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Uma paixão que perdura

Carros antigos vêm tomando conta das ruas das cidades, mostrando que este tipo de prática ainda se mantém viva pelos apaixonados do estilo “retrô”

1 de junho de 2015

Para muitos, a aquisição de um carro novo é uma etapa importante da vida, uma vez que, quanto mais novo o automóvel, melhor e mais tecnológicos são seus componentes. Essas características dão ao proprietário status e conforto. No entanto, algumas pessoas vão à contramão desta tendência, pois são adeptos de um estilo que vem ganhando força, não só me Pomerode, mas em diversos cantos do Brasil: o modismo retrô.

 

Cada vez mais, as ruas do município estão sendo invadidas por automóveis que fizeram parte da vida de nossos antepassados. Entretanto, diferente do que muitos podem pensar, estes carros com características antigas, estão em condições de dar inveja a muito novinho por aí. Isso porque os apaixonados por carros antigos não poupam investimentos para que estes velhinhos rodem com toda pompa, tornando-se uma atração por onde passam.

 

Em Pomerode, um grupo de apaixonados por este estilo de carro recebeu a reportagem do Jornal de Pomerode para um bate-papo descontraído, sobre tudo que cerca e rege esta paixão pelos carros antigos. Edemar Voigt, juntamente com sua esposa Débora, Ivan Goede e Tarcísio Geroleti da Silva contaram sobre as suas experiências de possuir em suas garagens carros acima dos 30 anos.

 

A paixão de Edemar iniciou na sua adolescência, quando, após um encontro de carros antigos, resolveu adquirir um para reformar. No começo, até meus familiares acharam a ideia meio maluca, mas eu persisti e, depois de oito anos, consegui reformar a Itamaraty 1971. Na época, a Débora era minha namorada e acompanhava a minha luta para conseguir peças. Foi nisso que ela também começou a interessar-se por esse mundo, tanto que hoje temos três veículos: além da Itamaraty, possuímos uma Aero Willys 1962 e um Dodge Dart 1975, conta.

 

 

Identidade com cada carro –

Há cerca de 19 anos, Ivan também entrou neste ramo, quando resolveu adquirir um segundo carro, para seus afazeres do dia-a-dia. Todos que possuem carro, sonham em comprar um segundo, para ter a opção de deixar o mais novo para os fins de semana. No meu caso, comprei um Fusca 1961. Naquela época, era uma prática muito usual, pois os carros eram considerados investimento. Hoje em dia, eles estão cada vez mais descartáveis, ressalta.

 

Ivan conta que as oportunidades foram surgindo e que, por isso, guarda em casa uma frota de respeito. O Ford Taunus 1967 entrou na vida de Ivan por meio de um tio, que o guardava em uma garagem, na localidade de Pomerode Fundos. Eu resolvi comprar e fui ajeitando-o. Apesar de você dificilmente recuperar o valor investido numa restauração, mas só o fato desta paixão estar sendo alimentada, é muito gratificante, enaltece.

 

 

Prazer em dirigir –

O proprietário de um carro antigo, além de contribuir para a perpetuação da história automobilística, tem um cuidado especial com este bem precioso. Faço revisões preventivas todos os anos, pois eu o utilizo para viagens junto com a minha família. Aí está a diferença: com um carro que você utiliza cotidianamente, o ato de dirigir é algo mecânico. Em um carro antigo não, você simplesmente curte a viagem, curte estar dentro dele. É algo mágico, inexplicável, acrescenta.

 

Todos na família de Tarcísio compartilham da mesma paixão, tanto sua esposa quanto seus filhos. Muitas vezes, coloco-os dentro do carro e saímos explorando localidades interioranas. Além disso, eles sempre me acompanham nos encontros, quando faço questão de dirigir o Maverick.

 

 

Cuidados com seu patrimônio –

Os três entrevistados são unânimes em um ponto: gostam de preservar as características originais dos veículos. Dentro deste meio, existem várias vertentes. Há aqueles que restauram e ‘tunam’ os carros, o chamado estilo ‘hot road’. No nosso caso, preferimos manter o mais original possível, pois acredito que isto é que torna fascinante este hobby. Além do mais, um carro antigo, original e bem cuidado, chama muito a atenção, destaca Tarcísio.

 

Outro ponto importante é a documentação do veículo, afinal, ele será utilizado e precisa estar em dia, para evitar dores de cabeça. Em muitos casos, fica difícil de descobrir a procedência, pois o carro pode estar guardado há muitos anos. No entanto, se houver algum tipo de documento, como um recibo ou uma procuração, os trâmites tornam-se mais fáceis. Na ânsia de se restaurar, muitos acabam esquecendo este detalhe. Eu aconselho que a documentação seja providenciada tão logo se adquira o veículo, recomenda Ivan.

 

 

Organização –

Desde 2004, Pomerode sedia o Encontro de Carros Antigos, que chegou, em 2013, à sua décima edição. Edemar é o idealizador e, junto com sua esposa Débora, vem alimentando esta chama ao longo dos anos. O Veteran Car Club Pomerode é mais do que uma associação, é um grupo de amigos que se unem em prol da divulgação desta prática. Viajamos juntos para outros encontros, onde trocamos experiência e fazemos amizades. Este é o espírito, levar ao público em geral um pouco da nossa paixão, diz. Por se tratar de um bem que não é mais fabricado, os três destacam que é preciso ter muita atenção na hora de comprar ou restaurar um veículo antigo. Em primeiro lugar, é preciso procurar profissionais de confiança, para que o serviço seja bem feito. Restaurar é diferente de reformar, pois os detalhes são preservados, afim de deixar o automóvel o mais perto possível de suas características originais. Além disso, há peças muito difíceis de encontrar. Neste caso, os encontros de carros antigos são muito importantes para a troca de informações, frisa Edemar. Química. Esta palavra define o que o advogado Tarcísio sente quando se trata de carros retrô. De posse de um Maverick 1976, este gaúcho conta que, durante três anos, esteve à procura do carro ideal, até que conseguiu encontrá-lo. Neste meio, é preciso ter identificação com o automóvel que você pretende ter. Cada proprietário tem o seu perfil, e o carro deve acompanhar esta tendência. Por exemplo, no caso do Maverick, antes de comprá-lo, analisei muitos outros, mas eles não me agradaram, não rolou a ‘química’. Quando o vi, pensei: ‘é esse’, e não me arrependo, conta. Ivan Goede é um daqueles aficionados por estas máquinas antigas. Proprietário de algumas delas, como por exemplo, o Ford Taunus 1967 que trouxe no dia da reportagem, ele conta que tem o controle de todas as ações envolvendo seus automóveis. Tenho tudo anotado em uma caderneta, desde a mais simples troca de peça, até as lavações realizadas. Colecionar carros é um vício para mim, pois você acaba se identificando com cada um. Cada automóvel tem a sua história, o seu jeito, a sua ‘marca’, o que acaba fazendo com que você tenha intimidade com ele, relata.

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