Geral

Um hábito ainda cultivado

Com certeza, quem lê, se sobressai. Afinal, cultivar o hábito da leitura inclui, recria, expande, ensina, transforma, constrói e promove a cidadania. Saber ler é a base que sustenta todas as demais. Por isso, no dia 12 de outubro, além de outras comemorações, também é considerado o Dia Nacional da Leitura

1 de junho de 2015

Com certeza, quem lê, se sobressai. Afinal, cultivar o hábito da leitura inclui, recria, expande, ensina, transforma, constrói e promove a cidadania. Saber ler é a base que sustenta todas as demais. Por isso, no dia 12 de outubro, além de outras comemorações, também é considerado o Dia Nacional da Leitura, cujo objetivo é despertar para este gesto tão importante na formação, principalmente, de crianças e adolescentes. Os caminhos, que iniciam em casa, com apoio atento e permanente dos pais e da família, passam pelas escolas e se estendem às bibliotecas, com apoio permanente dos bibliotecários.

Neste aspecto, nossa cidade pode considerar-se privilegiada, pois possui uma Biblioteca Pública cujo objetivo é não somente possuir mais de 16 mil títulos, mas sim, estimular esta prática, por meio de ações que visem aproximar livros e população. Uma destas ações chama-se Varal Literário, que permite o pensamento conjunto, comunicação entre os estudantes e professores, estimulando a produção de novas ideias. Idealizada pela bibliotecária Viviane Falk Hermann, tem como objetivo a formação de leitores críticos, instrumentalizando para o ato de ler e escrever com autonomia, para o pensar e refletir criticamente sobre o que leu e absorver o que será útil para seu crescimento político, ético e estético. A partir do pressuposto de que a publicação de textos literários produzidos pelos estudantes poderia, além de estimular a prática da leitura, melhorar a escrita e investir na autoestima de crianças e jovens, criei o Varal Literário. Posteriormente, em anos consecutivos dei continuidade a esta ação, abordando sempre diferentes gêneros literários, diz.

Chegando ao 10º ano, o projeto procura enfocar diferentes gêneros literários. Em 2004, a primeira edição teve como tema a Poesia; em 2005, Contos; em 2006, Fábulas; em 2007, Crônicas; em 2008, intercalou-se Poesia e Memória, gêneros desenvolvidos a partir da temática O lugar onde vivo. Em 2009, entraram em cena as Histórias em Quadrinhos. Em 2010, o tema foi livre, nos gêneros Quadrinha, Poemas, Memórias Literárias, Crônicas e Artigos de Opinião. No ano de 2011, em sua 8ª edição, o tema também foi livre, nos gêneros Poesias e Conto contemporâneo: Releitura de Contos de Fadas. Em 2012, os gêneros foram Poema, Memórias literárias, Crônica e Artigo de opinião. Finalmente, em 2013, os gêneros escolhidos pelos estudantes foram Histórias em Quadrinhos e Histórias de Aventuras. Cada edição do Varal Literário nos rendeu a publicação de um livro composto pela coletânea dos trabalhos que se destacaram em cada escola. Esse projeto já atingiu cerca de 10 mil estudantes das redes pública e particular de Ensino, com faixa etária de seis a 17 anos, ou seja, alunos do primeiro ano do ensino fundamental, ao terceiro ano do ensino médio, enfatiza.

A bibliotecária diz que a escolha do gênero literário é trabalhada pelos professores de língua portuguesa das escolas envolvidas e, a partir do estudo das características, começa-se a produção. Os textos selecionados são lidos em sala de aula, trabalhados em conjunto e reescritos para serem melhorados em relação à sua organização e fidelidade ao gênero. Eles fazem esse trabalho por meio de sequências didáticas que envolvem momentos de leituras, escritas, reescritas e produção final. Após a produção dos textos, cada escola compõe uma comissão julgadora para avaliar os trabalhos produzidos e escolher dez trabalhos para expor no Varal Literário, relata, acrescentado que o público tem o primeiro contato por meio da exposição na Feira de Matemática e Mostra de Projetos Pedagógicos, que ocorre no mês de agosto. Os trabalhos ficam expostos para leitura e alguns deles são apresentados em forma de declamação, dramatização e roda de contação de histórias.

