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Transformar, diariamente, casebres em castelos: uma lição de vida a ser seguida

Foi na Estamparia que Zanatta, como é mais conhecido entre os colegas, construiu sua história. Iniciei aqui com 26 anos. Tinha trabalhado anteriormente como frentista e em uma madeireira, mas em malharia, não tinha noção alguma. Comecei como auxiliar e depois fui para o desenvolvimento de pastas. Com o passar do tempo, e com a chegada de novas máquinas, tornei-me operador.

1 de junho de 2015

Foi na Estamparia que Zanatta, como é mais conhecido entre os colegas, construiu sua história. Iniciei aqui com 26 anos. Tinha trabalhado anteriormente como frentista e em uma madeireira, mas em malharia, não tinha noção alguma. Comecei como auxiliar e depois fui para o desenvolvimento de pastas. Com o passar do tempo, e com a chegada de novas máquinas, tornei-me operador. Hoje, após adquirir toda esta experiência, dedico-me como instrutor, ensinando a profissão aos mais novos e com menos tempo de casa.
Sempre à disposição da empresa, conta que, ao longo dos anos, vários encarregados passaram pelo setor, e que entre um e outro, quando necessário, ele assumia o controle.
Com relação ao crescimento da empresa, acompanhado de camarote por Zanatta, ele diverte-se só de relembrar. Penso que às vezes nem os nossos diretores acreditavam que chegaríamos aonde chegamos. Cada ampliação, cada maquinário novo, cada contratação, são frutos de muito suor, de muito trabalho e dedicação.

Carinho de pai – Pai de cinco filhos, Zanatta transfere parte deste amor para seus colegas de empresa, principalmente aos mais novos. Minha esposa também trabalha aqui. Tem nove anos de empresa, mas ficou um período afastada quando tivemos um de nossos filhos. Assim, com os dois aqui, é praticamente nossa segunda casa. Por mais que tentemos separar o profissional do pessoal, acabamos cobrando ainda mais um do outro por sermos casados. Já trabalhamos, inclusive, no mesmo setor. O que temos em comum é tratar a todos com respeito. Trato os mais novos como gostaria que meus filhos fossem tratados pela vida afora.
E por gostar tanto assim daqueles que lhe cercam e da empresa onde trabalha, o número de faltas acumuladas por Zanatta ao longo de 18 anos, não somam cinco. Já aconteceu de minha esposa e meus filhos estarem hospitalizados e eu ir trabalhar normalmente. Daí as pessoas podem dizer que é impossível fazer isso, que a família vem em primeiro lugar. Claro que sim, mas eu precisava sustentar meus filhos. Dormia no hospital com eles e vinha trabalhar. Eles estavam sob o cuidado de um bom médico, eu tinha que garantir o sustento deles.

Amor pela profissão, pela empresa e por Pomerode – Zanatta diz que o segredo para trabalhar tanto tempo assim em uma empresa é ser apaixonado por aquilo que se faz. Eu gosto do meu trabalho, gosto do que faço. Claro que tem momentos mais complicados, mas num todo, me sinto realizado. Quando cheguei a Pomerode, não tinha praticamente nada. Hoje minha família desfruta de certo conforto. Tudo o que conquistamos, tiramos daqui, é uma troca. Quando fico uma semana fora da empresa, já fico nervoso. Penso, sim, em me aposentar aqui.

Uma verdadeira inspiração – Para Zanatta, a direção da empresa, composta pelos três irmãos da família Sprung, Gilmar, Valci e Kátia, sempre foi um exemplo a ser seguido. Não tenho o estudo que eles têm. Nossas vidas são bem diferentes. Mas sempre me espelhei neles, dentro das minhas proporções e condições. Gosto muito de todos eles, pois sempre me trataram com muito respeito. Mas tenho um carinho especial pela dona Valci. Estamos, sempre que possível, brincando um com o outro. Acredito que, até por termos mais contato, isso ocorra naturalmente. Seu Márcio, nosso outro diretor, também é muito legal. Lembro que quando fui transferido do terceiro turno, ele foi ao meu setor brincar comigo, perguntando se eu me acostumaria com o sol novamente.
Mas nem só de dias de sol é feita a vida. E com Zanatta não foi diferente. Teve um tempo em que eu estava com uns problemas e pedi demissão. Estava estressado e nem me reconhecia mais. Não pensei duas vezes e pedi demissão. Mas eles não me deixaram ir embora. Foram lá na portaria falar comigo, o seu Gilmar e a dona Valci. Disseram que nem mesmo eu imaginava o quanto era querido por eles e importante para empresa. Conversamos e a mágoa passou. Segui trabalhando normalmente e não me arrependo até hoje.

