Um hino desconhecido ou um patrimônio eternizado?
Conforme noticiado em agosto de 2011 no Jornal de Pomerode, o hino de Santa Catarina, desconhecido por grande parte da população catarinense, poderá ter sua letra modificada.
Conforme noticiado em agosto de 2011 no Jornal de Pomerode, o hino de Santa Catarina, desconhecido por grande parte da população catarinense, poderá ter sua letra modificada.
A possibilidade de manutenção ou alteração da letra começou a ser efetivamente discutida no dia 02/03, na primeira reunião de trabalho da Comissão Especial, formada por oito indicados pela Assembleia Legislativa, governo do Estado, Academia Catarinense de Letras e Instituto Histórico e Geográfico. A reunião aconteceu no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright do Palácio Barriga Verde.
O encontro foi pautado por questões que envolvem a constitucionalidade da mudança do hino, a possibilidade de realização de uma consulta popular e a representatividade dos membros para tomar uma decisão.
A proposta para modificação ou manutenção do hino foi feita em 2010 por um Projeto de Decreto Legislativo, de autoria do deputado Gilmar Knaesel (PSDB), subscrito por outros 33 parlamentares. A ideia inicial era promover um plebiscito. “A Assembleia entendeu que seria inviável e resolveu criar uma comissão representativa para que as instituições, através dos membros indicados, pudessem embasar a discussão e chegar a uma definição”, falou Knaesel. Em novembro do ano passado, a Mesa sugeriu a constituição da comissão.
O hino, que foi introduzido em 1892 e oficializado em 1895, tem caráter abolicionista. A letra foi escrita pelo carioca Horácio Pires Nunes e tem música de José Brazilício de Sousa. A canção foi sancionada por lei estadual em 06 de setembro de 1895, durante o governo de Hercílio Luz. Na opinião do deputado, a canção poderia ser de qualquer outro estado da nação, já que não cita as características geográficas, políticas, nem culturais de Santa Catarina.
O deputado Gilmar Knaesel relatou que a discussão sobre a mudança do Hino de Santa Catarina é bastante antiga e que há muito tempo trata-se de uma bandeira por ele levantada. “O Hino catarinense foi criado para ser o Hino Nacional, fazendo referência a abolição da escravatura, relatando todo o sofrimento e tortura que os negros eram submetidos. O problema não está na letra, que é elogiada por muitos historiadores e músicos, mas sim, que a mesma não faz referência a nossa cultura, nossas belezas naturais, nosso povo e nossas tradições”.
Dados levantados pelo Deputado revelam que cerca de 90% da população catarinense desconhece a letra do Hino. “Este índice é muito expressivo. Muitos podem associar o desconhecimento com a falta de uma legislação mais rígida, que estimule que seja cantado o Hino em todos os eventos oficiais, cerimônias, partidas de futebol, e demais acontecimentos”.
O grupo tem o prazo de 90 dias para apresentar uma posição, a contar da data da sua instalação, realizada no dia 26 de março. Seus integrantes são: Edna de Marco, da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte; Ivan Schmidt Filho, da Fundação Catarinense de Cultura; Jairo Barbosa, do Conselho Estadual de Cultura; Artêmio Zanon, da Academia Catarinense de Letras; Valberto Dirksen, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; Luiz Meira, Jeferson Della Rocca e Alberto Andrés Heller, indicados pela Assembleia Legislativa.
Caso seja aprovada a alteração do hino, a comissão deverá elaborar um concurso e aprovar a nova letra e música.
Hino de Santa Catarina
Letra: Horácio Nunes
Sagremos num hino de estrelas e flores
Num canto sublime de glórias e luz.
As festas que os livres frementes de ardores
Celebram nas terras gigantes da Cruz!
Quebram-se férreas cadeias,
Rojam algemas no chão;
Do povo nas epopéias
Fulge a luz da redenção!
No céu peregrino da Pátria gigante,
Que é berço de glórias e berço de heróis,
Levanta-se em ondas de luz deslumbrante,
O Sol, Liberdade cercada de sóis!
Pela força do Direito
Pela força da Razão
Cai por terra o preconceito
Levanta-se uma Nação!
Não mais diferenças de sangues e raças
Não mais regalias sem termo fatais,
A força está toda do povo nas massas,
Irmão somos todos e todos iguais!
Da Liberdade adorada,
No deslumbrante clarão
Banha o povo a fronte ousada
E vigora o coração!
O povo que é grande mas não vingativo
Que nunca a justiça e o Direito calou,
Com flores e festas deu vida ao cativo
Com festas e flores o trono esmagou!
Quebrou-se algema do escravo
E nesta grande Nação
É cada homem um bravo
Cada bravo um cidadão!