Trabalho finalizado – A impressão dos trabalhos é uma forma de reconhecimento da produção textual dos alunos, o que lhes dá muita satisfação, pois eles têm a oportunidade de sentir e tocar o que realizaram. O lançamento deste livro é prestigiado pelos próprios autores, familiares, comunidade escolar e autoridades do município. Durante o cerimonial, são realizadas apresentações em forma de declamação, recital ou dramatização. Ao longo dos anos, pude observar uma mudança bastante significativa, não apenas na qualidade dos textos produzidos, mas também, no despertar de atitude amadurecida dos alunos em relação ao senso crítico e à procura do ambiente bibliotecário, que se deu por meio dessa experiência enriquecedora. Acredito que, ao aliar leitura à escrita, consigo reinventar a prática da leitura e promoção da literatura no ambiente cultural contemporâneo, tão indispensável para o desenvolvimento global humano, garante.

O lançamento dos livros referentes ao 9º e 10º Varal Literário já tem data marcada: será no dia 16 de outubro, às 14h30min, na Câmara Municipal de Vereadores.

Lugar apropriado – E o pomerodense, tem o hábito de ler? A bibliotecária Viviane acredita que sim, pois a Biblioteca Pública Municipal tem um importante papel neste desenvolvimento, por meio de diversos projetos realizados, além do Varal Literário, como a Biblioteca Móvel, Hora do Conto e Troca-Troca de Livros. Todas essas ações, realizadas em parceira com a Secretaria de Educação, oportunizam aos estudantes o acesso a títulos de qualidade, que despertem neles o prazer da leitura. Outro fator determinante foi a inauguração do novo espaço, que aproximou ainda mais a população pomerodense da prática da leitura. Por mês, cerca de 700 pessoas nos visitam, em busca de conhecimento, enaltece Viviane.

Com relação aos gêneros, ela destaca que os mais procurados são os lançamentos e romances, pois as enciclopédias de pesquisas já se encontram na internet. Eu mesmo gosto muito de biografias, documentários e literatura infantil. Um dos meus preferidos foi a história de Vinícius de Morais, uma vez que suas poesias/músicas são muito bonitas. Eu também tenho uma preferência mais pela realidade do que pela ficção, conta.

Vivane diz que trabalhar em uma biblioteca é um sonho realizado, pois sempre gostou de ler e este hábito a acompanha desde a sua infância. Na minha cidade natal, eu passava a tarde na biblioteca, ‘devorando livros. Tive a oportunidade de continuar este trabalho e hoje, oportunizar isso para os outros, é muito gratificante. A Biblioteca Pública é da comunidade, portanto, sintam-se à vontade para conhecer o novo espaço, garante.

Inaugurada na final de 2012, a nova sede mantém a oferta dos serviços e benefícios previamente prestados à população, tais como empréstimo de livros em português e alemão, ambiente para pesquisa e contação de histórias infantis. Antes situada em um prédio de 140m², anexo à Prefeitura Municipal de Pomerode, a divisão agora conta com novo espaço de 230 m², estabelecido no Centro Cultural de Pomerode.

Hábito de ler – Mesmo com o advento da internet e das novas tecnologias, o hábito da leitura, principalmente nos pomerodenses, não será cessado tão cedo. E isso se comprova nas mais variadas classes e faixas etárias. As estudantes e irmãs Bruna Fuhrmann, 18 anos, e Jacqueline Fuhrmann, 16 anos, contam que cultivam o hábito de ler, tanto pelo conhecimento, quanto pelo prazer. Conforme o professor Hanilton Rocha, é preciso despertar esta condição nos estudantes. Temos que incentivar, pois hoje em dia, há outros meios que podem desviar o caminho dos jovens. É nosso papel, enquanto educadores, continuar investindo nos nossos alunos, ressalta.

A mesma opinião é compartilhada pela orientadora educacional Alessandra Bertran, acrescentando que os alunos com os quais trabalha são interessados, mas precisam ser estimulados. Já o pastor José Reginaldo Leonardo, também vê na leitura uma forma de crescimento, tanto espiritual, quanto profissional e pessoal. No entanto, os jovens leem apenas 10% do que deveriam ler. Vejo esta prática como uma necessidade, pois todos precisam ter o ‘desejo do conhecimento, finaliza.

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