Síndrome de Down: o preconceito é a maior barreira
Alunas da instituição são exemplo de alegria e superação. Para elas, a Síndrome é apenas uma caracteríscas e não algo
que as limite quando o assunto é felicidade
Os olhos amendoados, a face achatada, o pescoço curto, os dedos das mãos menores e menos força muscular são características comuns por conta da trissomia do cromossomo 21. No entanto, estas são as características que a genética explica. O olhar doce, o sorriso constante e o carinho frequente só são perceptíveis a quem convive com aqueles que foram diagnosticados com Síndrome de Down.
As crianças, os jovens e os adultos com síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes e estar sujeitos a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes e únicas.
Na Apae de Pomerode, são sete alunos que possuem a Síndrome. Destes, dois são homens e as demais, mulheres.
Clarice Regina Schneider, 40 anos, Emerielen Andreia Siberino, 22 anos, e Marcela de Almeida Pavão, 38 anos, são três alunas da instituição e, no dia 21 de março, também celebraram o Dia da Síndrome de Down.
As três permanecem pela manhã na instituição e contam que, aulas de artes, dança, pintura, natação e esportes estão entre suas atividades preferidas. Já no período vespertino elas ficam em casa e realizam atividades do cotidiano.
E quem pensa que por conta da Síndrome as meninas não possuem seus sonhos e vaidades, muito se engana. Marcela adora pintar os cabelos, assim como Clarice também o faz. Já Emerielen capricha no visual e, além de pintar as unhas e usar anéis, também utiliza lápis nos olhos para realçar sua beleza.
A conversa inicia tímida e com poucas palavras, mas logo que se sentem seguras, elas também contam sobre seus desejos. Emerielen deseja trabalhar algum dia, assim como casar e ser artista de pintura. Marcela quer ser professora, porque, para ela, ensinar é muito importante. Já Clarice deseja trabalhar confeccionando chocolates para a Páscoa.
Criança, jovem ou adulto, não importa. Os portadores de Síndrome de Down possuem mais do que apenas a trissomia em comum: a sinceridade no olhar, a ingenuidade no falar e a compreensão dos verdadeiros sentimentos.
Para a diretora da Apae de Pomerode, Riacarla Rauh, e, também, a psicóloga da instituição, Leyla Karsten, quanto maior o estímulo, maior as chances de alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e avançar com crescentes níveis de realização e autonomia.
Além disso, as profissionais acreditam ainda no convívio familiar. “Entendemos que a permanência dos alunos na instituição é de suma importância para o seu desenvolvimento. No entanto, a responsabilidade familiar é fundamental. Nossa instituição oferece apoio tanto para os alunos, assim como à família”, completam.
As pessoas portadoras de Síndrome de Down também têm a possibilidade de ter doenças associadas – como problemas cardíacos e respiratórios, alterações auditivas, de visão e ortopédicas – também estão presentes. Mas, como para qualquer outra criança, isso pode ser tratado e deve ser acompanhado por especialistas.
Dificuldades a parte, o mais importante é descobrir que o portador da Síndrome pode alcançar um bom desenvolvimento. Ele é capaz de sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar. Poderá ler e escrever, deverá ir à escola como qualquer outra criança e levar uma vida autônoma. Em resumo, ele poderá ocupar um lugar próprio e digno na sociedade.
Por que a data é comemorada no dia 21 de março? A data “21/03” foi escolhida estrategicamente, pois a Síndrome de Down é uma alteração genética do cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, porém, no caso das pessoas com a síndrome, esse cromossomo aparece com “3” exemplares (trissomia).