Um problema ainda sem solução
Deslizamento aumenta e põe em risco casas e indústria da região.
Há mais de um mês que o Morro na Rua Mato Grosso está preocupando a Defesa Civil e população que vive no entorno da região. Desde que foi notificado o primeiro problema, no dia 16 de agosto, mais de um mês já passou e as soluções parecem ainda estar distantes de algo conclusivo.
Integrantes do projeto Ceped/UFSC – Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres, estudaram o local e, segundo Ademar Marquardt, solicitaram uma avaliação geofísica para determinar a situação das rachaduras. ?Elas ainda estão aumentando, em média, 30 centímetros por dia?, completou Ademar.
Por causa das chuvas dos últimos dias, a indústria que fica no pé do morro foi interditada, na segunda-feira, 20/09. ?Em dias de chuva, a empresa ficará totalmente fechada, já em dias em que não chove, ela poderá funcionar parcialmente, com exceção do escritório, que está totalmente interditado, por apresentar rachaduras?. Ademar afirmou que, inclusive, os móveis do escritório já foram retirados.
Além da empresa, moradores de três casas que ficam na região, foram levados, como medida preventiva, para outros lugares. Segundo informações, uma família preferiu ir para casa de parentes, já as outras duas, estão em casas alugadas pela prefeitura municipal para abrigá-las por tempo indeterminado.
Valdemar Wüerges, secretário de Cidadania e Defesa Social (Secid), informou que os técnicos garantiram que não há riscos. ?Segundo eles, as casas dificilmente serão atingidas, mas como estamos tratando de vidas, não podemos arriscar?.
O secretário informou que a retirada da família é, a princípio, para os próximos 30 dias, mas que, se a chuva aumentar ou a situação se agravar, as famílias ficarão por mais dias. ?Todos aceitaram tranquilamente o pedido para que se retirassem das casas. Não houve resistência e todos estão sendo auxiliados pela Secid?, completou.
Novos testes no solo serão feitos no decorrer da semana para que, futuramente, se descubra se eles poderão ou não retornar às suas casas. A previsão de chuvas continua, e isso não é uma preocupação. De acordo com Ademar, o problema será se, por um acaso, chover muito em um curto período. ?Nossa preocupação é chover 50 mm em uma hora. Se isso acontecer, provavelmente as consequências serão maiores, conclui?.
A Prefeitura Municipal está ainda tentando encontrar parcerias com empresas especializadas, a fim de realizar um detalhamento mais conclusivo a cerca dos problemas do morro, e da real situação.
A fenda, na quarta-feira, 22/09, data do fechamento da edição do Jornal de Pomerode, já estava em 9,10 metros. Na última edição, 15/09, a defesa civil marcava cinco metros, ou seja, a rachadura realmente preocupa, principalmente se chover intensamente.
? Entenda a região ?
Há aproximados 25 anos, uma Lagoa com cerca de seis metros foi aterrada exatamente onde foram construídas as residências desta região. Na sequência, a antiga lagoa serviu como aterro de lixos e entulhos. ?Somente dez anos depois desse aterro que a família construiu essa casa, talvez eles nem soubessem o passado desse solo. Isso prejudicou muito, pois é um solo úmido, difícil de secar, tem muitas complicações?, completou Ademar.
Além disso, é provável que esse deslizamento teve início na enxurrada de 2008. Desde a época, várias encostas e morros são vistoriados pela Defesa Civil, mas, segundo Ademar, na ocasião teria se formado uma pequena fenda que não foi percebida pelo órgão e agora, a partir da seca do último mês, o lençol freático diminuiu e como consequência, a trinca do morro aumentou significativamente. ?O primeiro deslizamento foi em 2008 e aconteceu na parte de cima do morro. Não conseguimos perceber a fenda, era muito pequena e atingiu a área superficialmente. Agora que piorou, mas é em decorrência de todas as circunstâncias passadas que compõe o lugar?.
A casa que fica bem ao pé do morro, já caiu, mas os moradores da mesma haviam sido retirados antes que, a tragédia acontecesse. Ademar explicou que na verdade, o morro funciona como uma concha de sorvete, aonde a parte superior vai caindo e erguendo a parte inferior. A casa iria sofrer as consequências e não havia medida para evitar a queda da mesma. No sábado, toda a estrutura veio ao chão.
Agora é esperar o resultado pluviométrico, que promete muita chuva até o domingo. Enquanto isso, a Defesa Civil acompanha diariamente a situação.