Um sonho multiplicado por cinco
Além de muito amor, hoje, Adriana sabe que ser mãe também é um dom. Outro dia na missa, o sermão do Padre era sobre as vocações, só nesse dia eu descobri que ser mãe é uma vocação, aí tive mais certeza que nasci para isso. Amo olhá-los brincando, comendo, descobrindo o mundo, mas é quando eles estão dormindo cheirosos, de barriguinha cheia, um por cima do outro, que eu respiro a mais profunda paz
Mãe. Aquela que sempre está ao seu lado, não importa o que aconteça. Aquela que não tem dia bom ou ruim, pois todos os dias são para amar.
Depois que um filho nasce, o sentido da vida nasce com ele. Mãe vive para amar e para ver, aos poucos, seus filhos baterem as asas e um dia voarem sozinhos.
Em Pomerode, o sonho de uma criança tornou-se realidade quando transformou-se em mulher. Adriana Hoepers, mãe de cinco filhos, tinha dois sonhos: ser cantora e mãe. Quando eu era criança eu sonhava com duas coisas: ser cantora e ser mãe. Cantar eu sempre soube e cuidar de criança também. Aos 15 anos pensava em ter cinco filhos. Aos dezoito, sossegada, curtindo uma praia, eu pensava: quero um monte de pirralhinhos tirando o meu sossego. Quantas pessoas conseguem realizar seus sonhos de infância? Enfim, me sinto realizada, afirma Adriana.
Além de muito amor, hoje, Adriana sabe que ser mãe também é um dom. Outro dia na missa, o sermão do Padre era sobre as vocações, só nesse dia eu descobri que ser mãe é uma vocação, aí tive mais certeza que nasci para isso. Amo olhá-los brincando, comendo, descobrindo o mundo, mas é quando eles estão dormindo cheirosos, de barriguinha cheia, um por cima do outro, que eu respiro a mais profunda paz, ressalta.
Ser mãe é, em sua maioria, o grande sonho das mulheres. No entanto, nos dias atuais, assumir a responsabilidade de criar e educar cinco filhos nem sempre é vista com bons olhos. Na minha geração, ser mãe de cinco filhos causa espanto nas pessoas. Quando engravidei do Matheus, hoje com quatro meses, algumas pessoas ficavam emocionadas e outras chegavam a ser hostis. Algumas vezes me fizeram perguntas indiscretas e outras vezes ouvi a palavra louca, enquanto eu me sentia tão abençoada. Nem todos foram planejados. Mas a vida sempre encontra um meio e meu coração sempre os quis, lembra.
E, como tudo na vida, as dificuldades existem. Ao mesmo tempo que os pais da nossa geração perguntam como a gente consegue, pois para eles é difícil com um ou dois, os da geração dos nossos pais dizem que davam conta de dez filhos. Para eles a principal preocupação era alimentar. Na adolescência, os filhos iam trabalhar e assumiam suas vidas. Colocavam dez num fusca e iam passear na casa dos parentes, hoje não podemos ir a nenhum lugar sem cadeirinha, bebê-conforto e etc. Hoje os pais se preocupam com os dentes dos filhos, com o vestibular, desde a educação infantil, com o colesterol e etc. Se preocupam em ser politicamente corretos, pedagogicamente corretos, ecologicamente corretos e etc. Querem educar, ensinar, brincar para que eles não tenham traumas e etc… preocupações que nossos pais não tinham. Como alcançar a perfeição não é possível, os pais acham difícil, reitera.
Na prática, regras são para serem obedecidas e a parceria é o alicerce. Certa vez a mãe de Martin Luther King falou: Aos filhos devemos dar raízes e asas!. Meu marido e eu somos muito alinhados em nossos valores, na educação dos filhos, nosso sim é sim e nosso não é não. Com isso eles se sentem seguros e nos testam menos. Não seguimos uma receita, apenas temos uma filosofia de vida e vivemos de acordo com ela. Todos têm obrigações em casa. Procuramos ensinar aos pequenos que somos um bando, num bando um cuida do outro e devemos fazer o que é melhor para todos. Pois, nenhum de nós é tão bom, quanto todos nós juntos! Com isso conseguimos amenizar o egocentrismo. Isso são raízes, explica.
