Teste do Pezinho: fundamental para a saúde do bebê
Um exame simples, mas que detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. O Teste do Pezinho é assim chamado, pois a coleta do sangue é feita a partir de um furinho no calcanhar do bebê.
Um exame simples, mas que detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. O Teste do Pezinho é assim chamado, pois a coleta do sangue é feita a partir de um furinho no calcanhar do bebê.
Desde a publicação da Portaria GM/MS nº 822 (Portaria Nº 822), assinada pelo Ministro José Serra, em 6 de junho de 2001, criando o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), todos os Estados brasileiros contam com pelo menos um Serviço de Referência em Triagem Neonatal e diversos postos de coleta para o Teste do Pezinho, espalhados por todos os municípios de cada Estado. Através do Serviço de Referência em Triagem Neonatal ou da própria Secretaria Municipal de Saúde, pode-se obter o endereço das Unidades de Coleta.
De extrema importância, o exame é efetuado pelo SUS – Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e laboratórios particulares. A Coordenadora de Enfermagem da SESA, Loraine Silveira Aurélio, enaltece a importância do exame. O teste é importante por detectar várias doenças genéticas, metabólicas ou infecciosas, que geralmente só se manifestam após alguns meses de vida. Assim o diagnóstico precoce permite o tratamento adequado e, consequentemente, o melhor desenvolvimento da criança. Em Santa Catarina, o Lacen realiza o programa de análise das amostras em três fases. Fase I – Realização da triagem da Fenilcetonúria e do Hipotireoidismo Congênito; Fase II – Realização dos exames da Fase I, mais a triagem da Anemia Falciforme e outras Hemoglobinopatias; Fase III – Além dos exames da Fase I e II, é feito o diagnóstico da Fibrose Cística, frisa.
Com, pelo menos, 48 horas de vida, o bebê já pode fazer o exame. O exame é gratuito e obrigatório. As mães devem procurar a unidade de saúde entre três e cinco dias de vida do bebê. O teste é feito a partir de gotas de sangue colhidas do calcanhar do recém-nascido. O material coletado é encaminhado para o Lacen, que recebe amostras de todo o estado, explica.
Segundo dados da Secretaria de Saúde, em 2013 foram realizados 174 Testes do Pezinho nas Unidades de Saúde de Pomerode. Em 2014, até o dia 10 de janeiro, foram realizados cinco Testes do Pezinho.
Ao comparecer ao posto de coleta, será feita uma ficha cadastral da criança com dados de identificação. É importante que a mãe dê todas as informações de forma clara, principalmente o endereço, já que, se o resultado estiver alterado, esta criança precisará ser localizada com rapidez.
O ideal é que o teste seja feito até o sétimo dia de vida. Basta apenas uma picada no calcanhar do bebê para retirar algumas gotinhas de sangue que serão colhidas num papel filtro e levadas para serem analisadas.
Prevenindo doenças graves – Para quem não sabe, o Teste do Pezinho é obrigatório por lei em todo o Brasil e a simples atitude de se realizar o exame faz com que doenças causadoras de sequelas irreparáveis no desenvolvimento mental e físico da criança sejam detectadas e tratadas mesmo antes do aparecimento dos sintomas. O Lacen realiza adicionalmente ainda mais três exames para diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita, da Galactose e da Deficiência da Biotinidase, enaltece Loraine.
O diagnóstico precoce oferece condições de um tratamento iniciado nas primeiras semanas de vida do bebê, evitando a deficiência mental. A deficiência, uma vez presente no corpo, já não pode ser curada.
É importante lembrar que quando as amostras apresentam resultados fora dos valores de referência preconizados, a equipe de saúde realiza busca ativa do paciente a fim de coletar nova amostra para repetição do teste ou, dependendo da patologia, os pacientes são prontamente encaminhados ao serviço de referência para consulta com médicos especialistas, finaliza a profissional.
Dicas – Não esqueça de buscar o resultado. Qualquer alteração no resultado, leve para o pediatra examinar.
Não se preocupe se tiver que repetir o exame. O Teste do Pezinho exige repetição para esclarecer o primeiro resultado, quando suspeito de anormalidade ou quando o teste é realizado antes de 48 horas de vida.
Um resultado normal, mesmo no teste ampliado, não afasta a possibilidade de outras doenças neurológicas genéticas ou adquiridas. O teste não diagnostica, por exemplo, a Síndrome de Down.
Santa Catarina é referência nacional – A Secretaria de Estado da Saúde investiu, durante o ano de 2013, cerca de R$ 7 milhões no Programa de Triagem Neonatal. Até novembro de 2013, mais de 509 mil exames foram realizados em 70,9 mil bebês.
O Programa de Triagem Neonatal catarinense é considerado um dos mais avançados do país. No Estado, o Teste do Pezinho contempla sete exames em recém-nascidos. Seis exames integram o Programa Nacional de Triagem Neonatal do Ministério da Saúde. O sétimo teste só é realizado em Santa Catarina e serve para detectar doença hereditária ou erro metabólico, o que pode gerar deficiência mental e, em alguns casos, a morte.
Até 2012, o programa nacional contemplava quatro exames. A partir de 2013, o Ministério da Saúde adicionou mais dois testes, já realizados pelo Governo do Estado há alguns anos. Desde 2001, Santa Catarina faz o exame de hiperplasia adrenal congênita para diagnosticar exagero na produção do hormônio testosterona e deficiência na produção de cortisol e aldosterona, o que provoca perda de sal no organismo da criança podendo levar à morte. Já o exame de deficiência de biotinidase, que diagnostica uma doença metabólica que pode desencadear convulsões, falta de coordenação motora e atraso no desenvolvimento, começou a ser feito em SC a partir de 2008.
Outras doenças também são investigadas pelo Laboratório de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen) na Triagem Neonatal, como a fenilcetonúria (causa um comprometimento neurológico no desenvolvimento da criança), hipotireoidismo congênito (pode levar ao retardamento mental e má formação física), anemia falciforme (gera alterações em todos os órgãos e sistemas do corpo) e fibrose cística (faz com que a criança tenha uma deficiência hormonal).
A cobertura da triagem neonatal no Estado é a melhor do Brasil, com 89% de abrangência, enquanto a média nacional é de 82%.