Sem limites para voar
O espírito promissor do pomerodense Murilo Rauh lhe permitiu, aos 20 anos, ser cadete aviador na Academia da Força
Aérea Brasileira
O histórico na FAB já faz parte da família, tendo em vista que o tio e a irmã também fazem parte da instituição. “O fato de a minha família ter histórico na aeronáutica com certeza me influenciou a seguir carreira. A maioria dos moradores de Pomerode, e não só de Pomerode, do estado de Santa Catarina em geral, não sabe que existe concurso público para ingresso nas Forças Armadas, acha que é tudo feito quando o homem completa 18 anos e se alista na Junta de Serviço Militar. Se não fosse meu tio, que mostrou para mim e para a minha irmã os cursos oferecidos pela aeronáutica, nós com certeza não estaríamos onde estamos”, ressalta.
Mas o ingresso depende do empenho e dedicação de cada um. Murilo estudou e prestou mais de um concurso para conquistar seu espaço. “Tudo começou em 2009 quando eu prestei o concurso para ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), em Barbacena, Minas Gerais. Não consegui passar, o concurso é muito concorrido, tentei novamente sem sucesso em 2011, mas em 2012 consegui passar. Enquanto meus amigos seguiam para a faculdade, eu seguia sozinho para Barbacena, onde tudo começou”, explica.
A conclusão na Escola Preparatória de Cadetes do Ar ocorreu em 2015. “Agora sou cadete aviador na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, São Paulo. Esses três anos e alguns meses foram, sem sombra de dúvida, os mais intensos da minha vida, mas o momento mais marcante foi nesse mês de março, quando saltei de paraquedas de uma aeronave militar”, revela.
Além do aprendizado pessoal, valores também são fundamentais a quem deseja seguir na carreira. “Fazer parte da Academia da Força Aérea representa para mim uma grande honra, pois lá eu aprendo sobre muitos dos valores prezados pelos Militares como, por exemplo, a superação, o dever, a liderança e a ética. Tenho um sonho em comum com a minha irmã que é o de ter a oportunidade de voar com ela em alguma missão pelo Brasil”, completa.
Aos que também sonham com o futuro na carreira, Murilo afirma que força e paciência são essenciais. “Para os jovens que desejam seguir a carreira, desejo força e paciência, nada que se preze é conquistado sem esforço e dedicação, ainda mais nessa carreira. A dificuldade começa já no preparo para o concurso, e ela só aumenta, a cada obstáculo passado são maiores as responsabilidades e os deveres”.
Superação é a palavra de ordem, segundo Murilo. “As maiores dificuldades que eu encontrei são as inerentes de qualquer treinamento Militar: distância da família, privação do sono, a pressão psicológica e o desgaste físico. Porém, são essas as dificuldades que me fazem mais forte, me tornei independente, otimizo meu tempo e os problemas cotidianos que antes me perturbavam, agora não são tão problemáticos quanto pareciam. O maior prazer que sinto é a superação dos meus limites, a cada dia passado me descubro mais como pessoa, e quando acho que cheguei ao limite, ainda tenho muito mais a render”, finaliza.