Um direito de todos
Acessibilidade, segundo o dicionário, é a qualidade do que é acessível, do que tem acesso. Em âmbito geral, significa a pessoa ter acesso adequado a alguma coisa.
O termo acessibilidade, segundo o dicionário Aurélio, é a qualidade do que é acessível, do que tem acesso. Em âmbito geral, significa a pessoa ter acesso adequado a alguma coisa. Atualmente, este conceito tornou-se mais específico, pois acessibilidade significa desenhar e organizar meios edificados e espaços públicos seguros, saudáveis, adequados e agradáveis para que sejam utilizados por todas as pessoas, sejam elas portadoras de necessidades especiais ou não.
Este é o grande desafio, principalmente quando o assunto é mobilidade urbana. Já houve muitos avanços, pois todos estão conscientizando-se da importância de se criar condições e espaços para que, principalmente, os portadores de necessidades especiais, possam se locomover e se sintam integrados ao meio em que vivem.
Em Pomerode, a história não é diferente. Já podemos ver pela cidade que o assunto é tratado como prioridade, mas ainda faltam muitos ajustes para que se chegue a um modelo próximo do perfeito. Nilton Mueller, 52 anos e morador do Wunderwald, possui paralisia nos membros inferiores desde o seu nascimento, em virtude de uma poliomielite. Nico, como é carinhosamente chamado por todos, diz que já houve muita evolução no que se trata da mobilidade urbana para os cadeirantes. No entanto, ressalta que ainda há muito que fazer. A reurbanização foi criticada por muitos, mas para nós, ficou muito bom, pois a ciclovia ficou larga e pode-se circular com facilidade. Todavia, infelizmente, os comércios não aderiram a esta nova filosofia. Cerca de 80% deles ainda possuem degraus na entrada, o que dificulta a nossa circulação. Quem está preso a uma cadeira de rodas, quer se sentir integrado com a sociedade, sem depender da ajuda de ninguém. Qualquer degrau de 10 ou 15 cm já bloqueia a entrada. Neste ponto, ainda existe muita dificuldade, por isso, acredito que todos deveriam ter essa consciência.
Mas não é somente em estabelecimentos comerciais que os problemas aparecem. Eu sou uma pessoa que gosto de estar integrado com a sociedade. A minha deficiência não me impede de fazer aquilo que eu gosto, como frequentar bailes com a minha família, mas eu encontro alguns obstáculos. Por exemplo, a maioria dos clubes de caça e tiro não possui rampas de acesso aos banheiros e as portas não são largas o suficiente. Além disso, deveria haver uma padronização das calçadas, pois, em muitos lugares, elas estão em níveis diferentes ou até nem existem, o que dá certa frustração. Este tipo de mudança deveria ser estendida aos bairros também, porque é aqui que passamos a maior parte do tempo. Mas são pequenas coisas que, se adaptadas, podem trazer grandes contribuições à causa e melhorar nossa qualidade de vida, enfatiza.
Amizade – Nico diz que a mobilidade urbana, apesar de tudo, está ficando cada vez mais fácil. Por exemplo, uma boa solução foi a criação das Travessias Elevadas, que facilitam na hora de atravessar a rua. Além disso, os estacionamentos para pessoas com deficiência física ou intelectual, conforme artigo 25 da Lei 5.296, também trazem um alento para essas pessoas. No entanto, ainda falta um pouco de conscientização de quanto isso é importante, principalmente para os cadeirantes. Outro dia, eu estava em um supermercado e havia uma pessoa estacionada na vaga destinada aos portadores de deficiência. Quando eu o abordei, disse ‘você tirou a minha vaga. Ele não gostou muito, mas eu não fico quieto. Pago os meus impostos e também tenho os meus direitos. Se fosse o contrário, garanto que ele também não teria gostado desta atitude, ressaltou.
No Centro, mesmo com a reurbanização, ainda há alguns pontos falhos, como por exemplo, a falta de estacionamento em locais estratégicos, como o Correio. Na própria Prefeitura, poderia ser instalado um elevador para que os portadores de necessidades especiais e os idosos se desloquem até o segundo piso, onde fica, inclusive, o gabinete da administração municipal. Fica a sugestão para o prefeito Rolf Nicolodelli, acrescenta.
Alegria de viver – Todavia, há pontos positivos que precisam ser ressaltados. Uma coisa que me deixou muito feliz foi a criação de vagas para deficientes na Festa Pomerana. Com esta atitude, nós nos sentimos parte do sistema. Eu, por exemplo, fui muitas vezes, pois ficou bem mais fácil agora. Outra coisa que posso destacar é a solidariedade do povo pomerodense. Eu, graças a Deus, sou uma pessoa que nuca tive vergonha de lutar pelos meus direitos e conquistei a amizade de muitas pessoas. Bem por isso, em muitos lugares, as pessoas prestam auxílio e alguns comerciantes até me atendem dentro do carro, diz.
Esse tipo de atitude precisa servir de exemplo para muitos que, na mesma situação, se entregam às dificuldades. Existem, em Pomerode, cerca de 60 cadeirantes. A Associação Pomerode de Deficientes Físicos (Apodef) nos auxilia bastante, na parte da inclusão social. No entanto, se os próprios deficientes não buscarem a sua independência, fica muito difícil ajudar. Às vezes, o preconceito está na própria pessoa, o que faz com que ela se entregue. Eu, graças a Deus, consegui constituir uma família linda e tenho minha recompensa todos os dias, que é viver e ser feliz, finaliza.
Mobilidade para todos – Segundo Ilsani K. Baptista, professora de educação física da Apodef, o tema da acessibilidade deve ser executado em diversos níveis, desde o planejamento, licitação e execução de obras públicas em geral, especialmente nas construções, ampliações e reformas de edificações destinadas ao uso público. Em Pomerode, as obras novas já estão mais acessíveis, mas nas construções antigas, o acesso é muito difícil. Sabemos que essas reformas envolvem custo para o empresário, sendo comércio ou outro estabelecimento, mas o cadeirante não pode ser prejudicado. Além disso, deve haver uma cobrança dos responsáveis para que as obras atendam às necessidades deles, enaltece.
As pessoas com deficiência já tem as oportunidades de se inserir na sociedade por vários meios, seja organizando eventos onde envolvam o público, seja mostrando que eles são capazes, dentro de suas limitações, de fazer a diferença. Por isso, nosso papel é fazer este caminho se tornar ainda mais fácil, acrescenta Ilsani.
Já para a diretora da Apae, de Pomerode, Riacarla W. Rauh, a conscientização começa com a educação. Vejo que muitos têm dificuldades, pois as outras pessoas não respeitam. Não só na questão da mobilidade, mas também no que diz respeito à inserção no mercado de trabalho. Aqui na Apae, procuramos promover a qualidade de vida, para que essas pessoas, mais que especiais, possam se sentir mais felizes e úteis à sociedade, disse.
Segundo a diretora, muitas escolas e empresas já estão se adaptando aos portadores de necessidades especiais, o que é um avanço, mas deveria haver mais apoio. A lei que ampara essas pessoas existe, mas, muitas vezes não é respeitada. Mas eu tenho certeza que os obstáculos estão sendo vencidos aos poucos, para que elas possam viver num mundo cada vez melhor, finaliza.