmica Volkmann.

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