Dois homens diferentes, com a mesma visão empreendedora – Como Zanatta costuma dizer, sua escola foi a vida e seu grande professor, seu diretor, Gilmar Sprung. Aprendi muito mais com ele do que ele mesmo possa imaginar. Lembro que em 1995, o setor têxtil passou por uma grande crise. Ele reuniu os colaboradores e nos aconselhou, dizendo que era um momento para que economizássemos o que fosse possível, pois não sabíamos como seria o amanhã. Falou que quem economizasse, sobreviveria sem sentir os efeitos desta crise.
E estas palavras surgiam e desapareciam várias vezes ao dia na mente de Zanattta, como se fosse uma espécie de fio, que aos poucos, no vai e vem dos teares, transforma-se em um projeto concreto. E tal projeto, passou a ser seu objetivo de vida: economizar para progredir. Eu sempre pensava que dar errado não tinha como. Quebrar eu não iria, pois não tinha nada mesmo. O máximo que podia acontecer era dar certo. Claro que nossas vidas, patrimônio, a situação financeira, são bem diferentes. Mas se conquistei o que tenho hoje foi por seguir sua forma de lidar com as adversidades e planejar o crescimento.

Um projeto de vida construído tendo como base sacos de cimento – Outro conselho dado por Gilmar Sprung aos colaboradores, e que Zanatta absorveu como uma espécie de mantra foi evoluir, um passo de cada vez, por mais que parecesse em um determinado momento, não ser possível. Lembro que há alguns anos ele falou que cada saco de cimento custava pouco mais de cinco reais. Disse que se não tivéssemos condições de construir nossa casa inteira, de uma única vez, que fizéssemos aos poucos, tijolo por tijolo.
E foi assim que as primeiras vigas da casa de Zanatta foram levantadas. Comprava um pouquinho de material a cada mês e quando não dava, esperava dois, três meses e recomeçava a obra. Foi assim que eu fiz a minha casa. Pouquinho por pouquinho. Cortei tudo que era supérfluo. Gostávamos de ir a bailes e festas, mas paramos por um tempo. A prioridade, como dito por seu Gilmar naquela época, era economizar para terminarmos a obra. Para mim, que não tinha nada quando cheguei aqui, foi um sonho realizado. Depois fizemos a mesma coisa com carro, tínhamos um bem velhinho, fomos economizando, juntando um pouquinho aqui, outro ali, e compramos o carro que queríamos.
Outro fato que Zanatta destaca na postura de seu diretor e que lhe marcou bastante foi que, no passado, durante um bom tempo, todos os colaboradores novos que eram contratados, recebiam em seus setores a visita de Gilmar Sprung. Até onde ele conseguiu fazer isso ele fez, depois, com o aumento de responsabilidade e o grande numero de funcionários, acabou não sendo mais possível. Eles só chegaram onde estão hoje por nunca terem perdido a essência da humildade. Sempre quis falar isso para eles. Tenho muita vontade de olhar nos olhos do seu Gilmar e dizer que se eu cheguei aonde cheguei, foi por seguir seus passos, lembra emocionado.
Quando veio para Pomerode, a vida apresentou uma série de dificuldades para Zanatta, mas como ele mesmo costuma dizer, dos limões, foi feita uma deliciosa limonada. Morava em uma casa que não tinha nem piso de tão humilde que era. Hoje adquiri uma vida confortável, investi um pouquinho, dei educação para os meus filhos e os encaminhei na vida. Sempre me dediquei e trabalhei muito. Quando a empresa precisava de mim, podia ser fora do horário, aos fins de semana, eu estava sempre disponível. E os funcionários que como eu, têm muitos anos de casa e se dedicaram, hoje estão bem, têm uma vida garantida.
Preservar a dignidade e não se corromper através da ganância é algo muito claro para Zanatta. Não troco a minha dignidade, o respeito e o carinho que tenho pela empresa, por dinheiro algum nesse mundo. Homem tem que ter caráter e palavra. Isso é fundamental para uma parceria de sucesso. E o que me magoou, em alguns momentos dentro da empresa, foi ver que nem todas as pessoas são comprometidas. Mas isso faz parte, a vida é assim, aqui dentro e do portão para fora. O meu caráter e comprometimento com a empresa não são medidos por meu cargo ou pela cor do meu jaleco, mas sim por minhas ações, por meus valores e pelos anos de empresa que acumulo, com muito orgulho. O segredo é trabalhar com felicidade. Quando se é uma pessoa feliz, um casebre vira um castelo. Quando se é infeliz, um castelo passa a ser um casebre. E assim é a vida, assim é no trabalho, nas amizades, na família, nos relacionamentos.

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