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Um apelo em prol da Apae

Mães e familiares de pacientes da Apae se unem para arrecadar fundos, a fim de reestabelecer o transporte para todos os que necessitam. Em agosto de 2016, uma notícia abalou a comunidade que está envolvida direta e indiretamente com a Apae de Pomerode.

24 de fevereiro de 2017

Em agosto de 2016, uma notícia abalou a comunidade que está envolvida direta e indiretamente com a Apae de Pomerode. Devido à falta de verbas, o serviço de transporte dos alunos foi parcialmente cortado, passando a atender somente os alunos que moram na região central da cidade, sem atender aos bairros. 

Extremamente preocupadas com a situação, Suzani Alves da Silva e mais um grupo de mães realizaram uma reunião para tentar encontrar uma solução para o problema. Uma das ideias é uma proposta de contribuição, que será oferecida por meio de um convênio na conta da Celesc, na qual a população pode doar algum valor para ajudar a causa. O contrato será oferecido, primeiramente, no bairro Ribeirão Herdt e, posteriormente, no restante do município. 

Suzani explica que, desde o corte no transporte, a família paga uma Topic particular para que a filha Ana Caroline Alves da Silva possa frequentar a escola regular na Hermann Guenther, em três dias da semana, e também ir à Apae. Porém, em 2017, a mensalidade da Topic aumentou e tornou-se inviável. 

Para este ano, a família ainda não confirmou o transporte particular, por isso, Ana Carolina não pôde ir à Apae na quinta e na sexta-feira, pois não tinha transporte. Suzani não foi trabalhar nestes dois dias, para poder cuidar da filha em casa.

“Faz muita falta, porque dependemos disso, às vezes não temos como buscá-la na escola ou leva-lá à Apae. E nós não somos os únicos. Vários pais necessitam deste transporte”, argumenta Suzani. 

Para pegar o ônibus, Ana precisa ser levada ao ponto de ônibus, então, sempre é necessário levar e trazer ela de volta com a cadeira de rodas, o que também é bastante cansativo, sem contar o fato do forte calor no horário em que o ônibus passa, no início da tarde. 

Além disso, a menina necessita de remédios controlados e era através da Apae que ela recebia o atendimento condizente. Caso não possa ir até lá, a solução seria recorrer ao Posto de Saúde e enfrentar toda a burocracia exigida para se conseguir uma consulta. 

“A Apae é o único lugar onde ela realmente pode ir em paz. Ela frequenta a instituição desde 2006. Se o serviço do transporte parar, como eu vou fazer pra ter o atendimento pra ela?  Vou ter que procurar o postinho de saúde? E como mãe, isso dói muito. Lá na Apae nós temos tudo. E eu não sei dirigir, não posso pegar o carro e levar ela”, declara. 

Suzani ainda admite que, se a situação não for resolvida, ela precisará abandonar o trabalho para poder cuidar de Ana em casa e conseguir acompanhá-la aos atendimentos dos especialistas, como neurologista e fonoaudióloga.

A mãe comenta que frequentar somente o ensino regular é bom para a menina, mas não se compara ao benefício que Apae possibilita. “Frequentar a Apae ajudou muito ela. A Ana gosta de ir pra lá, percebemos o quanto ela fica animada na hora de arrumar a mochila, por exemplo. E quando ela não vai, sente falta. Lá é um local especial, na questão do atendimento, do carinho que eles têm”.

O grupo de mães está esperando um retorno da Câmara de Vereadores até o dia 01 de março, sobre uma possível ajuda à Apae. Uma nova reunião acontece hoje , dia 22, para discutir a situação. Mas, ela ressalta que não ficarão apenas esperando soluções do Poder Público. 

“Nós vamos fazer a nossa parte, entregar esse ofício para a população, para que ela possa nos ajudar também. Esperamos que a comunidade tenha amor ao próximo e ajude. Acho que se a nossa comunidade já colaborar com essa pequena doação na conta de luz, já vai ajudar bastante. Podem ser valores pequenos, entre cinco e 15 reais já ajuda”, afirma. 

Esforços não serão poupados para garantir que as pessoas especiais tenham direito ao atendimento da Apae e, para isso, a família que se constituiu na instituição conta com o apoio da população. 

“Não podemos deixar a situação da Apae piorar. O transporte foi o começo, mas não podemos deixar ela fechar. Continuaremos lutando, firmes, pelo bem das pessoas que amamos”, finaliza Suzani, emocionada. 

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