Geral

Um lar completo

O sonho de serem pais foi realizado em dose tripla. O casal pomerodense,
Norma e Gilson, atravessou o estado para construir sua própria família

15 de abril de 2016

Uma distância que supera 300 quilômetros. Uma viagem que ultrapassa quatro horas. Uma espera que durou cerca de um ano para que Norma e Gilson encontrassem Letícia Adriana, Larissa Andreia e Lianara Vitória em um abrigo da Igreja Católica na cidade de Urussanga.

O casal pomerodense efetuou o cadastro junto a Assistência Social do Fórum da Comarca de Pomerode no ano de 2013. “Decidimos ter um filho, mas fica cada vez mais difícil depois de certa idade. Também realizamos tratamento, mas não conseguimos. Então decidimos pela adoção. Num primeiro momento a gente havia optado por uma criança com idade entre três e cinco anos”, explicam Norma e Gilson.

Sete meses se passaram e nenhum avanço no processo. O casal então decidiu alterar a idade no cadastro. Cinco meses depois dessa mudança, o telefone tocou. “A alteração abrangia crianças com idade entre cinco e dez anos. Foi então que recebemos a ligação da assistente social de Urussanga nos informando que havia duas crianças naquela cidade que poderíamos conhecer, uma de nove anos e outra de 11 meses. As meninas tinham uma irmã, de 11 anos, que seria adotada por uma família de Pomerode para que ficassem próximas umas das outras. Foi então que trocávamos e-mails com fotos para que já nos conhecêssemos um pouco”, revelam.

Dias se passaram e a notícia de que a irmã mais velha não seria mais adotada fez o casal ir a Urussanga num domingo de Carnaval conhecer as três meninas. “Lembro como se fosse hoje as meninas nos aguardando na porta do abrigo. Lia estava no colo, mas Letícia e Larissa estavam em pé ao seu lado, arrumadas até com um pouco de maquiagem. Naquele 1º de março as buscamos e fomos para Criciúma onde passamos três dias juntos”, conta Norma.

Este foi o primeiro momento da família que estava prestes a se formar. “Quando os três dias passaram, as meninas foram para a escola e nós ao Fórum. Conversamos muito sobre o assunto, afinal, eram três crianças. E naquele dia, após audiência com a juíza, promotora e assistente social da cidade, voltamos para a escola delas para trazê-las para casa. A nossa casa. Quando chegamos lá, a Letícia sabia que poderia ser adotada por outra família, mas não que nós a levaríamos junto. Então, ela nos perguntou: ‘eu vou junto”? E respondemos: sim, você vai junto. Todas vão junto”, afirmam.

A adaptação a nova rotina é a realidade aprendida durante os cursos e orientações. E todo apoio recebido, sem dúvida, é bem-vindo. “Não podemos deixar de agradecer a Roseli, Rejeane e Tânia da Abefam, assim como a Ester, assistente social do Fórum, que nos ajudaram muito. A alegria é imensa, mas também é preciso ter calma e paciência. As meninas tinham seus medos, receios e aflições. Aprendemos a lidar com isso todos os dias para poder criá-las da melhor maneira possível. Aprendemos e ensinamos”, completam.

Hoje, dois anos após a adoção, a família está realizada. As adversidades são superadas diariamente e, para isso, não é preciso que haja laços de sangue. “Aprendemos que independente do filho ser adotado ou concebido por você, o amor é o mesmo, as dificuldades também. São crianças que passam por todas as fases e isso acontece em todas as famílias. O que não nos pode faltar é aprender a ver que em cada ser humano existe um Filho de Deus e devemos observar as coisas boas para que, assim, possamos atraí-las também. Hoje somos uma família completa e não nos vemos mais sem a casa cheia”, completa.

Após um ano, Norma e Gilson conseguiram oficializar a adoção das meninas através das novas certidões de nascimento, que agora trazem o sobrenome do casal. No entanto, o significado da palavra família já estava definido muito antes disso, lá naquele 1º de março, quando se encontraram pela primeira vez.

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