Além das raízes, os valores também são ensinados e priorizados para o crescimento pessoal de cada um. Procuramos ensinar que as conquistas vêm do esforço. Eles têm tudo que precisam, mas não tudo o que querem. Não damos falsos elogios, pois quando fazemos isso tiramos deles o poder de transformação. Valorizamos os pontos fortes e falamos dos pontos que precisam ser melhorados. O que melhora a autoestima é saber que se pode fazer melhor e não falsos elogios. Com isso mostramos que acreditamos no potencial deles e eles assumem responsabilidades de acordo com faixa etária. Eles podem expor seus pontos de vista, mas com bons argumentos. Isso são asas!, completa.
A perfeição não existe e isso também lhes é ensinado. Ensinamos religiosidade. Ensinamos reciprocidade, principalmente para com mãe e pai, pois os pais também precisam de ajuda, de compreensão e de carinho. Deixamos claros para nossos filhos que não somos perfeitos e que fazemos sempre o melhor possível, afirma.
Nas dificuldades o desejo pessoal acaba sendo vencido pela coletividade. Não posso dizer que todos os dias são fáceis, pois, na maioria das vezes, temos que abrir mão do individual pelo coletivo. Pizza de alcachofra e tomate seco, nem pensar! Tomar banho ou dormir com a porta fechada? Não! Casa organizada como era antes? Também não! O relacionamento do casal fica em segundo plano algumas vezes, mas com amor e parceria a gente supera. Meu marido e eu brincamos que em casa nós trabalhamos no primeiro, no segundo e no terceiro turno. Muitas vezes nos sentimos carne moída! Mas Deus também coloca uns anjos na nossa vida para nos ajudar. Nas dificuldades e provações, às vezes parece que não vamos dar conta, mas a nossa maior responsabilidade, que são os pequenos, é também a nossa maior força, é de onde tiramos energia para superarmos as adversidades, revela.
E com amor toda e qualquer tarefa difícil acaba tornando-se mais fácil. Então a tarefa que parece difícil acaba sendo fácil, pois são eles criaturas maravilhosas, cada um com seu jeito especial nos ensinando coisas. A Ariana, nossa mais velha, tem 20 anos, estuda na USP, melhor universidade da América Latina, é determinada, corajosa, apaixonada pelos irmãos e encontra tempo para ser voluntária da Pastoral da Criança. O Lucas, com dez anos, é um garoto incrível! Sempre me ajuda com os menores, é inteligente, carinhoso e acha que o mundo está ao alcance do seu lápis. A Maria Luiza, oito anos, tem um olhar vibrante, é a felicidade em pessoa e diz que seu lema é agradecer o que tem e não reclamar do que não tem. A Maria Flor com quase três anos é linda, alegre, decidida, independente. O Matheus sempre acorda sorrindo… às vezes meu marido e eu estamos dando banho nele, beijando, cheirando, tirando fotos, como se fosse o primeiro filho. Acredite, a cada filho me sinto mãe de primeira viagem. Eles dão um baile na gente!, orgulha-se.
E, nesse dia 11 de maio, quando se comemora o Dia das Mães, Adriana deseja felicidades a todas aquelas que dedicam tempo, amor, carinho, atenção e tudo mais que lhe for pedido aos seus bens mais preciosos: os filhos. Nesse Dia das Mães quero desejar a todas as mães que sejam amadas e valorizadas todos os dias do ano. Pois quem não é bom filho, não pode ser bom em nada. Não quero dizer que os relacionamentos são perfeitos, apenas que devemos ter gratidão. Aproveito para desejar um dia das mães abençoado para a minha mãe e para Paula Kefler, que tem sido uma mãe para mim. Divido meus parabéns com meu marido que é quase uma mãe e quero agradecer a ele por ter realizado todos os meus sonhos, por ser um exemplo maravilhoso para os nossos filhos e a Deus, por essa família que não é perfeita, mas é maravilhosa!, finaliza.