Surto de catapora é registrado em Pomerode
Mais de oitenta casos já foram registrados.
Pomerode contabiliza, somente neste ano, 89 casos de varicela, ou catapora, como é conhecida popularmente, que se manifestou tanto em crianças como em adultos. Embora haja vacina específica para prevenção, esta não é disponibilizada na rede básica de saúde. Para que o governo libere a vacina, seriam necessários casos de internamento, o que ainda não ocorreu no município. Para quem quiser se prevenir, deve procurar a vacinação particular, que custa em média entre R$ 50,00 e R$ 70,00 a dose.
Enquanto isso, a Secretaria de Saúde está realizando um trabalho de prevenção em creches e escolas, assim como os agentes comunitários orientam as famílias em seu trabalho de visitas domiciliares. A chefe de enfermagem do Posto de Saúde do centro, Kelly Zimmermann, alerta que como a catapora é transmissível antes de aparecer os sintomas, todo o cuidado é pouco.
A catapora é uma doença infecciosa aguda, altamente transmissível, causada pelo vírus varicela-zóster. A doença é mais comum em crianças entre um e 10 anos, porém pode ocorrer em pessoas que não receberam a vacina ou que não tiveram catapora, em qualquer idade. Na maioria das vezes, principalmente em crianças, a doença evolui sem conseqüências mais sérias.
Contudo, a catapora pode ter evolução grave e até causar o óbito, sendo consideravelmente maior o risco quando ocorre em adultos e pessoas com imunodeficiência.
Transmissão
A infecção, em geral, ocorre através da ar, pela respiração, gotículas de saliva, espirro e tosse, ou pelo contato direto com o líquido das bolhas infecciosas provocadas pela doença. O período de maior risco de transmissão começa 48 horas antes do aparecimento das lesões e vai até a formação de crostas em todas as lesões.
Por ser altamente transmissível, deve-se evitar situações de contato próximo (como o namoro) e de permanência em um mesmo ambiente (fechado) por mais de uma hora, como comumente ocorre em creches e salas de aula e, eventualmente, em enfermarias e salas de espera de consultórios.
Após a infecção, a maioria das pessoas apresenta manifestações clínicas. Algumas vezes, no entanto, as manifestações são muito discretas e a infecção pode passar desapercebida. Os indivíduos infectados, mesmo aqueles que apresentaram doença leve, desenvolvem proteção (imunidade) permanente.
Riscos e medidas de proteção
O risco de transmissão pode ocorrer durante o ano todo, porém observa-se um aumento do número de casos na primavera, sendo comum, neste período, a ocorrência de surtos em creches e escolas.
A doença pode ser evitada através da utilização da vacina contra a varicela. Os países que adotaram a vacinação sistemática das crianças contra a varicela observaram uma queda significativa do número de casos e de óbitos. Nos Estados Unidos, antes da vacina estar disponível, ocorriam por ano aproximadamente 11 mil hospitalizações e cerca de 100 óbitos devido à varicela. No Brasil, a varicela não é uma doença de notificação compulsória e os dados existentes são esparsos e pouco representativos.
Como não é possível prever quais são os indivíduos que vão evoluir com doença grave ou com infecções secundárias, é desejável que as pessoas estejam protegidas, através da utilização da vacina contra a varicela. A vacina contra a catapora está indicada para todas as crianças acima de um ano de idade e os adolescentes e adultos susceptíveis, que não tiverem contra-indicação.
É contra-indicada durante a gravidez e em pessoas com imunodeficiência. A vacina não está indicada em menores de um ano, em função da baixa eficácia nesta faixa etária, e pela falta de informação quanto à segurança de uso neste grupo.
Isolamento para diminuir o risco da contaminação
As pessoas com catapora devem ser afastadas da escola ou do trabalho, para diminuir o risco de transmissão. Além disso, devem evitar ao máximo, o contato com pessoas com maior risco de desenvolver varicela grave (adultos, gestantes, imunodeficentes e prematuros).
