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Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia ao cargo

Congresso deu seguimento ao processo de impeachment mesmo após a renúncia; vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do país

5 de novembro de 2026

Santiago Penã anuncia renúncia — Foto: Reprodução/X

Nesta quinta-feira, 05 de novembro, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo. Ele era alvo de um processo de impeachment por conta de uma crise bancária, envolvendo uma instituição da qual Peña foi acionista.

O processo de impeachment do qual o agora ex-presidente era alvo já tinha ganhado apoio tanto da oposição quanto da base governista do Paraguai.

Em um vídeo, Santiago Peña se desculpou com a população atingida pela crise bancária e afirmou que a decisão pela renúncia foi tomada “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.

A crise que gerou o processo do impeachment começou depois que o banco digital Ueno fechou as portas e deixou milhares de clientes sem conseguir ter acesso ao próprio dinheiro.

Peña foi acionista do grupo que controla a instituição e a oposição acusou o Banco Central do Paraguai de encobrir irregularidades.

Na manhã desta quinta (05), o Congresso paraguaio havia começado uma sessão extraordinária a fim de debater o processo do impeachment e, ainda mais cedo, aliados do presidente retiraram o apoio a ele. Inclusive, estes aliados passaram a pedir a renúncia dele do cargo, defendendo também o processo de impeachment.

Congresso dá seguimento ao impeachment mesmo após renúncia

Mesmo após a apresentação da carta de renúncia de Santiago Peña, a Câmara dos Deputados do Paraguai decidiu dar seguimento ao processo de impeachment contra o agora ex-presidente. A medida ocorreu após o Congresso iniciar os primeiros passos para votar o afastamento de Peña e de seu vice, Pedro Alliana.

O pedido de impeachment contra Alliana, no entanto, foi rejeitado pelos parlamentares. Com isso, o vice-presidente deve assumir a presidência do país.

Segundo Ariel Palacios, comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Peña teria tentado preservar seu foro privilegiado ao anunciar a renúncia. Isso porque, conforme a Constituição paraguaia, ex-presidentes da República tornam-se senadores vitalícios ao deixar o cargo.

A prerrogativa, entretanto, pode ser perdida caso o ex-presidente seja submetido a julgamento político e considerado culpado. A oposição alertou que aceitar a renúncia sem dar continuidade ao processo poderia garantir uma espécie de blindagem parlamentar a Peña, dificultando que ele fosse julgado pela Justiça comum por suspeitas relacionadas ao caso do banco Ueno.

Vice-presidente deve assumir o comando do Paraguai

Economista conservador, Santiago Peña assumiu a presidência do Paraguai em 2023, com mandato previsto até 2028. Com a renúncia, Pedro Alliana deve assumir o comando do país.

Alliana também era alvo de um processo de impeachment, mas o pedido foi rejeitado pela Câmara dos Deputados nesta quinta-feira.

A crise política ganhou força após importantes aliados do presidente retirarem o apoio ao governo. Entre eles está Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, mesma sigla de Peña e considerado seu mentor político. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também havia retirado o apoio ao governo.

Peña era aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrava o chamado Escudo das Américas, grupo de líderes latino-americanos alinhados ideologicamente ao republicano. Apesar disso, o ex-presidente também mantinha uma relação diplomática com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

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