Um amor triplicado
Após oito anos tentando engravidar, Marcelo e Bianca decidiram partir
para a adoção. Hoje, dividem a vida com Manuela, Heloisa e Leticia
Os motivos que levam o casal a partir para a adoção são muitos, mas o objetivo é apenas um, dar e receber amor. Foi assim com o casal Marcelo Murilo da Rosa, médico de 55 anos e a psicóloga Bianca Sabine Utpadel, de 37 anos. Por oito anos o casal tentou engravidar pelo método tradicional e, após as dificuldades, começou a estudar a possibilidade de partir para a adoção, conforme conta Bianca. “No decorrer desses anos e diante das dificuldades biológicas presentes, começamos a amadurecer a possibilidade da adoção. Em 2012, tivemos contato profissional com um Abrigo Institucional, onde constatamos as vivências diárias de crianças abrigadas, destituídas de suas famílias e integradas em novas famílias. Começamos a nos apaixonar pela adoção e vimos ali a possibilidade de sermos pais”, explica.
Com a ideia amadurecida pelo casal, esse passou a ser o desejo dos dois, a adoção. “Procuramos a Assistente Social Forense e, em março de 2014 demos entrada no processo de adoção. Estávamos então, grávidos do coração. Passamos por todo processo avaliativo exigido pela Justiça e começamos a participar do Grupo de Estudo e Apoio à Adoção, composto por pais e pretendentes à adoção e também por outras pessoas interessadas pelo tema. O grupo foi fundamental no suporte emocional deste período de espera, onde a ansiedade é imensa. No tempo de espera, o qual você nem sabe o quanto é, o casal fica imaginando a chegada desse filho. Nosso perfil estabelecido no Cadastro Nacional de Adoção foi bastante aberto, inclusive para a chegada de irmãos. Sempre sonhamos em ter mais de um filho”, conta.
Na tarde do dia 10 de março de 2015, depois de uma ligação, a vida do casal mudou totalmente, neste dia eles descobriram que não teriam apenas um filho, mas sim três belas meninas: Manuela, que na época tinha quatro anos; Heloísa, de dois e Letícia, de um. “Foi o Marcelo quem recebeu a notícia e a pergunta que dizia respeito ao nosso interesse em receber três irmãzinhas que estavam aguardando uma nova família. Ele me ligou imediatamente, super ansioso e feliz, dizendo que nossas filhas haviam chegado e pediu que eu ligasse à Assistente Social do Fórum, pois ele não teve condições emocionais para conversar com ela. Eu demorei meia hora até conseguir fazer a ligação. Estava muito emocionada e não conseguia parar de chorar. Quando abrimos nosso cadastro para chegada de irmãos, sempre imaginávamos que viriam até duas crianças, nunca imaginávamos três. Confesso que fiquei preocupada em dar conta de três crianças, mas enquanto casal, conversamos e definimos que estaríamos juntos e que daríamos conta sim, em todos os sentidos. Quando consegui fazer a ligação à Assistente Social, ela me confirmou que eram três irmãs, já com o poder familiar destituído e ansiosíssimas para a chegada da nova família. A partir de então, o encontro foi marcado”.
E alguns dias depois a rotina do casal mudou totalmente e a casa que antes era habitada apenas por eles dois deu lugar a mais três integrantes, que foram recebidas com muito amor e carinho pelos novos pais. “De um dia para outro entraram três crianças pequenas em nossa casa, em nossa vida, em nossa rotina. Foi uma fase de muita conversa e adaptação de horários e rotinas. No entanto, elas são muito cooperativas e uma coisa que nos chamou a atenção foi o fato das três chegarem muito abertas para essa relação. Podemos dizer, com certeza, que elas estavam mais preparadas que nós”, brinca.
Bianca ainda fala da aventura que é ser mãe, e do amor que existe entre os cinco, e afirma que estava escrito que um dia eles viveriam juntos. “Hoje faz um ano e um mês que estamos vivendo numa grande família. Todos adaptados e já se entendendo só com o olhar. Existe uma grande colaboração entre nós, onde um ajuda o outro. Existe muito diálogo e muita aprendizagem de ambas as partes. Podemos dizer que estamos muito felizes e realizados. Olhando para trás percebemos que tudo valeu a pena e não conseguimos mais imaginar nossa vida sem elas. Deus sabe o que faz e hoje vemos que tinham que ser elas. Elas são nossas filhas desde sempre”, exalta.