Uma profissão que quase não existe
Tradicionalmente, em pelo menos duas épocas do ano, é comum que as donas de casa façam arrumações em armários, guarda-roupas, sapateiras e outros cômodos da casa. É nesse momento que muita gente descobre, por exemplo, calçados de boa qualidade, mas que estão em desuso por alguma falha, ou mesmo pelo uso excessivo que o gastou. Seja qual for o problema, a solução é uma só: procurar um sapateiro.
Tradicionalmente, em pelo menos duas épocas do ano, é comum que as donas de casa façam arrumações em armários, guarda-roupas, sapateiras e outros cômodos da casa. É nesse momento que muita gente descobre, por exemplo, calçados de boa qualidade, mas que estão em desuso por alguma falha, ou mesmo pelo uso excessivo que o gastou. Seja qual for o problema, em caso de impossibilidade de comprar um novo, ou mesmo pela alta qualidade do produto, a solução é uma só: procurar um sapateiro. O problema é que apesar da grande demanda de serviços, o profissional quase não é mais encontrado.
Em Pomerode, por exemplo, pelo que se apurou, há apenas três profissionais do ramo. Ingo Briese é um deles. Com quase 70 anos, ele continua ativo na profissão que começou a executar em 1962. Ele conta que aprendeu o ofício em uma empresa de calçados, na cidade de Timbó. Depois de quatro anos, trabalhou em uma empresa do mesmo setor, aqui mesmo em Pomerode. Anos depois a indústria faliu, mas ele viu nessa crise, uma oportunidade de ganhar dinheiro. Usou o aprendizado nas duas empresas de calçados e abriu um local próprio para poder atuar.
Hoje, como tem apenas duas filhas, não conseguiu passar o ofício adiante. “mas não é por falta de serviço; isso tem bastante. Acho que talvez os jovens não tenham mais muito interesse nessa área”, conta ele, dizendo que antigamente não existia essa oferta de emprego que há hoje. “Antigamente, era preciso se virar para ganhar dinheiro com o que viesse pela frente. Até os 18 anos eu trabalhei na roça, depois que eu fui para Timbó, onde aprendi a trabalhar com calçados”, completa.
Esse profissionais, merecem homenagens no dia 25/10, quando se comemora o Dia do Sapateiro. Mas apesar de ser uma profissão que ainda tem postos de trabalho nas fábricas de São João Batista e no Rio Grande do Sul, imaginamos que esse dia poderá não mais comemorado, já que sua identidade está diretamente ligada ao trabalho artesanal autônomo dos poucos remanescentes.
Não importa onde, esses artesãos estejam, sempre há trabalho. Sim artesãos, porque mesmo contando com alguma evolução no maquinário usado ou mesmo com a inclusão da cola no ofício, praticamente tudo depende da boa mão e da dedicação do sapateiro, para que o reparo saia perfeito.