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Uma noite marcada na memória dos pomerodenses

O mês de março de 2011 sempre será lembrado, devido a uma das maiores enchentes que a cidade já enfrentou. A situação em Pomerode ficou tão séria que foi decretada situação de emergência. A cidade, inclusive, recebeu ajuda da Defesa Civil Estadual e da Cruz Vermelha Brasileira.

19 de março de 2019

Uma noite de preocupação, apreensão e desespero. Assim pode ser definida a noite e a madrugada de 10 e 11 de março de 2011, em Pomerode. Na data, entre às 18h e às 20h, choveu 144 milímetros, principalmente, na parte norte da cidade. O volume era o esperado para todo o mês de março. Com a quantidade de chuva e o Rio do Testo já cheio, ele, inevitavelmente, transbordou, deixando Pomerode debaixo d’água.

Naquela fatídica noite, o atual comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, Carlos Hein, estava de plantão na corporação e presenciou a enchente de perto. Ele conta que a noite já começou com um chamado de incêndio, de pequenas proporções, provocado por um curto-circuito.

“Naquele momento, já havia água sobre a pista aqui na frente da sede. As ligações sobre ocorrências de alagamento começaram cerca de 30 minutos depois do incêndio e a equipe que foi atender o chamado, nem conseguiu voltar à sede, ficou atendendo as ocorrências pela cidade, embora, só conseguíssemos cobrir, praticamente, a região central”, conta Hein.

Havia chamados em todas as regiões da cidade e a própria sede dos bombeiros precisou lidar com a chegada da água. “Primeiro, houve uma lâmina de cinco centímetros na garagem, então, a água começou a recuar. Mas depois de cerca de 50 minutos, voltou a subir e aqui na sede, o nível chegou a 1,70m. Eu parei de atender aos telefonemas quando a água chegou ao teclado do computador e nós, que estávamos na sede, nos abrigamos na casa de um vizinho”, revela.

As viaturas foram colocadas na parte mais alta da rua, mas não adiantou. Foram cinco veículos da corporação atingidos, dois deles foram perdidos, uma ambulância e um veículo administrativo, sem contar internamente, com divisórias, dormitórios, computadores e parte de telefonia, assim como outros equipamentos. “Fomos bem atingidos e tivemos bastantes prejuízos, durante seis meses ficamos só com os homens de plantão, porque precisamos utilizar o dormitório feminino e quase um ano, com uma ambulância, somente”.

A equipe que atendeu ao incêndio ficou empenhada em outras ocorrências, já que nem conseguia voltar à corporação. Os atendimentos ficaram concentrados à região central, onde estava o maior número de ocorrências. O Corpo de Bombeiros Voluntários de Indaial auxiliou e resgatou um casal de idosos que ficou ilhado em Testo Central, assim como os bombeiros de Timbó.

“O pico, aqui na sede, foi à 00h, e lá pelas 04h, a água começou a baixar. Só a partir daí tivemos noção da dimensão do ocorrido. Nunca havíamos visto algo nestas proporções aqui e minha família também foi atingida. Minha casa, onde morava com meus pais, foi alagada, tivemos cerca de 10 ou 15 centímetros de água dentro”, comenta o bombeiro.

Hein também conta que a sensação, durante o ocorrido e agora, oito anos depois, é de impotência. “O pior é a sensação de impotência, de não conseguir fazer nada por estar ilhado e saber que há pessoas precisando de ajuda, mas nós também termos dificuldades em chegar ou nem conseguirmos atender. Até hoje pensamos nisso”, ressalta Hein.

A situação em Pomerode ficou tão séria que foi decretada situação de emergência. Foram centenas de pontos de alagamento, quedas de pontes e de barreiras. O Centro ficou completamente isolado das demais localidades. Muitas das principais ruas da cidade, como a Avenida 21 de Janeiro, a Rua XV de Novembro e a Rua Hermann Weege ficaram completamente alagadas, com danos em quase todas as construções.

Pomerode, inclusive, recebeu ajuda da Defesa Civil Estadual e da Cruz Vermelha Brasileira. Ao todo, mais de oito mil pessoas foram diretamente afetadas.
Hein também falou sobre os aprendizados e quais as evoluções para tentar minimizar os danos, caso um evento semelhante venha a ocorrer. “Tivemos uma evolução na parte de prevenção, com alertas da Defesa Civil Estadual, por exemplo, mas na parte de resposta, em casos de enchentes, ainda são necessárias melhorias. Temos um projeto para isso, mas precisamos captar recursos para executá-lo”, finaliza.

 

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