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Um gesto de amor que pode salvar vidas

As cirurgias de transplantes de órgãos diminuíram em todo o país nos três primeiros meses desse ano, em comparação
com o mesmo período de 2014. Cerca de 22 mil pacientes estão na fila de espera, mas o número de doadores
diminuiu.

16 de dezembro de 2015

As cirurgias de transplantes de órgãos diminuíram em todo o país nos três primeiros meses desse ano, em comparação com o mesmo período de 2014. Cerca de 22 mil pacientes estão na fila de espera, mas o número de doadores diminuiu. Para os especialistas, um dos principais problemas é que as famílias não autorizam a doação em caso de morte de um ente querido por não ter essa autorização em vida. Essa iniciativa pode mudar uma vida para sempre. É o caso de Samyle Roberta, que, em 2012, recebeu o rim de uma menina de 13 anos que veio a falecer em um acidente de trânsito. E, a família, autorizou a doação.

Samyle sofria de Insuficiência renal aguda, que é a perda súbita da capacidade dos rins filtrarem resíduos, sais e líquidos do sangue. Quando isso acontece, os resíduos podem chegar a níveis perigosos e afetar a composição química do sangue, que pode ficar fora de equilíbrio. “Tudo começou quando eu tinha 15 anos, frequentava o ensino médio, porém, todos os dias acordava fraca e sem disposição para nada. Em um desses dias minha mãe me levou para fazer exames achando que eu poderia estar com anemia devido a minha palidez. Mas, quando os exames ficaram prontos, viram imediatamente que a minha creatinina estava em um número muito fora do normal, fazendo assim um segundo exame, crendo que o primeiro estava errado. Mas o segundo deu o mesmo resultado, descobrindo também a pressão alta. No mesmo dia já fui internada e encaminhada ao tratamento dialítico (hemodiálise )”, explica.

Desde que descobriu a doença até conseguir um doador compatível, a jovem se submetia a hemodiálise três vezes por semana, ainda sem entender direito o que acontecia com a sua saúde. O que mais lhe preocupava era a dor e o sofrimento dos seus familiares, que estiveram sempre ao seu lado. “Eu era muito nova e não entendia a complexidade de um transplante.

Eu tinha na cabeça que era apenas um pesadelo, que eu acordaria na manhã seguinte e estaria tudo bem. Eu pensava: ‘Eu não preciso disso, eu estou bem!”. Me via sentada em uma cadeira ligada a uma máquina com um cateter ainda tentando entender o por que disso acontecer comigo. Eu não entendia, via minha família chorar e eu ficava triste por saber que eles estavam chorando por minha causa e eu não podia fazer nada. As sessões de hemodiálise eram muito tristes, minhas veias eram fracas e difíceis de pulsionar, eram raras as sessões que eu não chorava. O que aliviou toda essa espera foi o carinho da minha família, amigos, conhecidos e das minhas enfermeiras”, conta.

Foi na noite de sexta-feira, mais precisamente no dia 19 de outubro de 2012, que veio a notícia tão esperada. O rim compatível foi encontrado em Florianópolis após uma menina de 13 anos vir a óbito depois de um acidente de trânsito “Eu tinha ido ao centro dar uma volta com uma turma de amigos quando meu celular tocou e minha irmã falou: ‘Vem pra casa que você ganhou um rim!”. Na mesma hora, fui pra casa e encontrei minha família reunida, já muito emocionada e feliz pela notícia. Isso era 23h30min e às 5h30min eu teria que estar no Hospital Santa Isabel para a cirurgia. O rim era de um cadáver, de uma menina de apenas 13 anos que havia morrido num acidente de carro, em Florianópolis, e estava muito saudável e compatível pra mim”.

Após o transplante, que foi realizado com sucesso, Samyle ainda ficou 12 dias internada e quando foi para casa, surgiram as maiores dificuldades. Ela nescessitava de ajuda para se locomover devido aos 12 pontos resultantes da cirurgia. Além disso, a alimentação teve que ser toda reformulada, evitava nos primeiros três meses sair em público sem máscara.

“A minha maior dificuldade foi aceitar tudo isso que estava acontecendo. Eu não entendia estar tão bem em um dia e no outro, sentada em uma máquina, sabendo que eu teria que sempre voltar pra lá, que era uma necessidade, que eu não tinha outra escolha. Os 12 dias internadas também foram difíceis, eu me sentia sozinha, queria estar em casa, sentia saudade das pessoas que eu amo, ficava muito sentimental e chorava muito, todo dia. Não conseguia dormir direito mesmo com medicação, sempre acompanhada do soro, da sonda e de fisioterapias. Foram dias longos e as horas passavam devagar”, conta emocionada.

Hoje, após três anos de transplante, a jovem que tem 20 anos, segue tomando medicações e levando a vida normalmente, graças ao gesto da família da menina de 13 anos, que mesmo no momento de dor, soube fazer o bem através da doação dos órgãos da filha. “Hoje eu agradeço a Deus, sem ele a gente não é nada. Sou grata por ele ter me mostrado como sou forte, por ter conseguido passar por tudo isso. Em segundo, agradeço a minha família, amigos, equipe médica, instituto Renal, enfim, todos aqueles que me apoiaram nos momentos de sofrimento. E, deixo aqui, um apelo as pessoas para que se tornem doadores de órgãos, avisem seus familiares, esse gesto pode salvar a vida das milhares de pessoas que esperam nas filas de doações de órgãos, faça o bem sem olhar a quem, doe órgãos, doe vida”, finaliza.

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