UEJA: uma abordagem andragógica
Na Unidade de Educação de Jovens e Adultos consideramos as especificidades do aprendiz jovem e adulto fazendo uso da proposta andragógica no processo de ensino e aprendizagem. Mas, afinal do que estamos falando? Poucos sabem sobre o que vem a ser a Andragogia cuja definição não é encontrada na maioria…
Na Unidade de Educação de Jovens e Adultos consideramos as especificidades do aprendiz jovem e adulto fazendo uso da proposta andragógica no processo de ensino e aprendizagem. Mas, afinal do que estamos falando? Poucos sabem sobre o que vem a ser a Andragogia cuja definição não é encontrada na maioria dos dicionários. Vejamos:
Andragogia é apresentada como a arte e a ciência de ajudar/orientar o adulto a aprender e é a antítese da Pedagógia, que significa, literalmente, a arte e a ciência de ensinar crianças. A Andragogia significa, portanto,“ensino para adultos”. Um caminho educacional que busca compreender o adulto desde todos os componentes humanos, entendo-o como um ser psicológico, biológico e social, e, buscando promover o aprendizado através da experiência, fazendo com que a vivência estimule e transforme o conteúdo, impulsionando a assimilação. Segundo Goecks “O adulto, após absorver e digerir, aplica. É o aprender através do fazer, o aprender fazendo”.
Na UEJA, há tempo, há muito tempo, chegamos à conclusão que adotamos a proposta Andragogia Pedagógica. E, esta mudança foi natural, espontânea, democrática, diante da necessidade que se descortinava. Desconhecer o que o aluno sabe, nem pensar. Por exemplo: um aluno responsável pela compra de material escolar, ou um funcionário que compra no supermercado, sabe somar, multiplicar, dividir, porém, muitas vezes, com uma lógica diferente da que lhe é exigida na sala de aula. Esta forma diferente de expressar-se daquela exigida pela educação formal é considerada e socializada com o grupo (aluno/aluno; aluno/professor). Conhecimento trazido pelo aluno é orientado e vai ganhando espaço para o conhecimento construído dentro da cientificidade.
O professor que ministra para jovens e adultos tem que ter uma flexibilidade de fazer com que este adolescente, este adulto faça esta migração suavemente, começando a entender a utilidade da aplicação da proposta Andragógica.
Os alunos devem ser estimulados à troca de experiências, informações e tomadas de decisões em conjunto, onde serão trabalhados para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos, deveres e suas responsabilidades sociais.
A luta, a lição e a proposta que Paulo Freire nos deixa é que na relação entre professor e aluno centraliza-se a dimensão do conhecimento, o sentimento de aceitação do outro, a interação e a intersubjetividade.
Goecks, Bacharel em administração pela PUC, num “diálogo tácito” com Paulo Freire, diz: “O comprometimento com o sucesso de uma nova proposta é imediato quando todos os envolvidos saem da posição de espectadores para a posição de participantes”.
Os professores da UEJA não desprezam os outros tempos de aprendizagem e/ou conhecimentos prévios que os aprendizes carregam consigo tampouco outros espaços formativos como o trabalho, a família, a igreja, a escola do filho, as reuniões de bairro,… O jovem e adulto da UEJA é visto como sujeito sócio-cultural, com conhecimentos e experiências acumulados que fazem com que a vida adulta seja um rico tempo de formação. É preciso dar oportunidade para estas pessoas se manifestarem e, então, aprenderem. O fato de ainda não terem uma formação inicial não significa que não tenham experiência e que não podem, ou não sabem fazer nada de novo. Para ilustrar, é preciso olhar para nossos prédios, casas, praças, calçadas, artesanatos, jardins e tantas coisas que quem as faz/fez não têm/tinham, muitas vezes, uma formação mínima (escolar). Contudo, estão aí participando dessa sociedade complexa.
Vivemos a sociedade do conhecimento onde não basta apenas ter diploma… tem que saber fazer. Então por que não investir na Educação de Jovens e Adultos? Está aí a nossa proposta: transposição didática numa abordagem andragógica para estabelecer novos (nem tão novos) parâmetros quanto a Educação de Jovens e Adultos em todas as suas instâncias. Seja educacional, seja profissional.