Um trabalho digno de aplausos
Colaboradores do Samae de Pomerode falam sobre desafios da função, por vezes ignorada pela sociedade
Foto: Isadora Brehmer / JP
Uma função que, por vezes, é invisível à sociedade, mas que desempenha um papel fundamental para a organização e limpeza de uma cidade. Os trabalhadores do Samae de Pomerode, que atuam diretamente na coleta e separação do lixo reciclável, têm uma função primordial para a comunidade.
Isequiel de Lima é um dos trabalhadores da Usina de Triagem do Samae e faz parte da equipe do local há cerca de 15 anos. Inicialmente, sua trajetória na autarquia começou na coleta de lixo na rua. “No começo eu trabalhei no caminhão, ajudando na coleta de lixo nas ruas. Fiquei nesta função por cerca de 12 anos. Hoje, estou na Usina de Triagem, fazendo de tudo um pouco”, conta.
Quem também atua na Usina é Nilza Baz de Oliveira, colaboradora do Samae de Pomerode há nove anos. “Nós fazemos de tudo um pouco aqui, desde o começo, quando os resíduos chegam, até a parte da prensa. Nosso trabalho basicamente é tirar o material dos sacos de coleta e separá-los, conforme o tipo, plástico, papelão, e os demais”, completa Nilza.
Para Isequiel, no início, a adaptação ao trabalho de coleta no caminhão que recolhe o lixo foi desafiadora, já que estava habituado a funções com menos movimentação. “Quando eu comecei a trabalhar no Samae, com o caminhão, era necessário correr, subir no caminhão, então descer, pegar o material, que por vezes era pesado, jogar para a caçamba, e por aí vai. Mas depois me adaptei. Outro ponto que acontecia era o tratamento de algumas pessoas, que era ruim, ou que deixavam os cachorros correrem atrás da gente, mas no geral era tranquilo. Às vezes o sol e a chuva atrapalhavam um pouco também, principalmente em dias de mais calor”, comenta.
O odor que vem acompanhando o lixo foi o desafio inicial para Nilza, quando ela começou a atuar na Usina de Triagem. Isso porque, algumas vezes, resíduos orgânicos vem junto ao lixo reciclável, o que tornava o contato inevitável e desagradável.
“Nos primeiros dias foi mais difícil, mas depois me acostumei com tudo e não é algo ruim trabalhar aqui. É algo que precisa ser feito na sociedade, um trabalho muito importante e algumas vezes as pessoas não têm consciência do quanto ele é fundamental e que nós somos os responsáveis por dar um destino ao lixo que elas produzem”, afirma.

Foto: Isadora Brehmer / JP
Falando sobre consciência, a falta dela para algumas pessoas é que o traz alguns desafios a mais no dia a dia de quem trabalha diretamente com os resíduos produzidos em Pomerode. Nilza e Isequiel comentam que um deles é a quantidade de coisas que não deveriam estar no lixo reciclável e que acabam vindo, consequentemente passando na esteira da separação.
“Muitas pessoas ainda não separam o seu lixo da maneira correta, o que faz com que tenhamos que ter muito cuidado ao manusearmos as coisas que estão na esteira. É relativamente comum aparecer resíduos orgânicos, relacionados à comida, ou então areia de gato, fraldas, ou então outros materiais que oferecem risco, como vidro quebrado, seringas e até agulhas”, destacam.
Inclusive, os dois já tiveram acidentes relacionados a algum material impróprio que acabou passando na esteira de separação da Usina de Triagem. Os colaboradores comentam que, quando isso ocorre, por não se ter a informação para que a seringa foi usada, é necessário levar a pessoa até o hospital para que ela seja medicada e receba os cuidados.

Foto: Isadora Brehmer / JP
“Gostaríamos de pedir à comunidade que separe o lixo da maneira correta em casa, pelo menos 90% do que é produzido nas casas, para que venha para o Samae, com o lixo reciclável, somente o que realmente pode ser reaproveitado”, frisa Nilza.
“As seringas e as agulhas também precisam de atenção e não devem ser descartadas no lixo reciclável sem proteção ou aviso. O ideal é levar a uma unidade de saúde para o descarte ou então colocar em uma garrafa pet, com identificação do que é, colocar a capa na agulha. É preciso pensar que há pessoas, no caso nós, trabalhando na separação deste lixo”, finaliza Isequiel.
