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Uma nova estrela no céu

Larissa Fuchter, a bailarina cadeirante que foi um exemplo de superação, encerra sua passagem pelo plano terreno, deixando um legado de inúmeras lições

19 de abril de 2018

Um sorriso que ficará, agora, apenas na lembrança. Quem teve a oportunidade de conhecer a bailarina Larissa Fuchter, de 11 anos, pôde perceber o quão feliz e amada ela foi, mesmo com todas as dificuldades pelas quais passava desde pequena. Depois de emocionar a todos dançando nos palcos de Pomerode, ela se torna uma estrela que irá encantar nos palcos do céu.

Larissa era portadora da Síndrome de West, além de ter tido sequelas graves após ter contraído uma meningite, aos seis meses de vida, que ocasionou paralisia cerebral e perda de praticamente todos os movimentos. E, no sábado, dia 14 de abril, sua batalha diária pela vida chegou ao fim.

A família havia se mudado para Pomerode em 2014 e, desde lá, a mãe de Larissa, Neusa Fuchter, procurava atividades que pudessem trazer alegria ao dia a dia da menina. E, foi em 2017 que ela encontrou uma atividade que tornou possível essa alegria: o Ballet Cultura. Larissa começou a participar das aulas no ano passado e, inclusive, participou dos dois espetáculos que o grupo promoveu, o Divertissement V e o Datas Comemorativas. 

Na época em que nossa equipe conheceu a Larissa e a sua família, a mãe nos contou a diferença que percebia na filha depois de ela começar a fazer ballet. “Minha filha voltou a demonstrar a alegria, as expressões do que sentia. É notável como ela ficou  mais feliz, com um sorriso no olhar e nos lábios. A convivência com as outras meninas faz bem, já que ‘participa’ das conversas e dos momentos alegres. Nos sentimos renovados a partir daquele momento, nos deu novo ânimo para continuar na luta”, declarou Neusa, na época. 

Do outro lado, a família Ballet Cultura, como é considerada pelas próprias bailarinas, já sentiu profundamente a perda. A professora e coordenadora do projeto, Andrea Ianetta Hradec, falou sobre o sentimento de gratidão em poder ter feito parte da vida desta menina tão especial.
 
“Eu acredito que eu mais aprendi com a Larissa do que ensinei, aprendi que ballet é bem mais do que passos, sincronização e arte. A Larissa veio para nos mostrar que ballet é sentimento, que podemos dançar só com a alma e o coração, que podemos sentir e transmitir a felicidade de ser bailarina, mesmo estando em uma cadeira de rodas. A passagem da Larissa nas nossas vidas foi para acrescentar e ensinar. As meninas do Corpo de Baile e as bailarinas do grupo que ela frequentou sentem muito e a sala irá ficar vazia, faltando por alguém muito especial para nós. Agora, Larissa dança com as estrelas”, disse. 

A professora também falou sobre o aprendizado com a mãe, Neusa, que nunca poupou esforços para oferecer a melhor vida possível para Larissa. 
“Aprendi muito com essa mãe maravilhosa, que merece todos os elogios e homenagens para o Dia das Mães, pois não mediu esforços para trazer nas aulas, vestir collant e sapatilhas, participar dos ensaios e espetáculos. É uma mãe que sabe ser mãe”, destaca.

Na Apae, onde Larissa estudava desde 2015, funcionários, professores e colegas também sentiram a perda, já que todos sempre se empenhavam ao máximo para oferecer o melhor para a menina, com toda a equipe da instituição sempre querendo o seu bem.

“Larissa foi uma guerreira, tinha suas limitações, mas, de certa forma, era receptiva a músicas calmas, contação de histórias, cheiros e toques. Larissa aceitava e demonstrava prazer nas atividades realizadas, através dos projetos que eram desenvolvidos em sala de aula com a professora. Ela teve sua mãe sempre por perto, porque Neusa também é professora na instituição. Dedicação sem palavras desta mãe, batalhadora e incansável por esta filha. Muitas saudades é o que teremos daqui para frente, porém, sabendo que o seu lugar lá no céu foi preenchido. O céu ganhou uma estrela. Uma estrela radiante!  Essa sua grandeza, essa sua vontade de viver, com certeza, deixará lembranças inesquecíveis a todos nós. Que a luz do nosso Senhor te abrace e conforte os nossos corações”, declarou  diretora da instituição, Riacarla Rauh, em nome de toda a família apaeana.

O Jornal de Pomerode também lamenta e sente profundamente a partida da Larissa, desejando força à família e agradecendo por ter tido a honra de preencher nossas páginas com sua história inspiradora, que ficará guardada, para sempre, em nossos corações.

 

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