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Tarifa de Trump é uma das mais severas já impostas ao Brasil e afeta exportações de SC

Medida unilateral de 50% sobre exportações brasileiras entrou em vigor nesta quarta-feira (6)

6 de agosto de 2025

Foto: Divulgação/afp

Entrou em vigor nesta quarta-feira, 6 de agosto, a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump em julho.

A medida é considerada uma das mais altas e abrangentes já aplicadas unilateralmente ao Brasil, tanto pelo volume de setores atingidos quanto pelo nível da taxa.

Com quase 700 exceções, a nova regra afeta diretamente o setor produtivo de Santa Catarina, estado que tem nos EUA seu maior mercado de exportação. Em 2024, as vendas catarinenses ao país somaram US$ 1,74 bilhão, representando 14,9% do total exportado pelo estado.

A pauta de exportações catarinense é formada, em sua maioria, por produtos industrializados ou semi-industrializados, como móveis, componentes metálicos, motores e equipamentos. Com exceções limitadas para Santa Catarina, entre elas, alguns itens do setor madeireiro, ainda sob análise, a expectativa é de impacto relevante em diferentes regiões do estado.

Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), 70% das empresas exportadoras consultadas já registravam queda nas vendas para os EUA antes mesmo da entrada em vigor da tarifa. Além disso, 72% delas estimam que precisarão reduzir seus quadros de funcionários em até seis meses, caso a taxação seja mantida.

As regiões mais afetadas, segundo a entidade, são aquelas cuja economia é menos diversificada, como o Meio-Oeste, Planalto Norte e Planalto Serrano, que concentram empresas do setor madeireiro e moveleiro. Já municípios com grande volume exportador, como Joinville, Jaraguá do Sul e Caçador, também podem enfrentar consequências significativas.

Para empresas que destinam 100% de sua produção ao mercado americano, o risco de descontinuidade das atividades é maior. Por outro lado, multinacionais com atuação global podem buscar alternativas, como redirecionamento da produção a partir de outras unidades, em países não atingidos pelas novas tarifas.

Negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos continuam, mas ainda sem sinalizações concretas de revisão da medida. A Fiesc e demais entidades seguem acompanhando os desdobramentos e analisando, na prática, os efeitos da aplicação da tarifa.

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