Transformando lixo em livros
A escola Olavo Bilac transforma o lixo reciclável, que é trazido pelos alunos
e comunidades, em livros, melhorando o seu acervo bibliográfico
Um dos grandes problemas relacionados ao meio ambiente existentes na sociedade é a falta de conhecimento sobre os problemas causados pela eliminação inadequada de nosso lixo. Este desconhecimento, que muitas vezes é causado pela falta de orientação na infância, acaba formando um adulto omisso às questões ambientais. Todo mau hábito da população, que, em geral, não se sente responsável e não foi educada quanto às questões ambientais r evidencia a grande importância de mobilizar uma população preocupada em conservar um ambiente saudável para o presente e o futuro.
Pensando na importância em preservar a natureza e fomentar a consciência ecológica nos alunos, a Escola Básica Municipal Olavo Bilac desenvolveu um projeto em 2014, que, em um segundo momento, foi adaptado e visou transformar o lixo arrecadado e separado em livros para melhorar o acervo da biblioteca da escola, trazendo mais opções aos alunos. “Na época, havia poucos recursos para investir na biblioteca e melhorar o acervo bibliográfico da mesma. Então, envolvemos os alunos dos nonos anos na disciplina de Empreendedorismo e a atendente de biblioteca, Roseana Buettgen Fischer, que foi uma das mentoras do projeto e o escrevemos”, ressalta a diretora da escola, Ana Cristina Kamchen Buettgen.
Com o projeto montado, precisavam ainda de apoio e um local para guardar o material arrecadado até que fosse vendido. E com o valor, compraram os livros. Foi quando apresentaram o projeto ao diretor da empresa Supremo Cimento, de Pomerode, que acreditou e apostou no projeto, doando à escola um container para o armazenamento do material reciclado.
Segundo a idealizadora do projeto, Roseana Buettgen Fischer, a ideia surgiu ao ver diversos materiais sendo jogados fora na própria biblioteca, como por exemplo, o papelão onde vem o material enviado para a escola, o papel onde as folhas A4 são embaladas, entre vários outros materiais e que agora são separados para a venda.
Desde que o projeto surgiu e os primeiros materiais recicláveis foram vendidos, muitos títulos de livros já foram adquiridos para compor a biblioteca escola. E não são apenas o s alunos que se envolveram neste projeto, mas a comunidade também. Com a ideia e a prática em conscientizar os alunos sobre a importância da reciclagem para a preservação da natureza e o futuro do meio ambiente, os pais se viram envolvidos no projeto e acabaram por ajudar a incentivar os filhos nesta prática tão simples, a de separar o lixo e, neste caso, reverter na compra de novos livros.
Segundo Roseana, outras duas empresas também apoiaram a causa. A Bosch Rexroth doa os jornais velhos, e a Pamela Caseados, recentemente, vem doando todo o papelão para a escola. No ano passado, a escola conseguiu fazer duas vendas do material e, já no início deste ano, foi feita outra venda, que rendeu em torno de R$ 400,00, revertidos na compra de uma cortina para a biblioteca. Todo o dinheiro é revertido em benefício da biblioteca. Para os próximos dias, já será realizada outra venda.
De que forma você pode ajudar – A comunidade pode ajudar trazendo o material já separado para a escola. Ele pode ser depositado ao lado do container no horário comercial, quando o próprio zelador da escola guarda o material no container. Quando possuem uma quantidade considerável, realizam a venda. Os materiais que podem ser separados e entregues na escola são latinhas, garrafas pet, revistas, jornais, embalagens de leite, papelão. Lembrando da importância de trazer os materiais limpos para que possam ser guardados até a venda.
Para quem adota práticas de reciclagem, os benefícios são múltiplos. “Quanto mais tivermos a consciência da importância da separação correta dos resíduos de nossas casas, menos material irá para o aterro, prolongando sua vida útil; quando se recicla, se poupa recursos naturais, a natureza agradece e, por fim, mas não menos importante, cada livro novo permite uma viagem a um mundo mágico! Desenvolve-se a imaginação, a criatividade e dissemina-se conhecimento. Penso que só esses argumentos já valem para continuarmos com o trabalho que sabemos que precisa ser revigorado a cada ano”, finaliza a diretora Ana.