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Uma boa manutenção: o segredo para as máquinas não pararem

Hoje, aos 41 anos e prestes a se aposentar, jamais imaginava que completaria 17 anos trabalhando em uma mesma empresa, em um único setor. Antes de vir para a Cativa já havia trabalhado em outra empresa têxtil e assim, já tinha conhecimento de fios e do processo de tecelagem.

1 de junho de 2015

Hoje, aos 41 anos e prestes a se aposentar, jamais imaginava que completaria 17 anos trabalhando em uma mesma empresa, em um único setor. Antes de vir para a Cativa já havia trabalhado em outra empresa têxtil e assim, já tinha conhecimento de fios e do processo de tecelagem. Cheguei a ter uma facção por um curto período de tempo. Passei por algumas dificuldades e antes que complicasse nossa renda familiar e eu adquirisse dívidas, optei por fechar. Foi uma das melhores experiências que tive na vida. Pude aprender com os erros e ver que a ganância leva alguém à destruição, mas não deixei que isso acontecesse, tive serenidade para parar antes.
Como tinha um amigo que trabalhava na empresa, Waldemir Kaniss perguntou a ele se estavam contratando funcionários. Ele disse que sim, que tinha uma vaga para trabalhar na portaria. Só que não sabíamos que já havia sido preenchida. Daí apareceu uma vaga na tecelagem e me chamaram. Comecei como auxiliar. Fazia um pouquinho de cada coisa. Depois comecei a trabalhar como tecelão. Em 98 fui promovido a encarregado e um ano depois, em 99, eu e outros encarregados tivemos a oportunidade de ir para São Paulo fazer um curso de mecânica.
Foi neste momento que Waldemir Kaniss teve seus primeiros contatos com a mecânica, sem ainda saber que esta seria a sua verdadeira vocação. Fiquei duas semanas em São Paulo. Para mim foi como se eu tivesse ficado cinco anos. Duas semanas, em turno integral, aprendendo. O aprendizado foi fundamental para a minha vida. Já tinha noções de mecânica, mas não conhecia as máquinas internamente, por completo. Os pontos principais eu ia anotando. Tudo que eu aprendi, coloco até hoje na prática. Depois fiz vários outros cursos, em Pomerode, Blumenau, em vários locais e cada vez eu aprendia algo novo. O que mais gosto na minha profissão é que cada caso é um caso, não tem muita rotina.
Kaniss trabalha em parceria com os técnicos externos, que prestam serviço à empresa e são acionados quando necessário. Temos que nos comunicar para identificar o problema. Tenho que saber fazer o diagnóstico e apontar o que precisamos deles para que já tenham uma breve ideia do problema de determinada máquina. Devo ter mais de sete cursos ao longo dos últimos anos. Hoje eu faço o reparo e manutenção das máquinas da Tecelagem. Costumo dizer que quando um mecânico está parado, a empresa ganha, quando estamos trabalhando, a empresa perde. Tem dias que acontece tudo ao mesmo tempo, mas tem outros que é tranquilo. Fizemos apenas a manutenção normal e uma boa manutenção, minimiza estragos expressivos, explica.
Se existe algo que Waldemir Kaniss se orgulha, é de sempre ter conseguido, até hoje, resolver os problemas do maquinário e encontrar a melhor solução para os mesmos. Teve uma única vez que tive que chamar o pessoal de fora, pois eu não consegui. Fiquei chateado, pois me cobro muito. Mas daí eles vieram e também identificaram que era impossível realizar o reparo. Não que eu tenha ficado feliz com isso, mas ao mesmo tempo, senti que realmente eu era bom naquilo que faço. Encontrei minha vocação aqui dentro da empresa. Agradeço até hoje a oportunidade que me deram de ir para São Paulo e aprender o que faço hoje.

Na adversidade, a união – Waldemir Kaniss relembra, durante a retrospectiva de trajetória na empresa, que em uma oportunidade, uma forte chuva danificou o telhado de um dos galpões. Com a trovoada, no meio da madrugada, algumas telhas de deslocaram. Não pensamos duas vezes, eu e seu Gilmar Sprung subimos no telhado para tentar cobrir as áreas atingidas. Não queríamos que entrasse mais água, pois molharia as máquinas. Fizemos o que tínhamos que fazer. Foi um momento triste, mas ao mesmo tempo feliz. A equipe se uniu.
O que mais lhe deixou chateado foi a falta de comprometimento por parte de alguns colegas. Foram poucos, mas alguns se negaram a ajudar. Isso é muito triste, foi como se a casa da gente estivesse alagando e um familiar se negasse a ajudar.

Sentimento de dever cumprido – Prestes a encaminhar sua aposentadoria, Waldemir Kaniss diz que não pensa em parar de trabalhar. Cheguei aqui onde queria, mas penso em seguir trabalhando. Não posso reclamar de nada. Hoje, se depender de mim, só saio da Cativa quando deixar alguém treinado, preparado para assumir minha função. Não sairia deixando a empresa na mão de forma alguma.
Mesmo tendo a consciência de que ninguém é insubstituível, o colaborador acredita que seja importante transmitir ao seu sucessor algumas particularidades da função, das máquinas e da responsabilidade que é realizar ajustes em equipamentos de ponta, imprescindíveis para o funcionamento da empresa e para que sejam atingidas metas de produtividade. Como falei antes, fico nervoso só de pensar em uma máquina parada. São várias pessoas que acabam tendo suas funções comprometidas quando isso acontece, sem falar dos prejuízos para a empresa.

Momentos especiais – Toda história que se preze é marcada por momentos que são lembrados com saudosismo e carinho. Quando fui nomeado encarregado, também fiquei muito feliz, mas tinha certo receio de coordenar pessoas mais experientes. Com o passar do tempo fui me adaptando. Respeito é fundamental. Quem quer ser respeitado, deve, primeiramente, tratar o próximo como gostaria de ser tratado.
Outro momento que marcou Kaniss foi quando a empresa contemplou os colaboradores com o programa de participação nos resultados e lucros. Recebemos 3,2 salários. Ajudou muito na época. Pude pagar algumas contas e investir parte do valor. Falando em dinheiro, outro aspecto que merece destaque é que nestes anos todos de empresa, nosso salário sempre foi pago religiosamente em dia, mesmo nos momentos de dificuldades. A Cativa é uma empresa muito boa. Quem reclama não conhece a empresa ou é ingrato. Dentro da minha simplicidade, aprendi uma coisa, temos que resolver os problemas o quanto antes, para que não virem mágoas desnecessárias, ou que sejam acumulados.

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