Uma prova de amor à vida
Ricardo Aparecido ᵖassou por dois transplantes, um em 2007, e outro em 2015.
Santa Catarina é, hoje, o Estado recordista em transplantes de órgãos. Esse índice cresce a cada ano que passa, graças ao gesto de amor de muitas pessoas e famílias, que
optam em doar órgãos de entes queridos e de pessoas que doam órgãos em vida. O pomerodense Ricardo Aparecido dos Santos que, desde 2005 luta contra Insuficiência Renal, teve as duas experiências. O homem fez o primeiro transplante em 2007. “Descobri minha doença em 2005. Tive alguns sintomas, como inchaço e pressão. Cada médico dava um diagnóstico diferente. Ao final de vários exames, foi descoberto que eu tinha insuficiência renal. Passei a fazer hemodiálise e entrei para a fila de espera para receber um rim”, explica.
Ricardo conta que o momento da descoberta da doença foi muito difícil, pois tinha acabado de se tornar pai e o medo de não poder ver o filho crescer era maior que tudo. “Quando eu descobri a insuficiência renal, meu filho tinha acabado de nascer e, no mesmo mês que ele nasceu, comecei a fazer a hemodiálise. Eu tinha medo de não poder o ver crescer, foi um dos momentos mais delicados e difíceis para mim”, lembra.
Em novembro de 2007 veio a boa notícia, Ricardo recebeu o novo rim, de um doador cadáver de Florianópolis. “Foi no dia 27 de novembro de 2007 que fiz o transplante. Vivi bem por dois anos e sete meses, até que, devido a uma infecção, fiquei em coma por 30 dias, o rim foi atingido e, novamente, comprometido. Começava ali novamente a minha luta por um novo doador”, conta.
Foram mais de seis anos fazendo hemodiálise, de duas a três vezes por semana, na busca por um novo doador compatível, até que um gesto de amor vindo de sua irmã mais velha mudou a vida de Ricardo. “A minha irmã queria me doar um rim há algum tempo, mas confesso que tinha muito medo que isso prejudicasse a saúde dela, ou que um dia, no futuro, isso pudesse fazer falta a ela, já sabíamos da compatibilidade, mas eu tive medo de aceitar. Fizemos vários exames, o médico afirmou que a doação era totalmente saudável e que não correria nenhum risco. No dia 25 de novembro foi realizada a cirurgia, a recuperação, tanto dela quanto minha, foi rápida. Estamos nos aproximando de um ano do transplante e tudo está bem”, conta.
Marcela Regina dos Santos, 43 anos, além de irmã, foi um anjo na vida do irmão. Ela conta que a luta e vontade dele de vencer foi o que mais a inspirou a efetuar a doação. “A partir do momento que soubemos da compatibilidade, eu não sosseguei até que ele aceitasse a minha doação. Acompanhei o sofrimento dele ao longo dos anos e sei o quanto foi difícil e doloroso. Foi uma cirurgia simples e em 30 dias já estava recuperada, nada mudou em minha vida, estou 100%, e o mais importante é ver ele bem. Quando amamos alguém não há nada que seja impossível”, exalta.
Marcela deixa um apelo às pessoas para que sempre se doem ao próximo, mesmo com gestos pequenos. “Hoje em dia ainda há muito receio e falta de informação. São poucas as pessoas que doam órgãos em vida assim como eu, mas há outras formas de ajudar o próximo, doando sangue, medula, que são procedimentos mais simples e de rápida recuperação. Se cada um se conscientizar, juntos faremos um mundo melhor”.
Para Ricardo, não há palavras para agradecer a irmã que provou que o amor pode ultrapassar qualquer barreira. “O sentimento de amor que tenho pela minha irmã é inexplicável. Ao gesto dela, não há nada no mundo que eu possa fazer para retribuir. A nossa união sempre foi maior, o amor sempre prevaleceu e não tem nem o que dizer, só que eu a amo e serei eternamente grato por isso”, agradece.
Ricardo ainda deixa um apelo para que as pessoas avisem seus familiares e se tornem doadores de órgãos, pois esse gesto pode salvar vidas como a dele. “Quero aqui pedir para que todos tenham consciência e pensem no próximo. Avisem seus familiares, seja um doador, nunca sabemos o dia de amanhã. Jamais pensei em passar por isso e sei o quanto é difícil esse momento. Só eu sei da importância dessa doação, só quem passa por isso vai entender, por isso deixo mais uma vez o apelo, seja um doador de órgãos”, finaliza.

No dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e o Jornal de Pomerode quer homenagear todos aqueles que, com um gesto de amor, salvam milhares de vidas todos os anos. Seja você também um doador. Avise sua família.
( Fotos: Divulgação )