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TDAH: atenção ao diagnóstico

Com o avanço da medicina, aumentaram também os estudos baseados na observação do comportamento humano, tanto em adultos como em crianças. Alguns transtornos comportamentais, que antes eram definidos como uma simples birra, hoje já são vistos com maior seriedade e encarados como algo que a pessoa não pode evitar e que, portanto, deve ser respeitado.

21 de março de 2017

Com o avanço da medicina, aumentaram também os estudos baseados na observação do comportamento humano, tanto em adultos como em crianças. Alguns transtornos comportamentais, que antes eram definidos como uma simples birra, hoje já são vistos com maior seriedade e encarados como algo que a pessoa não pode evitar e que, portanto, deve ser respeitado. 

É o caso do TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, um transtorno neurobiológico, provocado por alterações genéticas, que faz com que a pessoa que o possui comece apresentar sintomas como desatenção, inquietude e impulsividade, e que pode acompanhar o indivíduo por toda a sua vida.
Por ano, mais de dois milhões de casos de TDAH são diagnosticados no Brasil e, segundo um estudo recente de pesquisadores da USP e das Universidades Federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, cerca de 250 mil adolescentes e crianças não sabem que possuem o transtorno. 

A psicóloga Gabriela Hoffmann, que atende crianças e adultos com o TDAH em Pomerode, explica que não existe um exame para a comprovação da existência ou não do transtorno em uma pessoa. O diagnóstico é dado por um psicólogo, ou neuropediatra, através da sua observação, dos pais e da escola. 

Ela reforça que o TDAH não é uma doença e, portanto, não deve ser tratado como tal. “O que assusta é que muitas crianças recebem o diagnóstico errado, tomam remédios à toa e são rotulados sem precisar”, pondera a psicóloga. 

O cuidado com o diagnóstico deve ser extremo, pois muitas vezes não se trata de um transtorno, mas sim, um excesso de energia acumulada, que não é colocada para fora com brincadeiras e atividades alternativas, associada à falta de atenção de alguns pais. 

Porém, quando a criança brinca normalmente e recebe a atenção devida dos pais, mas mesmo assim desenvolve os sintomas, o indicado é procurar algum especialista, como um psicólogo ou neuropediatra, para que o diagnóstico seja acertado. 

A maioria dos diagnósticos de TDAH é feito na infância, embora existam divergências sobre a exatidão do resultado da análise. “Eu comungo com a ideia dos teóricos que acreditam ser impossível o diagnóstico em bebês e crianças pequenas, pois o cérebro de uma criança está em mudança. Por isso é que se espera que os sintomas mais intensos da hiperatividade tenham desaparecido por volta dos 10, 12 anos”, explica Gabriela. 

Ela acrescenta, ainda, que este cuidado com a fase pela qual a criança está passando é importantíssimo, porque as crianças menores tendem a ser mais agitadas. “É normal que as crianças pequenas não consigam prestar atenção em alguma coisa por muito tempo. Isto é especialmente importante hoje, já muitas escolas de educação infantil estão exigindo um currículo completo, inclusive, iniciando a alfabetização, em muitos casos, aos cinco anos de idade”. 

Além dos sintomas mais gerais do transtorno, alguns detalhes como problemas mais graves de comportamento, dificuldade em seguir regras e obedecer limites, podem ser sinais de TDAH. O que a psicóloga ressalta como fundamental é não culpar a criança, que muitas vezes, só precisa de atenção. 

Sintomas do TDAH

No comportamento: agressão, excitabilidade, hiperatividade, impulsividade, inquietação, irritabilidade ou falta de moderação
Na cognição: dificuldade de concentração, esquecimento ou falta de atenção
No humor: ansiedade, excitação ou raiva
Também comum: depressão ou dificuldade de aprendizagem

 

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