Solidariedade nos momentos difíceis
Como todos sabem a primeira grande enchente que atingiu Blumenau, há exatos 30 anos, deixou muitas marcas. Aqueles 32 dias, entre 05 de julho até 05 de agosto em que as águas não baixaram, ficarão para sempre na memória de todos os moradores da região. Na semana passada, o Jornal de Pomerode relatou a importância da participação do nosso município na ajuda aos desabrigados.
Como todos sabem a primeira grande enchente que atingiu Blumenau, há exatos 30 anos, deixou muitas marcas. Aqueles 32 dias, entre 05 de julho até 05 de agosto em que as águas não baixaram, ficarão para sempre na memória de todos os moradores da região.Na semana passada, o Jornal de Pomerode relatou a importância da participação do nosso município na ajuda aos desabrigados, seja com a doação de mantimentos, seja servindo como base para pousos e decolagens das aeronaves do Exército Brasileiro. No entanto, Pomerode também teve papel fundamental em outra situação.
Em um programa de televisão, uma senhora, também afetada pela enchente de 30 anos atrás, declarou que na ocasião da tragédia, ela estava grávida, à beira de dar a luz. Depois de tantos transtornos e angústias devido o momento, alguém sugeriu levá-la para o Hospital e Maternidade Rio do Testo, pois o Hospital Santa Isabel já se encontrava inundado. Ela esperava que aqui conseguisse dar à luz a seu filho com segurança.
Contando com o apoio de amigos, conseguiu se deslocar até nossa cidade. Em seu relato, ela conta que, outras tantas mulheres foram enviadas ao HMRT por estarem na mesma situação. Inclusive, ela teve muita sorte, pois conseguiu chegar primeiro e teve à disposição um quarto, enquanto que as demais grávidas, devido ao grande volume de pacientes vindas de Blumenau e adjacências, acabaram sendo acomodadas como se podia, inclusive pelos corredores.
Assim, o Hospital e Maternidade Rio do Testo contribuiu para salvar vidas, deixando marcada a participação da cidade mais alemã do Brasil, naquela tragédia.
Agnes Blank, de 85 anos, e sua filha Darci Roloff, de 50, foram duas que vivenciaram estes momentos em que o hospital pomerodense foi primordial e confirmam a história relatada durante o programa de televisão. Na época, vieram muitas pessoas de Blumenau para cá, terem seus filhos, devido à situação em que se encontrava a cidade em virtude das enchentes. Minha mãe foi uma das que ajudou essas pessoas, pois ela auxiliava nos partos e contava com a ajuda de Miriam Maske, já falecida, relata Darci.
Naquele momento, a solidariedade falou mais alto e todos que puderam ajudar, fizeram a sua parte. A maioria das pessoas era humilde e, por isso, temos o maior orgulho de dizer que fizemos o que precisava ser feito. Numa hora dessas, não há distinção entre ricos e pobres, apenas fizemos o nosso trabalho, da melhor maneira possível. Pudemos sentir um pouco na pele quando nossa cidade foi atingida pela enchente de 2011, onde também tivemos que conviver com a água entrando nas nossas casas. Por isso, tanto eu como minha mãe sabemos que fomos importantes para muitas pessoas acrescenta.
D. Agnes também tem guardado na memória aqueles momentos. Veio muita gente e nós ajudávamos como podíamos. Eu trabalhei no Hospital de 1973 até o ano 2000, aos 73 anos, sempre como plantonista. Já fiz inúmeros partos e muitos me agradecem hoje em dia ainda, por ter colocado seus filhos no mundo. Eu me orgulho do meu trabalho, diz.
A história desta simpática senhora é de muita luta. Atuando em diversos setores, como pediatria, maternidade e clínica geral, D. Agnes se sente orgulhosa em poder ter trabalhado no Hospital e Maternidade Rio do Testo. Sua filha, que atuava nos serviços gerais, também teve participação em alguns nascimentos, quando ficava de plantão. Nós não ganhávamos muito, mas o fato de podermos ajudar a colocar vidas no mundo é muito gratificante. Assim como ela, aprendi muito durante os 10 anos em que trabalhei no hospital, enfatiza.
Duas mulheres guerreiras que, com muita dedicação, fizeram com que vidas fossem salvas e colocaram seus nomes na história de uma das maiores tragédias que Santa Catarina viveu.