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Um abraço, um carinho, e um sorriso de orelha a orelha

Voluntárias do Projeto Sorriso levam alegria ao hospital e transformam a brancura do lugar, em um arco íris de bondade e
empatia

20 de janeiro de 2015

A receita é simples: perucas coloridas, óculos engraçados, nariz de palhaço, fantasias, caras pintadas, fantoches, bexigas e um largo sorriso estampado no rosto. Estes são alguns dos medicamentos que certos doutores aplicam nos pacientes pelos leitos dos hospitais. E, por onde passam, deixam uma dose de alegria para amenizar o sofrimento.

Dia 14 de janeiro foi o dia do Enfermo. Em homenagem a esta data, o Jornal de Pomerode decidiu mostrar um lado mais alegre dos corredores dos hospitais. Por isso, embarcou em uma aventura com as Dras. Naninha, Abobrinha, Lalá e Neném em uma visita ao Hospital e Maternidade Rio do Testo. Assim que elas chegaram ao local, algo se iluminou. O branco foi tomado por um colorido cheio de alegria. E o sorriso nos rostos, que aguardavam por atendimento, logo denunciou que o projeto era muito bem vindo.

Intitulado de Projeto Sorriso, o objetivo da ação é levar a alegria aos pacientes e a humanização aos setores de internação, tratamento quimioterápico e de diálise dos hospitais e transformar o dia a dia nos asilos muito mais feliz e agradável. Com o intuito de propor uma medicina mais humana, e diminuir a distância entre o médico e o doente, o projeto foi criado no Vale do Itajaí, pelos então acadêmicos de medicina da Universidade de Blumenau, Marcelo Zalli e Mariana Fernandes, em 2005. O trabalho segue experiências semelhantes, anteriormente realizadas. Mas umas das grandes inspirações para a criação do projeto foi o filme Patch Adams – O Amor é Contagioso, estreado por Robin Williams. No drama, ele interpreta um médico que busca humanizar as técnicas médicas para divertir e entreter os pacientes.

As pomerodenses Tânia Luize Weh (Dra. Naninha), Laurita Tomelin (Dra. Lala), Isabel Formigari (Dra. Abobrinha) e Ketlin Formigari Soares (Dra. Neném), fazem parte do projeto. Para elas, realizar esta ação voluntária de levar alegria para aqueles que passam por momentos de tristeza é sempre uma maneira de disseminar o bem. “Está no meu sangue. Lembro que desde pequena já tinha essa iniciativa de ajudar o outro, de me dispor aos seus cuidados, de oferecer carinho e atenção. Sempre fui assim. Portanto eu digo que já nasci com sangue voluntário correndo nas veias”, conta Tânia, que coordena o grupo de Pomerode.

Pelos corredores do hospital, elas vão levando a alegria. A Dra. Naninha, sempre astuta, pega seus balões de estrelas ou aqueles que viram bichinhos, a fim de animar os enfermos naquele dia. Todos eles, recebendo com o maior carinho a atenção das doutoras. São crianças, adultos e idosos, que não fogem das “garras” das voluntárias. “É uma experiência muito renovadora, é muito bom. Eu fiquei durante três semanas internadas e a gente percebe a diferença que faz levar outro olhar para aquela situação. Percebo o quanto eles ficam felizes em receber uma visita dessas. E não tenho palavras para descrever, é muito bom. A alegria que a gente transmite é contagiante, e isso nos fortalece também”, relata Isabel, ou melhor, Dra. Abobrinha.

Em meio a tantas alegrias, também há aquele momento de dificuldade. “Lidar com pacientes com câncer ou em estágio terminal é muito emocionante. Pois temos que levar esperança a essas pessoas e nem sempre é uma tarefa fácil. Eles estão para baixo e precisam de um ombro amigo, uma pessoa para dar-lhes aquela atenção que eles tanto gostam. Não devemos mostrar tristeza e sempre alegria! E leva-la para os que precisam. Esse é o nosso lema!”, conta Tânia.

Para a Dra. Lala, a experiência é sempre muito produtiva. “O que fazemos para eles não tem preço. Nós recebemos em dobro toda a alegria que lhes doamos. Eu faço isso pela minha paixão de ajudar ao próximo e, quem se doa ao outro, automaticamente, recebe a felicidade em troca”, comenta.

No final da visita, depois de muitas visitas, abraços, carinhos, palhaçadas e risadas, o grupo se despede. Mas a sensação que fica é sempre de dever cumprido, de fazer o bem. “A gente visa se colocar no lugar da pessoa. Nós fazemos uma empatia, e com isso nós temos que transmitir o melhor para a pessoa, ver outro lado, que ficar internado pode até ser chato, mas que daqui a pouco a pessoa vai voltar para casa, que ela vai melhorar. É muito forte o trabalho que tem aqui. E é muito gratificante porque a gente se doa, e incrível porque nós recebemos muito mais do que damos”, termina a Dra. Naninha. 

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