As pessoas com catapora podem necessitar internação hospitalar, seja por agravamento da doença (pneumonite, encefalite) ou por complicações (infecções bacterianas secundárias) da própria varicela ou, adicionalmente, por intercorrências médicas (trabalho de parto, emergência cirúrgica, terapia de doença de base).
Como a doença é altamente transmissível para os contactantes (familiares, pessoal da área da saúde, pessoas hospitalizadas) que não tiveram a doença (não-imunes) é necessário que o serviço tenha recursos técnicos adequados para isolamento no intuito de impedir a disseminação intra-hospitalar.
Uma vez iniciado um surto, o controle poderá ser difícil e demorado e as conseqüências desastrosas. Além de isolamento adequado para pessoas infectadas, é necessário que estejam disponíveis equipamentos de proteção individual tecnicamente indicados para doenças de transmissão respiratória e de contato.
Medidas para evitar complicações
Todas as pessoas que apresentam manifestações clínicas compatíveis com varicela devem ser avaliadas por médico tão logo possível. A consulta inicial, além de possibilitar a confirmação (ou não) da suspeita clínica por profissional habilitado, permite avaliar a necessidade de intervenção terapêutica específica, esclarecer quanto às medidas importantes para evitar complicações e orientar corretamente para o reconhecimento dos indícios de gravidade que exijam reavaliação médica.
A eficácia da terapêutica antiviral deve ser iniciada precocemente, de preferência nas primeiras 24 horas após o início das manifestações. Em pessoas saudáveis, a multiplicação do vírus se reduz progressivamente e tende a cessar após 72 horas do aparecimento das lesões cutâneas.
Os antitérmicos (paracetamol, dipirona), caso sejam necessários, podem ser utilizados para controlar a febre. Os medicamentos que contenham em sua formulação o ácido acetil-salicílico (AAS, Aspirina, Doril, Melhoral, etc) não devem ser usados em crianças com catapora, pela possibilidade de Síndrome de Reye (doença rara, de alta letalidade, caracterizada pelo comprometimento do sistema nervoso central e do fígado).
A coceira pode ser atenuada com banho ou compressa fria e aplicação de soluções líquidas contendo cânfora ou mentol ou óxido de zinco. Para reduzir o risco de infecção bacteriana na pele, principalmente em crianças, as unhas devem ser cortadas para evitar traumatismo durante o ato de coçar. A higiene corporal deve ser observada, bastando para isto a limpeza com água e sabão.
Pequenas manchas vermelhas são as primeiras manifestações
Em crianças, em geral, as manifestações iniciais da catapora são as lesões de pele. Em algumas pessoas (mais comum em adultos) pode ocorrer febre e prostração, um a dois dias antes do aparecimento das lesões cutâneas. As lesões de pele surgem como pequenas manchas vermelhas, que em algumas horas tornam-se pequenas bolhas com conteúdo líquido claro, das quais algumas se rompem e outras evoluem para formação de pústulas (bolhas com pus) e posteriormente (de um a três dias) formam-se crostas.
As primeiras lesões comumente aparecem na cabeça ou pescoço, mas a medida que estas evoluem, rapidamente vão surgindo novas lesões em tronco e membros e também em mucosas. Na maioria das crianças saudáveis a doença geralmente evolui sem gravidade.
Algumas vezes, no entanto, pode ocorrer comprometimento de órgãos internos (principalmente do sistema nervoso central), infecções bacterianas superpostas (comumente na pele) e, mais raramente, manifestações hemorrágicas (sangramentos espontâneos). Em Pomerode, há alguns anos, houve o registro de uma criança que teve catapora e que evoluiu mais tarde para meningite.
Em adultos, pessoas com imunodeficiência (decorrente de doenças ou induzida por drogas, como os corticosteróides) e recém-nascidos, o risco de desenvolvimento de catapora grave é consideravelmente maior. As manifestações neurológicas (ataxia cerebelar e encefalite), embora não sejam comuns, podem estar associadas com seqüelas.