Um Centro de histórias
Uma Ponte sem nome, mas com muitas histórias. Uma Igreja com a torre ‘virada’. Um aterramento efetuado com cacos
de Porcelana. Pomerode tem muito mais a contar do que se parece
Quem passa pela rua Paulo Zimmermann pode não imaginar que a mesma foi criada para beneficiar a Indústria Weege, que hoje não existe mais. Além disso, a ponte ali localizada foi construída sobre a antiga, que era apenas de concreto.
Essa e outras histórias, nem tão antigas assim, são parte de Pomerode, sua colonização e crescimento.
Ao adentrar o prédio da família Karsten, o Jornal de Pomerode foi recebido pela simpatia de Lothar Ivo Karsten. Seu Lothar, que completará 77 anos em 2015, já havia separado uma antiga fotografia da ponte de madeira que, ao fundo mostrava também a Casa Comercial de Frederico Weege, a primeira residência de sua família e outros prédios que hoje abrigam comércios locais. A fotografia, que virou quadro, foi tirada no ano de 1938 e tinha como personagens a família Hornburg.
Seu Lothar conta que naquela época a ponte era de madeira e coberta e foi construída para beneficiar a Indústria Weege. “A empresa era uma potência e a rua não passava por ali. Havia uma outra ponte de madeira que passava pela região, mas em frente a Igreja”, explica.
Outro questionamento que muito fazem é: Por que a Igreja Luterana não tem a torre virada para frente da rua? A resposta é simples: o que mudou foi a rua, não o jeito de construir. “A rua passava em frente à Igreja e, com a mudança no trânsito, hoje a Igreja parece “virada””, revela.
Outra curiosidade: você sabia que o Centro da cidade era uma baixada que foi aterrada com cacos de porcelana? Pois então, Seu Lothar também explica isso. “O Centro não era como conhecemos hoje, pois era uma baixada. O aterramento ocorreu aqui com os cacos de porcelana da Porcelana Schmidt, misturados com a terra. As peças utilizadas para isso eram as consideradas estragadas ou inutilizadas”, conta.
A primeira ponte do Centro era mais baixa do que a atual, mas ela suportava a passagem de pedestres e até caminhões. Com a mudança da rua, uma nova ponte foi construída, só que esta era mais estreita e permitia apenas a passagem de um veículo por vez. “Então a atual e conhecida Ponte do Weege foi construída por cima da anterior”, completa.
A ponte, atualmente, ainda permanece sem nome oficial. No entanto, em contato com a Prefeitura, o Jornal de Pomerode foi informado que um Projeto será criado para isso.
A família de Seu Lothar está há anos no coração da cidade e acompanhou de perto o desenvolvimento do município. Lothar é a terceira geração da família que veio da Alemanha em 1860, através do patriarca Johann Friedrich Cristian Karsten.
Johann, com a família, chegou ao Rio de Janeiro e recebeu da família Imperial uma fazenda de café para administrar em Petrópolis. No entanto, isso não agradou a família, tendo em vista que naquela época ainda vivia-se a questão da escravidão.
Então, em 1861, a família chegou a Blumenau e aqui na região escreveu sua história, que, inclusive, vai virar livro em breve e contará os passos dados pelos imigrantes e descendentes.