Tragédia e solidariedade
Mesmo após ter perdido a vida em serviço, bombeiro salva pessoas por meio de doação de órgãos
A trágica história do bombeiro de 25 anos que faleceu na semana passada no km 30 da BR-470, em Gaspar, quando iria prestar atendimento, teve um final de solidariedade que gerou comoção. Isso porque Maurício Valls, diagnosticado com morte cerebral pelos médicos do Hospital Santa Isabel, no último domingo, tratava-se de um doador declarado de órgãos. Seu coração já bate dentro do peito de um morador da cidade de Rodeio, cuja identidade não foi revelada e em breve as córneas, o fígado e os rins vão garantir a qualidade de vida de outras cinco pessoas.
No momento do acidente, o motorista de 25 anos ficou preso às ferragens, inconsciente, com suspeita de traumatismo cranioencefálico e politraumatizado. O outro soldado estava consciente, orientado, com suspeita de fratura no membro inferior esquerdo. Ele foi conduzido ao Hospital Santo Antônio. O bombeiro comunitário também estava consciente, orientado, com ferimentos cortantes na face. O motorista de 39 anos da carreta nada sofreu. Segundo os bombeiros, a ambulância ASU-242 teve perda total.
Maurício era natural de Uruguaiana, município gaúcho que faz limite com Argentina e Uruguai e tinha uma noiva. Formou-se como bombeiro militar em 2012. Entrou na corporação de Gaspar há dois anos e foi descrito como um profissional exemplar e motivo de orgulho no batalhão pelo sargento Medeiros.
O adeus foi dado por amigos, familiares e colegas de profissão por meio de um cortejo fúnebre que contou com a presença também do Samu e da polícia, na tarde de domingo, 14 de setembro. Um avião do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, que aguardava a chegada do corpo no Aeroporto Quero-Quero, no bairro Itoupava Central, em Blumenau, fez o transporte do corpo até o Rio Grande do Sul.
Doação de Órgãos no Brasil – De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), no primeiro semestre de 2014 foram realizados 3.856 de órgãos como corações, fígados, pâncreas, rins e pulmões. Além disso, foram 17.041 transplantes de tecidos como córneas, ossos e peles e 795 de medula óssea. De cada 8 potenciais doadores de órgãos, apenas um é notificado. Ainda assim, o Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo sistema público de Saúde. O programa nacional de transplantes é organizado. Cada Estado tem uma Central de Notificação, Captação e distribuição de Órgãos que coordena a captação e aalocação dos órgãos, baseada na fila única, estadual ou regional.Para realizar transplante é necessário credenciamento de equipe no Ministério da Saúde. A maioria destas equipes é liderada por médico com especialização no exterior, obtido graças ao investimento público na formação de profissionais em terapia de alta complexidade. Hoje mais de 80% dos transplantes são realizados com sucesso, reintegrando o paciente sociedade produtiva.
Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar à sua família o desejo da doação. A família sempre se aplica na realização deste último desejo, que só se concretiza após a autorização desta, por escrito.