Uma paixão incomum
Nicoly Michely Porath Jandre tem seis anos e, diferente da maioria de suas amigas na escola, troca as tradicionais brincadeiras de menina, como brincar de boneca e casinha, para se divertir com suas pequenas paixões: as galinhas que possui.
Nicoly Michely Porath Jandre tem seis anos e, diferente da maioria de suas amigas na escola, troca as tradicionais brincadeiras de menina, como brincar de boneca e casinha, para se divertir com suas pequenas paixões: as galinhas que possui.
Mesmo que incomum, a menina não se importa em dividir seu tempo entre escola e as galinhas, carregando-as para todo o canto. Mais do que uma paixão, a prática também gera responsabilidades, pois é a pequena Nicoly que as alimenta e as põe para dormir.
Sua avó, Rosália Porath, explica que a neta possuía medo das galinhas e que com pouco mais de quatro anos a menina começou a cuidar dos animais. A história começou quando eu ganhei duas galinhas garnisé e uma delas criou filhotes. Dessa primeira ninhada, nasceu a Mari. Quando a segunda chocada estava sendo efetuada, Mari sempre estava ao lado da mãe e, com isso, acabou tornando-se especial. Daí nasceu a Lú, conta.
As duas galinhas preferidas de Nicoly, Mari e Lú, estão há anos com a família e fazem parte de sua rotina. Antes de ir à escola, vai olhar suas galinhas, e quando volta, logo as abraça, conta a avó.
No entanto, nem sempre foi assim. Antes, o problema era ir à escola. Ela não queria mais ir para a escola, pois tinha medo de que eu não cuidasse bem da Mari e da Lú, ou que as mandasse embora. Seu maior receio era não encontrá-las quando voltasse, explica a avó.
Mas se agora Nicoly as pega no colo, nem sempre foi assim. Nicoly tinha medo das galinhas e um dia insisti para que ela fizesse carinho nelas e, depois disso, o medo passou e hoje é esse apego, afirma.
O nome para os xodós da menina foi sugerido por amigos da família. Éder e Amanda, de Treze Tílias, e Cláudia, de Florianópolis, nos sugeriram colocar nome nas galinhas, já que elas fazem parte da rotina e são tão próximas a nós. Foi então que surgiu o nome Marilú, mas por serem duas, as chamamos de Mari e Lú, explica a avó.
Nicoly conta ainda que lembra de um fato engraçado que viveu com elas. Lembro que um dia o galo estava correndo atrás da Mari e ela veio até mim como se pedisse ajuda. Eu a peguei no colo e a salvei do galo. Sempre lembro disso, conta a menina.
Outra situação lembrada pela avó e que comprova o cuidado da menina com os bichos, ocorreu em um dia de chuva. O apego às galinhas é tanto que em um dia de chuva, elas se molharam e Nicoly saiu, na chuva mesmo, para buscá-las e secá-las, conta.
Ambas também possuem um espaço especial para ficar com sua ninhada, que é recolhida toda noite pela menina. Quando começa a escurecer, logo sabemos que as galinhas devem ser recolhidas, pois se juntam e aguardam para serem colocadas em suas caixas, no quarto especial, relata a avó.
Outro mimo acontece na hora de colocar os ovos. Elas são tão mimadas que na hora de colocar os ovos, elas vêm ao nosso encontro para serem colocadas no ninho, diz Rosália.
Os filhotes de Mari e Lú podem e são vendidos ou doados, mas as duas sempre estarão presentes. Se forem bem cuidados, os filhotes podem ser levados, mas a Mari e a Lú ficam aqui. Elas eu não deixo que levem, diz Nicoly.
A brincadeira de Nicoly com as galinhas pode ser comparada a mais tradicional brincadeira infantil feminina: casinha. A diferença é que, neste caso, os participantes necessitam de comida, local para dormir e atenção de verdade, diferentemente das bonecas.
O aprendizado que aqui fica é que, indiferente do animal, o que realmente importa é o carinho e dedicação que se tem com ele. Pois, no mundo animal, amor também é a palavra que define o mais verdadeiro sentimento.