Um ouvido especial
Com 34 anos de profissão, o afinador do piano do Teatro Municipal explica os desafios de se trabalhar com música e instrumentos musicais.Trabalhar com música ou instrumentos musicais é uma arte e exige talento.
Trabalhar com música ou instrumentos musicais é uma arte e exige talento. E isto, Andreas Von der Heyde, de 51 anos, tem de sobra. Desde os 17 lida com afinação, além de ter estudado música desde os oito anos. Hoje, seu trabalho é conhecido e procurado em toda a Santa Catarina.
Ele afirma que não é uma função simples, pois exige muita concentração. “Para ser afinador é preciso ter a audição bastante aguçada e esse dom Deus me deu, felizmente”, completa. Porém, ter apenas o dom não é suficiente e Von der Heyde sabe bem disso. Ele já terminou seis cursos de capacitação para afinadores, pois sabe que sempre é necessário melhorar.
E, em Pomerode, o seu trabalho também é reconhecido e admirado. Ele é o responsável pela afinação do piano de cauda do Teatro Municipal da cidade há três anos, garantindo que ele esteja sempre perfeito quando precisar ser utilizado.
O afinador explica que um piano tem, no total, 88 teclas e 265 cordas, cada uma com uma nota e um timbre próprios. Todas precisam ser minuciosamente analisadas para que nenhuma desafinação passe despercebida. E é neste momento que a profissão de afinador se difere do afinador eletrônico.
O aparelho que faz a afinação automaticamente, segundo Von der Heyde, consegue afinar uma nota só, num conjunto de três como são organizadas. Já o profissional é capaz, também, de definir o timbre correto das outras duas, o grande diferencial da ação humana. Um piano, seja ele de cauda ou de armário, leva, em média, de três a quatro horas para estar perfeitamente afinado e precisa receber este cuidado novamente a cada oito meses.
Von der Heyde enaltece que o principal é o gosto pelo que faz, mesmo que, no seu caso, o dom para a música seja muito importante também. “Gosto muito do que faço, realmente amo a minha profissão. Eu interajo com o instrumento, com muito cuidado, atenção e carinho. Tudo o que se faz com amor se faz bem”, destaca o afinador.
Ele admite, ainda, que a parte técnica é a mais desafiadora, a que mais exige atenção e concentração por parte do afinador, mas que ver o resultado final é a grande recompensa. “A melhor parte é ver, ao final do seu trabalho, que o piano ficou 100%, ouvi-lo sendo tocado depois. Isso é uma vitória e uma satisfação pessoal imensa”, finaliza.