Uma profissão animal
Veterinária ou Medicina Veterinária é a ciência dedicada ao estudo, prevenção e tratamento das doenças dos animais. O veterinário pode atuar desde o acompanhamento da saúde de animais de estimação urbanos até o controle de doenças em populações de grandes animais silvestres. A profissão exige estudo (e muito); além da prioridade: amor pelos animais.
Veterinária ou Medicina Veterinária é a ciência dedicada ao estudo, prevenção e tratamento das doenças dos animais. O veterinário pode atuar desde o acompanhamento da saúde de animais de estimação urbanos até o controle de doenças em populações de grandes animais silvestres. Além de controlar a saúde dos animais, o profissional de medicina veterinária pode atuar controlando a qualidade da produção de produtos industriais (indústrias de leite, carne e ovos por exemplo) e também realizando pesquisas na área de zoonoses (doenças transmitidas ao homem a partir dos animais). É, sendo assim até parece fácil. Mas ser médico veterinário vai muito além de apenas, medicar e cuidar da saúde dos animais. A profissão exige estudo (e muito); além da prioridade: amor pelos animais.
Esse sentimento foi o que moveu Rafael Sales Pagani, médico veterinário do Zoo Pomerode. Há quatro meses na cidade, ele é responsável não só por curar as doenças dos animais habitantes do zoológico, mas também por trabalhar para prevenir enfermidades dos animais. Pequenos ou grandes, bravos ou mansos, quem trabalha em um zoológico, por exemplo, precisa conhecer bastante sobre as diversidades dos animais.
Ele conta que buscou a faculdade de Medicina Veterinária, principalmente pelo amor pelos animais, mas também pelo encantamento que tem pelas aves. “Consequentemente, pelos animais silvestres e selvagens, como os de um ambiente de zoo”, explica. Com três anos de formação na área, passou por diversos estágios, em muitas áreas da medicina veterinária; o que proporcionou ampla experiência e opção de escolha para o profissional.
“Trabalhar em um zoológico demanda muito estudo e certeza do que se está fazendo. Há uma diversidade muito grande de animais, com diversos tamanhos, temperamentos e cuidados diferentes; é preciso entender isso para poder também respeitar os animais”, comenta.
E respeito é algo primordial na rotina de um veterinário que lida com grandes felinos, como leões, tigres e onças, por exemplo, ou até mesmo grandes herbívoros, como os elefantes. “É preciso saber qual é o limite entre o ser humano e o animal; cada um deles, tem o seu nível de estresse, o seu dia de mau humor e nós, como profissionais, precisamos dar esse espaço. Porque por mais manso que este animal possa ser, fatores externos e ambientais também vão influenciar na rotina do bicho. Quando um profissional perde esse respeito, avança-se para a linha do perigo”, conta.
Uma atividade que vai além do cuidado da saúde
Olhos assustados, mãos que parecem querer entrar na pele no veterinário, por receio que a visita gera no pequeno bugio, de pouco mais de um mês. A história poderia ser simples e corriqueira, ou até com um final trágico, se não houvesse o cuidado do veterinário Rafael.
O macaquinho, que ainda não tem nome, foi encontrado por uma família de Pomerode, abandonado em uma rua da cidade. Tentando salvar a vida do animal indefeso, naquele momento, as pessoas o levaram para o zoológico a fim de fazer com que ele pudesse ter uma vida normal, em um habitat adequado. Nesse momento, porém, a administração do “zoo”, se viu com um impasse, já que a entidade não pode receber animais dessa forma.
Mas por se tratar de um filhote abandonado, foi contatado o Ibama, que instruiu o zoológico a ficar com o animal, de modo que ele, quando adulto, pudesse ser reinserido na meio animal, dentro do Zoo Pomerode.
Nessa história, o emocionante, é o cuidado que o veterinário Rafael tem com o pequeno Bugio. “Precisa de um cuidado grande, principalmente nessa fase, quando ele está começando a se desenvolver; toda a alimentação precisa ser dada, periodicamente; ele também precisa de carinho, já que não tem o afeto da mãe”, explica.
E nessa hora, surge a pergunta: “E você, não se apega aos animais?”. Ele diz que o apego é natural, e que ele existe. É uma troca de carinho; mas precisamos ter o discernimento para saber que aos poucos, esse apego precisa diminuir, para que quando o animal for colocado junto aos outros, ele não sofra as consequências de novamente ser separado de quem cuidou dele e saiba se manter sozinho”, finaliza.