Sendo criança nos anos 70
A infância mais segura de todas
Desde a década de 70 até os dias atuais, muita coisa mudou. Várias até inimagináveis, se voltássemos no tempo. Quem viveu a época tem recordações saudosas, e quando aparecem as imagens, bate aquela nostalgia.
Lembranças como correr de bicicleta sem medo de assaltos ou sequestros, beber água dentro de filtros de barro ou até mesmo da própria torneira ou mangueira no fundo do quintal; descer avenidas e montanhas embalados por um carrinho de rolimã feito em casa, daqueles que nossos avós preparavam com todo o carinho, e nós, entusiasmados pela ideia da aventura, acabávamos destruindo aos poucos o brinquedo/artesanato. Sem contar que nossos calçados iam sendo destruídos aos poucos, já que os usávamos como freios.
A única promessa ao sair para brincar era retornar antes do anoitecer, e lá os pais deixavam seus filhos, pois não havia perigo de nada. Não existia celular, mas existiam vizinhos dispostos a cuidar uns dos outros. No vizinho da mercearia também se comprava a famosa tubaína, dividida em canudinhos entre os amigos, após uma boa pelada de futebol no meio da rua. Esta, em um campinho improvisado onde as traves eram dois chinelos, e o resto do campo era fruto da imaginação.
As festas eram animadas por ?radiolas? com agulhas de diamantes deslizando sobre os discos de vinil, luz negra e um delicioso coquetel feito de groselha e maçã em cubinhos.
Calçava-se nos pés a famosa conga, bamba, All Star (cano longo) e o sapato 752 da Vulcabrás. Mais famoso que estes, apenas o Kichute, que era amarrado por baixo da sola em volta do tornozelo, tudo para não cair do pé durante as aulas de educação física. As quadras eram tomadas pelo preto do tênis, que quando chutava a bola, acabava lascando a quadra e a deixando multicor.
Também se usavam os famosos relógios Grand Prix para homens e Champion para mulheres que assim como os de hoje, trocavam as pulseiras e encantavam as garotas da época.
Quem não lembra também dos famosos cigarrinhos de chocolate da marca Pan. Eles foram sensação durante muito tempo. Tinha também as pastilhas Pez, que vinham dentro de um dispositivo com a cabeça de um personagem. Os drops em pó Kiko, Balas Banda. Os pirulitos que tinham que ser colocados no açúcar para adoçar.
Os tão consagrados sucos coloridos que eram vendidos na feira e vinham dentro de embalagens de plástico transparentes no formato de carrinhos, revólveres, frutas e etc. Eles não eram muito gostosos, mas se a mãe não comprasse, ficávamos como se o mundo caísse. As garrafas de refrigerante que, naquela época, tinham rótulo de papel e um pedaço de cortiça dentro da tampinha de metal.
Comprávamos nos bares, doces de coração de abóbora e batata, Maria mole, teta de nega, doce de banana no copinho de sorvete, etc. Balas Soft redondinhas (quem já engoliu uma inteira certamente vai lembrar); Da Fanta Limão e da Fanta Guaraná refrigerantes da Coca-Cola bem anteriores à Sprite e ao guaraná Taí; Pacotinhos de Ki-Suco que tinha a jarrinha sorrindo.
Em 1975, o grande vencedor do Oscar foi ?Um estranho no Ninho?, em seguida, Rocky, e no ano seguinte, criada a odisseia da Guerra nas estrelas, que mudou o mundo do cinema e da ficção.
O som brasileiro da época tocava Wando, Roberto Carlos, Michael Jackson, Guilherme Arantes, Chico Buarque, etc. Na televisão, a primeira versão de Roque Santeiro ia ao ar e o consagrado programa: ?Trapalhões? com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias estreava na TV Globo.
A Sony, em 1979, lança o primeiro Walkman, que é a primeira versão de um Musical Player. Ele era um aparelho portátil do tamanho de um tijolo que sintonizava rádio stereo e tocava fitas cassete com músicas. Curiosamente, neste ano de 2010, a Sony anuncia oficialmente o fim das vendas do Walkman.
Uma época incrível e inesquecível, que trouxe o início de muitas tecnologias e atualidades vistas até hoje. Com certeza, a década foi inigualável em muitos quesitos, e para as próximas edições da Revista JP, confira outras lembranças das décadas sequentes.